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  • (Des)equilíbrio Grego
31
julho

(Des)equilíbrio Grego

Escrito por  Sofia Ribeiro
Publicado em Sofia Ribeiro
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Escrevo esta crónica quando ainda se desconhecem os resultados da apreciação, pelo Parlamento Grego, do acordo de assistência financeira com vista à reestruturação da situação económica e social da Grécia, firmado pelo Primeiro-Ministro Alex Tsipras e os restantes membros da Cimeira da Zona Euro, na madrugada da passada Segunda-Feira. Feita esta ressalva, que obviamente enquadra a minha reflexão, friso que não apenas mencionei a questão económica, como incluí a variável social. Se dúvidas houvesse quanto à valência destas duas componentes, os recentes acontecimentos demonstraram claramente a sua dupla implicação. Nos últimos anos muito se tem falado sobre as consequências sociais das reestruturações económicas, em especial dos países que requereram ajuda externa, mas numa perspectiva que atendeu  a estas apenas como um fim em si mesmo. Ora, se é certo que esta análise deva sempre ser efectuada, não deve ser descurada a perspectiva da necessidade desta reestruturação económica, face às exigências de desenvolvimento social em que se encontram os Estados-Membros mais fragilizados.

O caos instalado na Grécia, totalmente incapaz de subsistir sem financiamento externo assistido, traduziu-se não somente na limitação de acesso às contas bancárias gregas (por decisão do seu Governo), como na impossibilidade dos reformados levantarem mais do que uma pequena parcela das suas pensões, e na dificuldade de acesso a bens essenciais como medicamentos e alimentos. Se a situação se prolongasse, certamente teríamos assistido ao não pagamento de salários aos trabalhadores do Estado, numa primeira instância, e aos trabalhadores do sector privado, consequentemente. O próprio turismo, ponto forte da economia grega, seria certamente reduzido (quem quereria passar as suas férias sem as mínimas condições de segurança e descanso?), o que agravaria ainda mais a situação. Perante tal calamidade social, ficou clarificado que sem estabilidade económica e financeira, as sociedades tornam-se disfuncionais, tendo em conta os padrões de qualidade de vida do Mundo Ocidental.

Esta dupla relação tem estado presente na minha defesa de um equilíbrio entre a economia social e a economia de mercado. O desenvolvimento económico-financeiro não constitui um fim último, mas é necessário para que tenhamos progresso nos mais básicos indicadores sociais, como os níveis de riqueza, de educação e de saúde das populações. Por outro lado, o Estado só pode ser de Providência se for devidamente alicerçado financeiramente, não apenas no imediato, mas a longo prazo, tendo em conta as necessidades e a sustentabilidade das gerações futuras.

É certo que é utópico um total equilíbrio entre os factores sociais e económicos, tanto mais não seja porque é do seu permanente reajustamento que advém o desenvolvimento. Tal busca pelo progresso requer a avaliação de todos os factores que lhe são inerentes. O verdadeiro exercício da democracia não se limita, portanto, à expressão de uma vontade, implica a capacidade de apresentação de propostas devidamente ponderadas e fundamentadas, compromisso e capacidade de negociação. O “não” ou “oxi” como resultado do referendo grego evidenciou o descalabro a que nos podem conduzir políticas que se fundamentam unicamente na oposição. As verdadeiras reformas apenas são possíveis se consubstanciadas em propostas consequentes e exequíveis. Mais do que sabermos para onde queremos ir, é preciso sermos capazes de definir como havemos de lá chegar. 

 

 

 

www.sofiaribeiro.eu

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