Neste mundo desgraçado
O que por mim tem passado
Sem pensar bem no futuro.
E assim fui andando
Contra a maré remando
Para morte não seguro?
Há sessenta e um anos
Que o pobre do Caetano
Pelo quartel da morte entrou.
Com oitenta e um anos
De novo está o Caetano
Há conta de Deus cá estou.
Da tropa já tenho saudades
E fiz tantas amizades
Que não mais esquecerei .
Às vezes fico pensando
E outras vezes chorando
Do tempo que passei.
Eram cento e tal recrutas
Alguns de memórias curtas
Eram como Deus lhes deu.
Alguns, ainda vou vendo
E de outros vou sabendo
Que a terra já comeu .
É assim que as coisas são
Prestem muita atenção
Sigam para Sul ou Norte.
E quem sabe bem nadar
Vá tomar banhos no mar
E vá pensando na morte.
Eu como não sei nadar
Já não vou experimentar
Desculpem a brincadeira
Mas isto não tem a ver
Eu até posso morrer
Afogado na banheira .
Será o que Deus quiser
Ele é que tem o poder
Eu só trabalho na sua vinha.
Fui sempre trabalhador
Mas sou grande pecador
Mas dizem que tenho alminha?
Eu confio em Jesus
O tal que levou a cruz
E lá esteve até morrer.
Mas muita gente não pensa
E metem logo dispensa
Só lá iremos saber?
Vejo nossa rica Nação
Com tão grande solidão
Para os jovens idosos
Vejo tanta crueldade
E falta de caridade
O que há muito são mentirosos.
Os idosos estão a sofrer
E mortos estão a aparecer
Não vejo um bom futuro.
E os jovens que hoje são
Para idosos lá vão
Estão pondo dinheiro a juro.
O Caetano vai terminar
Pedindo a todos perdão
Se alguém não quiser dar
Está tudo na vossa mão.
Se me quiserem perdoar
Aceito com muito bom gosto
Prometo que vou orar
E a paz esteja convosco.
O Caetano não tem vaidade
Nem quero estar em montras
Mas quero dizer a verdade
Senão Deus pede-me contas.