Atravessamos um Verão que nos tem dado magníficos dias de sol e praia.
São as férias, as festas, as noitadas, os namoricos, os flirts, as jantaradas, a cerveja, os pés de dança, as meninas..., que transformam esta ilha numa “Silly Season” crescente de iluminados, que defendem interesses que não nos interessam.
ESCARAVELHO
Este Verão, o escaravelho arrasou tudo, e deixou esta ilha Azul toda rendilhada e castanha…
Defender que o escaravelho japonês não é um problema, é, no mínimo, uma anedota.
DERRAMA
É um imposto extraordinário, que veio para ficar, ao qual a nossa Autarquia deita mão, não para um investimento estratégico, mas para cobrir o deficit do Plano e Orçamento, e das suas despesas correntes, de capital e de investimento.
O que não sabíamos é que o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, e deputado municipal, considera este imposto... positivo.
AEROPORTO
Do outro lado do canal, afirma-se, e bem (para eles), que o Aeroporto do Pico é o que melhor está colocado para servir os interesses do Triângulo, designadamente, nas ligações internacionais.
Por cá, e mal, também há quem alinhe o discurso pela mesma bitola, assumindo-se como “galito de uma capoeira de raposas”, como ponta de lança de uma politica regional bipolar, cujo objectivo é “dividir para reinar”.
Ingenuidades? Não! Estratégias concertadas, com direito a prémio politico.
PARTOS
César oferece uma ambulância marítima, que não navega.
César anuncia um Bloco de Partos na Madalena do Pico, que, para funcionar a sério, terá de ter um bloco operatório.
Mas, para que uma Maternidade funcione com reconhecida qualidade, terá de ter um mínimo de 300 partos / ano, para que os profissionais de saúde tenham a experiência mínima necessária, e para que a taxa de mortalidade infantil não dispare.
Ora, Faial e Pico conseguem atingir essa meta à rasquinha!...
Logo, a prazo, o que nos espera será irmos todos nascer ao Hospital de Santo Espírito, na Terceira...
Assim, não admira que, por cá, exista alguém que defenda que a USIP – Unidade de Saúde da Ilha do Pico vire UHIP – Unidade Hospitalar da Ilha do Pico.
PARCERIAS
Este é um mandato de “costas largas”, em que se passou de um “garrote politico” à anterior direcção, para um “laissez faire, laissez passé” à actual e oportuna “almofada de ar” do partido do poder, que suporta o Governo Regional e a Câmara Municipal.
Não há fome que não dê fartura, que vai da participação em comícios e jantares das tertúlias politicas, aos mais inesperados eventos, da cardiologia aos rallies, dos motards à gastronomia alemã..., tudo em prol da economia local.
Antes, dizia-se à boca pequena que havia instrumentalização politica da CCIH...
Agora, diz-se à boca cheia.
“La petite différence”, é que ninguém faz nada: uns afastam-se desencantados, e outros aproximam-se encantados, numa perigosa “renovação étnica” de interesses.
DEMISSÕES
A Mesa do Comércio e Serviços demitiu-se, porque ficou sem espaço de manobra, perante o “elogio” da criação das Plataformas em Ponta Delgada e Praia da Vitória, já com a alternativa de “doca seca” para o nosso parque de contentores, quando o seu Presidente era o 1º subscritor da Petição Pública a favor sua a abolição.
Recorde-se que, o signatário, na qualidade de Vice Presidente da CCIH já havia pedido a demissão em 10 de Outubro de 2009, por motivos semelhantes.
Este é uma mal que já vem detrás, já tem barbas, e continua a agravar-se com o tempo, com a conivência não de um, nem de dois, nem de três... mas de todos aqueles que deixam o barco navegar numa rota contrária aos reais interesses dos empresários.
FULL-TIME
Não deixa de ser curioso que um empresário em part-time necessite de assumir em full-time as funções de Presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta.
É, sem dúvida, uma “conquista” para os associados, do Pico ao Corvo, passando pelo Faial e pelas Flores.
Assim, ficará facilitada a sua participação nas deslocações oficiais da Região aos Estados Unidos, Europa, China e Angola, bem assim a participação em várias feiras nacionais e no estrangeiro.
Avizinha-se um período áureo para o Comércio, Indústria e Serviços de alguns, com tanto empenho e disponibilidade.
PLATAFORMAS
Os Faialenses, da esquerda à direita, uniram-se contra a criação das Plataformas Logísticas.
Até destacados membros locais do partido do poder levantaram a sua voz contra este avanço do lobby Terceirense, apoiados por debates, petições públicas e pareceres técnicos dos operadores portuários, dos transitários e dos agentes de navegação.
Todos..., menos as habituais “ovelhas negras”, que já nos habituaram à sua subserviência e fidelidade ao poder regional, única forma de garantirem a sua sobrevivência politica, social e pessoal.
Mas desta vez, a sua força não foi suficiente para calar a verdade.
A democracia funcionou no Conselho de Ilha, e as plataformas foram rejeitadas.
Mas a vontade dos Conselheiros ficou na gaveta...
E a Assembleia Legislativa Regional aprovou o PROTA, com o parecer solitário e favorável do Presidente do Conselho de Ilha.
Depois do 25 de Abril de 1974, não há memória de tal adulteração da democracia.
CONSELHO DE ILHA
Trocam-se pareceres, porque existem versões A e B, cuja autoria e propósitos se desconhecem.
Emitem-se pareceres que contrariam as decisões do Conselho de Ilha.
Expedem-se ofícios importantes, sem registo, sem protocolo..., em correio normal, que não chega ao destino.
Mas afinal, foi para prestar “um mau trabalho” que se rompeu com a tradição e se forçou a conquista da Presidência, para transformar a idoneidade de todo um Conselho de Ilha numa “anedota angelical”?
Assumem-se os erros.
Arranjam-se desculpas.
O que não se assumem, são as consequências da ligeireza dos próprios actos.
Tá-se bem, numa boa, a malta é bué de fixe e curte a situação.
Io!...
Contributos, para