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30
outubro

Acerca da credibilidade dos políticos

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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1. “Política” é uma palavra que vem do grego “Polis” (cidade) e, em sentido restrito, significa o “governo da cidade”. Extensivamente, ela aplica-se a toda a atividade desenvolvida com vista à realização do Bem Público, cabendo, por isso, a sua concretização aos órgãos públicos do Poder e aos seus agentes (os políticos).
De uma atividade à partida nobre e honrosa, a Política passou, hoje, a ser vista pelo comum dos cidadãos como algo de suspeito, eivada de oportunismo, onde se tende a pensar mais nos interesses próprios e de grupo e não se dá a primazia ao chamado interesse coletivo ou Bem Público.
E a verdade é que muitos Políticos têm dado fartos exemplos, no exercício dos seus cargos, quer no Poder, quer na Oposição, para esta generalizada descrença e, mesmo, progressivo afastamento do cidadão em relação à Política: quando prometem e não cumprem com a palavra dada aos eleitores; quando dizem uma coisa na Oposição e fazem outra diferente no Poder; quando esquecem os interesses dos cidadãos em favor das estratégias de grupos; quando usam o poder em proveito próprio ou de grupos; quando usam os dinheiros públicos para comprar apoios e conivências.
Aquilo que hoje se está a passar na política portuguesa é bem o exemplo disso e é mais um poderoso contributo para a descredibilização da Política e dos Políticos. Como escrevia, há dias, Ricardo Costa, no seu “Expresso Curto”, os políticos “estão todos a apalpar terreno” e “a fazer figas quando falam consigo”. Brincar ao gato e ao rato, perante uma nação atónita e que acabou de ser sujeita aos maiores sacrifícios das últimas décadas, não abona, em boa verdade, nada em favor de tais políticos!
2. Correndo o risco de ficar ultrapassado pelo evoluir dos acontecimentos e pelo tempo que medeia entre a data em que escrevo e a data em que esta crónica é publicada, não posso deixar de registar exemplos concretos de algumas dessas contradições que afetam profundamente a credibilidade destes nossos políticos.
Comecemos pela posição do Partido Socialista, perdedor objetivo das eleições. Pela mão da dupla António Costa / Carlos César, o PS veio defender que Passos Coelho, vencedor das eleições, não devia ser indigitado Primeiro-Ministro porque, como não tinha maioria, isso era “uma perda de tempo”.
Recuemos, agora, a 1996 e aos Açores. Carlos César e o PS venceram, sem maioria, as eleições. Atente-se no que dizia, na altura, Carlos César: “As eleições regionais do passado dia 13 de outubro conferiram ao Partido Socialista uma vitória suficientemente esclarecida para suscitar a sua indigitação unânime para a constituição e condução do novo governo.”
Isto é: em 1996, sem maioria na Assembleia Regional, Carlos César achava que devia ser ele a formar governo porque a vitória tinha sido “esclarecida”; agora, em 2015, Passos Coelho que teve essa mesma vitória sem maioria, já não deve, segundo o PS, formar governo porque é uma perda de tempo!
Mais: será que o atual PS ainda se lembra de José Sócrates ter ganho as eleições de 2009, sem maioria e com apenas 97 deputados, e de ter sido ele o indigitado para Primeiro-Ministro? Alguém disse, na altura que isso era uma perda de tempo?
3. Atentemos também nos exemplos das posições do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista.
“Só é possível inverter a política de austeridade rompendo com a lógica dos programas de ajustamento e do pacto de estabilidade”, diz logo a abrir, na página 3, o Programa Eleitoral do BE. E acrescenta: “Sob a chantagem da dívida e do Tratado Orçamental, não é possível um programa de investimento que inverta o ciclo da crise”, para concluir: “O Bloco de Esquerda propõe, com a Esquerda Europeia, uma Conferência Europeia para a Reestruturação das Dívidas dos Países da Periferia do Euro e para o Fim do Tratado Orçamental.”
Também o Partido Comunista Português defende, no seu Programa Eleitoral, de forma cristalina, “a renegociação da dívida nos prazos, juros e montantes, a intervenção com vista ao desmantelamento da União Económica e Monetária, e o estudo e a preparação para a libertação do País da submissão ao euro, visando recuperar instrumentos centrais de Estado soberano (monetário, orçamental, cambial); a eliminação de condicionamentos estratégicos pelo controlo público de sectores como a banca e a energia” concluindo que é necessário romper “ com a conivência e subserviência face à União Europeia e à NATO. (pág. 21)
Isto é: sem sombra de dúvida e margem para discussão, quer o BE, quer o PCP, assumiram nos seus programas eleitorais e comprometeram-se, por essa via, com os seus eleitores, na defesa da revogação do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assim como no desmantelamento da União Económica e Monetária e na saída de Portugal do Euro e da NATO, organização de que Portugal é membro fundador.
4. A questão que se coloca é, por consequência, só uma: não acreditando que o Partido Socialista subscreva uma única das anteriores propostas num possível Programa de Governo que seja apoiado pelo BE e pelo PCP, o que têm estes partidos a dizer sobre estas matérias a quem neles votou e lhes deu crédito?
Afinal, concluo eu, estes partidos, que sempre se apresentaram como os “puros” do sistema político português, como aqueles que faziam o que diziam e cumpriam o que prometiam, afinal, estão a revelar-se exatamente iguais a todos os outros: uma coisa são as promessas eleitorais; outra, bem diferente, é a tentação do poder! É que, tudo o indica, logo à primeira oportunidade, se dispõem a deixar cair no esquecimento aquelas que eram as suas grandes linhas de orientação política.
5. Nesta rota preocupante e avassaladora de descredibilização da Política e dos Políticos já nem restam, pois, nem o BE nem o PCP como a “reserva moral” com que se gostavam de apresentar até aqui. Preparam-se para deixar cair muitos dos seus princípios estratégicos, seduzidos pelo desespero de um António Costa que, à força e contra natura, quer ser “rainha por um dia, mais do que princesa o resto da vida”!
6. Entretanto, João Vieira Pereira, diretor-adjunto do Expresso sintetizava exemplarmente o ponto da situação das negociações em curso entre o PS, o BE e o PCP: “Eis pois a receita da esquerda para eliminar a crise: menos impostos, maiores salários e menos trabalho. Não sei se comece a rir ou a chorar.”
Jorge Costa Pereira
26.10.2015

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