Conheço o Doutor Félix Rodrigues há muitos anos, precisando, desde que vim para a Terceira, vai para três dezenas de anos.
Era ele então membro activo do jovem grupo de escuteiros da vila de São Sebastião, e já filiado no CDS-Açores fora candidato à respectiva Junta da Freguesia, pois era tido no Partido como futuro dirigente.
E assim sucedeu quer nas estruturas quer como parlamentar e agora a liderar a coligação “Aliança Açores” à Assembleia Nacional, aliás formada por os laranjas terem dado o dito por não dito, desistindo da extensão aos Açores da “Portugal à frente".
Na verdade, a sua actuação na campanha foi deveras positiva, dissertando convictamente sobre os assuntos mais prementes na Região, com argumentos bem explicados, e se não foram eficazes, apenas por terem esbarrado num eleitorado dominado por dois Partidos: PSD, ontem; PS, agora.
E como o futebol é hoje usado em comparações, direi: Fayal Sport/Atlético ou Lusitânia/Angrense ou ainda Benfica/Porto.
Mas voltemos à política.
Aliás, a eleição à Assembleia Nacional, ou da República, foi sempre o calcanhar de Aquiles para os democrata-cristãos, mesmo apresentando listas constituídas por personalidades de relevo na vida açoriana, sobretudo de São Miguel, Terceira e Faial, como principais candidatos, e em que o Doutor Félix não destoaria.
Por sinal, há quatro anos que o CDS por umas centenas de votos não elegeu um deputado a São Bento.
Talvez por isso a esperança renascia entre filiados e adeptos que seria desta vez, e quiçá também, como reforço, terá surgido a coligação com os monárquicos que, em 2011 tinham tido bom resultado em São Miguel.
E comentadores políticos houve que disseram ser uma ocasião propícia, em virtude do forçado afastamente de Mota Amaral, embora o fundador do PPD tivesse manifestado interesse em fazer mais um mandato no Parlamento nacional.
Mas quer queiram quer não o CDS continua a ser a terceira força política nos Açores, e com prestigiado grupo parlamentar liderado por Artur Lima e de que faz parte a faialense Graça Silveira.
Produção de MEL na Região
A produção de Mel está ainda confinada às Ilhas, na opinião de apicultor terceirense João Avila, carpinteiro de procissão e fabricante de colmeias em madeira por ele desenhadas, segundo lemos no D.I. de Angra.
A notícia algo desenvolvida, aliás normal no prestigioso jornal, fez-nos recuar à década de 50 do último século, quando o “Correio da Horta” publicava uma página mensal, dirigida pelo bancário Guilherme Lemos, residente nos Flamengos.
Natural pois que lhe tenha dado o título de "Eco do Vale", e por apaixonado pela apicultura tivesse promovido uma campanha pro produção do mel, conseguindo mesmo interessar patrícios na progressiva Freguesia limítefro da Horta.
Decorridos que são tantos anos, assaltou-nos a curiosidade se a dita campanha teria deixado raízes.
A propósito, tive uma longa e interessante conversa, pelo telefone, com apicultor que há 44 anos se vem dedicando à produção de mel, tendo presentemente setenta colmeias em vários pontos da ilha.
Na Cooperativa Agrícola da ilha do Faiai soubemos haver uma dezena de apicultores associados que entrega nos respectivos serviços os favos para a retirada do mel em aparelho próprio, cuja comercialização é feita pela instituição no mercado local e com boa aceitação dada a sua qualidade.
Ficámos ainda com a ideia de que o apoio oficial, que vem sendo feito, não é suficiente, se continuar apenas em ensinamentos teóricos, pois há problemas no terreno que urge tentar resolver, como a falta de comida.
E há as devidas condições para que a apicultura açoriana avance para um patamar que daria a possibilidade de o Mel dos Açores ser exportado para o continente e chegar também ao mercado da saudade.
MARCELO Candidato a BELÉM
Após a eleição a São Bento, ganha pela coligação (P.à.f.), quando há um mês o PS era tido como vencedor em maioria absoluta, aliás diariamente pedida por Costa, surgiu oito dias depois o aguardado anúncio de Marcelo Rebelo de Sousa como candidato a Presidente de Portugal, feita no Museu de Celorico de Basto, depositário dos livros oferecidos aquando dos seus comentários de Domingo na TVI, sempre com recordes de audiência.
Como é sabido, o nome do conhecido comentador já vinha a liderar as sondagens televisivas respeitantes às candidaturas, avançadas e prováveis.
E como se sabe também, o Professor Marcelo é afilhado de baptismo de Marcelo Caetano que foi o último Presidente de Conselho do antigo regime e que passou o testemunho no Carmo ao General Espínola para o poder não cair na rua.
Não deixou ainda de salientar, na dita apresentação, a sua Independência em ditadura e em democracia, sendo ele filho de um dos Ministros mais próximos de Salazar!
Soubemos agora que era habitual, nos últimos anos, a sua presença na Festa do Avante (! ), o que traz água no bico aliás como a referida ditadura...
Quiçá a propósito ou (des): Se esta viagem do Professor Marcelo de Celorico de Basto, não fará recordar a histórica marcha do Marechal Gomes da Costa em 26 de Maio de 1928, ambas para Lisboa, e com Portugal como fim?