Os pareceres do conselho de ilha do faial
Há quase 16 anos ininterruptos que faço parte do Conselho de Ilha do Faial. Ao longo de todos estes anos, aquele órgão tem sido um espaço privilegiado de procura de consensos e de manifestação das posições desta ilha no contexto regional. Os seus pareceres, nomeadamente os que se referem à pronúncia sobre as antepropostas de Plano Anual do governo regional, têm refletido essa tentativa de abrangência, elencando os “aspetos positivos” e as “preocupações consideradas”.
Mas, penso eu, a fórmula esgotou-se e tem-se vindo a perder o sentido reivindicativo daquilo que deve ser estratégico e fundamental para o futuro do desenvolvimento da nossa ilha, privilegiando aí uma concentração clara das exigências e deixando-se cair o acessório com que às vezes nos deixamos enlevar.
No Conselho de Ilha que se debruçou sobre o Plano do governo para 2016 tentei introduzir, sem sucesso, uma vertente de análise que considero essencial ser feita, pelo menos no último Plano de cada legislatura, como era o caso presente: a de se comparar, ponto por ponto, aquelas que foram as promessas eleitorais feitas aos Faialenses pelo partido vencedor e o grau de cumprimento de cada uma. O Plano para 2016 fecha um mandato de quatro anos deste governo e fazer este balanço e esta avaliação deveria ser, em minha opinião, o contexto determinante do Parecer, pois, salvo raríssimas exceções, não se consegue concretizar num ano aquilo que em três não se fez.
Nesse mesmo Conselho de Ilha, também coloquei à análise uma questão de premente atualidade e de grande importância para o nosso futuro: a das acessibilidades ao Faial. Referi que o novo modelo de transportes aéreos, em muitas vertentes, está a penalizar fortemente a ilha, especialmente desde que a TAP nos abandonou. E acrescentei o facto de não se vislumbrar até ao momento, da parte do governo regional, vontade política em alterar essa situação. Dei como exemplos a recente, inaceitável e incompreensível diminuição do número de voos da SATA ao fim de semana para o Aeroporto da Horta, que passaram de seis para dois (um ao sábado e outro ao domingo); o que aconteceu com a redução de lugares oferecidos pela SATA Internacional durante a operação deste Verão IATA; o que aconteceu com a limitação de lugares e a dificuldade em conseguir sair ou vir para o Faial nos voos inter-ilhas no último verão IATA; ou, ainda, as cada vez mais claras opções estratégicas da SATA em desviar o tráfego aéreo de e para outras ilhas com as inerentes consequências para o desenvolvimento do Faial. Neste particular, chamei a atenção para o lugar que deve pertencer ao Faial no Triângulo e que era com preocupação que estava a assistir à menorização e subalternização desse papel. A questão das acessibilidades, concluí, era apenas um exemplo disso e que deveria merecer uma reflexão aprofundada e posições consequentes do Conselho.
Apesar de nenhum conselheiro se ter oposto à reflexão feita, antes pelo contrário, apesar de ter insistido, em sede de elaboração das conclusões, para as mesmas contemplarem de forma mais desenvolvida esta problemática, o resultado, no “Parecer” final resumiu-se a isto: “o Conselho de Ilha do Faial manifesta a sua preocupação, relativamente ao novo modelo de transportes aéreos que, em muitas vertentes, penaliza fortemente a ilha.”
É também por isto que os Pareceres do nosso Conselho de Ilha sobre o Plano estão transformados, em minha opinião, numa espécie política do velho comprimido “Melhoral”: não fazem bem, nem fazem mal!
o novo quartel de
bombeiros do faial:
mais um folhetim que nasce
O cumprimento das promessas eleitorais no Faial por parte do governo regional tem sido, em vários casos, verdadeiras novelas, sendo poucas aquelas que se concretizam no tempo para que foram prometidas, ou na forma e ou na dimensão com que nos foram apresentadas. Lembremos, de memória, a Variante à cidade da Horta, que começou por ser para ligar o norte da cidade ao aeroporto, depois, encolheu e passou a ser para ligar a Lajinha ao norte da cidade, e depois passou a duas fases e agora é o que está feito pois a segunda fase já não é para se fazer! Ou lembremos o Estádio Mário Lino, um luxo que os faialenses deixaram repentinamente de precisar e que foi cancelado na fase de adjudicação. Ou o Campo de Golfe do Faial e as Termas do Varadouro, de que só falam no ano em que há eleições. Ou o Aquário Virtual que se transformou em nada, quando comparado com as promessas iniciais. Ou lembremos, para não alongar mais a lista, o famoso Cais de Cruzeiros da Horta que entre o que foi apresentado aos Faialenses e o que foi construído encolheu de tal forma que a sua profundidade passou dos menos 12 metros para os menos 8 atuais.
Mas, mais um folhetim relacionado com um investimento prometido para o Faial está a nascer. É o do novo Quartel de Bombeiros! Com a candura que lhe é peculiar, o Secretário Regional da Saúde, que tem a tutela da Proteção Civil, informou os deputados que “as condicionantes do novo quartel da Horta podem atrasar o início da sua construção em 2016. A orografia do terreno cedido pela Câmara Municipal da Horta não ajuda e não é a melhor. Foi decidido, em acordo com a Câmara Municipal da Horta, que provavelmente a melhor localização para o novo quartel seria o terreno do atual Matadouro, tendo ainda a vantagem de se aproveitar as instalações que irão ser abandonadas. A verba que está no Plano para 2016 é a que permitirá o estudo geológico desse terreno e avançar-se com o projeto de reconversão para o quartel e o respetivo concurso público. No entanto, as obras só se poderão iniciar quando os terrenos estiverem disponíveis.”
O que é dizer: só depois de construído, inaugurado e em funcionamento o novo Matadouro do Faial, é que teremos a obra do novo Quartel de Bombeiros!
Engenhosa forma esta de mandar mais uma promessa eleitoral para as calendas…
Isto para já não falar de que é fundamental saber-se muito bem o que implica a subtileza da expressão “ projeto de reconversão”…
09.11.2015