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  • Para onde te levam FAIAL …
20
novembro

Para onde te levam FAIAL …

Escrito por  Armando Amaral
Publicado em Armando Amaral
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O escrito de hoje, mais extenso, é dedicado aos meus patrícios que vivem na Ilha e aos que a escolheram para viverem anos de sua passagem terrena, e que também é minha, mesmo vivendo a dezenas de milhas marítimas, sem deixar, porém, de nela pensar.
Primeiramente aquando na política, sem cargos remunerados, apenas em interessada obrigação cívica, e nos últimos, após "reforma" do Partido Democrata-Cristão, ou Centrista, passando a colaborar como amador no "Tribuna das ilhas".
E a escolha do título, deve-se ao facto de haver assuntos assaz importantes de que urge tomar posição quando o Faial não vem sendo tratado como merece, mais parecendo ser considerado como ilha de segunda, embora rico em dádivas do Criador, com sua gente a tentar pôr a render os dons de Deus recebidos, como adiante se verá.
Começamos, naturalmente, pela Baía da Horta, integrada no Clube Internacional das mais belas do mundo, em cuja margem nasceu a Cidade presépio e que foi, como Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Capital de Distrito.
Foi também o maior Centro de amarragem de Cabos submarinos, a ligar os cinco continentes e que Museu será apreciado testemunho.
Ainda de importância vital no crescimento da Aviação mundial com a passagem do NC4 norte-americano em 1919 na primeira travessia do Atlântico.
E ainda ancoradouro privilegiado das baleeiras de New Bedford e de abastecimento de carvão à navegação a vapor, a que não terá sido alheia a escolha do Faial para o estabelecimento do primeiro Cônsul dos Estados Unidos nos Açores, Charles William Dabney e família que permaneceu na ilha durante praticamente cem anos, período que passou a ser designado como o Século dos Dabney.
Descendo à Terra, gente houve, nascida no Faial, a não esquecer, como D. Alexandre da Sagrada Família, Bispo de Angra que deu nome a largo citadino.
Também na religiosidade, o Colégio dos Jesuítas que mais que o tamanho (não igual nos Açores), a sua meritória acção educativa, e a Igreja do Carmo, de bela arquitectura e cujo coro alto é suportado pelo segundo arco abatido da Europa.
E ainda os Votos do Município ao Espirito Santo (Vulcão do Cabeço do fogo) e a Santo Cristo (crise sísmica no Canal).
Quanto à Vida Militar, até recentemente referimo-nos aos Lacerdas dos Cedros, em especial ao acto heroico de Diego dando a vida numa explosão que destruiu a nau Rosário para que não caísse na posse de corsário holandês.
Outros dois vultos que estátuas em praças da Cidade não deixam esquecer:
António José de Ávila, licenciado em Direito, paladino na ascensão da Horta a Cidade, e que foi o 7º. Duque não real, tendo exercido altos cargos políticos como Presidente do Governo e Embaixador, com condecorações sem conto.
Doutor Manuel d`Arriaga, também nascido na Horta, em casa agora restaurada por iniciativa da Associação de Antigos Alunos de Liceu que tem o nome do primeiro Presidente da República.
Das muitas personalidades merecedoras de menção, ficaremos apenas por uma meia dúzia, além de Florêncio Terra, e Rodrigo Guerra, já referidas por Marcelino Lima, nos Anais do Município: Osório Goulart e Ana Adelina Bettencourt, na Poesia; no Teatro, Francisco Augusto da Silveira, Amílcar Goulart, actor e autor, Júlio Andrade, autor e jornalista, Joaquim Viana, Silva Peixoto, autor e jornalista.
Na Economia, os lacticínios, iniciados nos primeiros anos de 1900 no Cascalho, Cedros, prosseguidos pela CALF (Cooperativa Agrícola) e actualmente em Castelo Branco, cujas fábricas produzem manteiga e queijos de reconhecida qualidade.
Da Pesca, várias são as espécies exportadas para o Continente e Estrangeiro, incluindo naturalmente a albacora/atum que tem no Japão mercado preferido.
Quanto à caça à baleia, de discutível proibição, surgiu a observação de cetáceos, em embarcações especiais de borracha, uma actividade turística muito desenvolvida no Faial.
No Ensino, além do Liceu e da Escola Profissional, já que o agora chamado Básico foi impedido de continua em apreciada senda, com o fecho da Escola do Magistério Primário, sendo de recordar que nos anos 30 e 40 do século passado, o Distrito da Horta foi o 1º. do País com menos analfabetos no sexo feminino e o 2º. na escala geral aliás prémio à dedicação de uma plêiada de distintos e interessados professores.
Com a compreensão do leitor, recordo também que era então Director Escolar meu saudoso pai.
Felizmente que é estabelecido o DOP, Departamento da Universidade já com fama internacional, e de que o Povo tem o maior orgulho.
No Comércio, os Grandes Armazéns Faialenses (réplica dos famosos lisboetas), símbolo duma época, deixando raízes no meio citadino.
No Desporto, o Fayal Sport, um dos Clubes mais antigos do País a praticar Futebol e ainda o mais popular da ilha.
Dedicou-se também a outras modalidades tais como: Remo, Atletismo e Ténis, com a participação de atletas ingleses e alemães das Companhias Cabográficas, e do Atlético e Sporting, clubes fundados após a visita do Casa Pia em 1922, então Campeão de Portugal.
Naturalmente que a Horta tenha sido considerada como a Cidade mais desportiva dos Açores.
Enquanto o Atletismo teve nesses anos apreciada actividade nos certames organizados especialmente pelo semanário Horta Desportiva, dirigido por Belisário Vieira, o Ténis, no mesmo período, esteve também em evidência, em Torneios realizados nos nove campos existentes.
Todavia, o Clube Naval é, sem dúvida, o mais internacional, cremos, mesmo, a nível nacional, com regatas à vela atlânticas entre a França e o Faial: e ligado à Semana do Mar, o maior festival marítimo em Portugal, por sinal nascido da passagem duma regata mundial em iates à vela.
E no porto faialense, a Marina que é a 4ª. do mundo e em cujo molhe as pinturas murais, no prosseguimento das iniciadas no molhe da Doca constituindo original exposição de arte, cada uma com sua história e todas ligadas a feliz viagem.
Na vida Social, três centenárias Sociedades na Horta: Amor da Pátria, Grémio Literário Artista Faialense e a Filarmónica: Artista Faialense que, durante anos, teve como regente o continental maestro Simaria, na Cidade radicado, e também Amorim Carvalho
Por sinal, quase todas das 13 freguesias tem a sua Filarmónica, merecendo registo especial a Unânime Praiense e a Flamenguense de que foram regentes Alberto Vargas e João Ramos, respctivamente.
Em outro plano, não menos importante, temos o Parque Natural do Faial, com o já famoso Jardim Botânico, do nada nascido, à beira da Quinta de São Lourenço, agora enriquecido com um Orquidário para receber valiosa colecção de sete mil plantas de oito centenas de espécies, a segunda maior da Europa, tendo sido linda oferta do casal finlandês Ranta por achar ser o melhor lugar nos Açores para a acolher.
E duas ilustres individualidades, devem ser mencionadas: o Cientista Frederico Machado, especializado em sismologia com renome mundial, e o Governador Freitas Pimentel distinto médico florentino e que foi um dos políticos que dedicou mais proveitosos anos ao Faial…
Por sinal, ambos ficaram ligados à erupção dos Capelinhos, arriscando mesmo seus créditos pessoais: o primeiro a indicar a urgência da evacuação da Praia do Norte nessa horrível noite de 12 para 13 de Maio de 1958, e o segundo a dar imediata e firme ordem nesse sentido, evitando mortes humanas.
E qual cereja em cima do bolo, a Assembleia Legislativa dos Açores, com sede na Horta, por escolha unânime dos responsáveis pela instituição de Regime Autonómico, dado o espírito democrático da gente faialense, quiçá desde o povoamento, e também a razão por que o povo passou a chamar-lhe Casa da Autonomia.
E por aqui fiquemos, embora muito mais houvesse a acrescentar ao já escrito, mas mais não direi, nanja por falta de espaço ou de tempo, antes por involuntário esquecimento e sobretudo por escassos conhecimentos.
Mesmo assim, julgo que o atrás dito será suficiente para que os Faialenses se sintam orgulhosos da sua e nossa Ilha Azul das hortênsias que cobrem matos e ladeiam estradas.
É, pois, com pesar que temos vindo a constatar as injustiças (tantas,) que o Faial Faialenses vem sendo alvo, com evidente prejuízo no seu necessário desenvolvimento.
Há uns setenta anos que Tomaz Duarte Jr., picoense vivendo na Cidade do Canal, pulicou no ido "Correio da Horta" um judicioso artigo intitulado: "Ouo Vadis Terra Mea".
Também preocupado e, parafraseando o título dado pelo saudoso amigo, repito o que dei a este escrito: Para onde te levam Faial…

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