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20
novembro

FALECEU O PADRE JÚLIO DA ROSA (1924-2015) Sacerdote, historiador e professor

Escrito por  José Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Júlio da Rosa nasceu na freguesia dos Flamengos, concelho da Horta, em 24 de maio de 1924. O seu falecimento ocorreu em 3 de Novembro de 2015, tendo sido o seu funerário no dia 5 do mesmo mês.
Depois de concluir o ensino primário, ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo onde se formou em Filosofia e Teologia, sendo ordenado sacerdote católico em 12 de junho de 1949. Sempre se distinguiu como um estudante essencialmente voltado para a cultura, pelo que já nesse tempo colaborava no jornal “A União”.
Regressando à ilha do Faial, inicia funções sacerdotais como vigário cooperador na freguesia das Angústias, cidade da Horta, onde tomou posse em 8 de dezembro desse ano. Na sequência do falecimento do respectivo vigário, Monsenhor António Medeiros, assume as funções de pároco da freguesia, cargo que manteve até à presente data.
Em 1957 entrou para o Liceu Nacional da Horta onde foi contratado como professor, ali tendo lecionado várias disciplinas até passar à situação de aposentado em 1977. Essa foi uma actividade que exerceu durante vários anos.
Para além do exercício do seu múnus sacerdotal, beneficiando dos seus conhecimentos e da sua sensibilidade pela história, tem desenvolvido grande actividade como investigador e como homem dedicado à cultura, com elevada quantidade de trabalhos editados e dispersos pela imprensa açoriana.
Assim foi sócio fundador das seguintes associações culturais: do Núcleo Cultural da Horta, fundado em 1955, onde desempenhou diversos cargos diretivos; do Instituto Açoriano de Cultura do Seminário Episcopal de Angra, criado em 1955; da associação intitulada Academia Mariana dos Açores, constituída em 1990, que, em 1992, passou a editar a revista “Estrela da Manhã” (cuja publicação está suspensa), na qual exerceu as funções de Diretor, para além de ter desempenhado as funções de Presidente da Direcção da respectiva associação; em data que não pudemos precisar, fundou a Associação Mater Dei, de que foi igualmente Diretor. Algumas destas associações, que têm a sua sede na freguesia das Angústias, graças à sua laboriosa acção, são possuidoras de importante património.
Recolheu e organizou na ilha do Faial uma parte importante do espólio do Museu de Arte Sacra da Horta, desde 1950, que chegou e estar aberto ao público, quer na igreja do Carmo, quer na igreja de S. Francisco; igual trabalho desenvolveu para o Museu Concelhio da Horta, onde foi Diretor até 1994 e fez importante recolha de objetos históricos.
Para além de ter conservado com esmero, gosto e saber histórico do património da sua paróquia das Angústias da Horta, designadamente após o sismo de 1998, onde a respectiva igreja ficou bastante danificada, tem conseguido aumentar esse património.
Obras suas publicadas na cidade da Horta, em: em 1950 - “A Assunção de Nossa Senhora na Tradição Açoriana”; em 1960 - “Infante D. Henrique e sua Devoção a Nossa Senhora”; em 1965 - “A Consciência de Comunidade na Vida e História do Povo Açoriano”; em 1976 - “O Culto Eucarístico na iniciação do povoamento das Ilhas do Atlântico e suas constantes no Arquipélago das Ilhas dos Açores”; em 1983 - “Em Louvor do V Centenário do Povoamento da Ilha do Faial, 1468-69 e 1968-69”; em 1984 - “Nossa Senhora das Angústias na ermida de Santa Cruz” “Paróquia na Ilha 1468, freguesia na Vila e cidade da Horta 1684-1984”; em 1949 - “Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao Faial – 1949”; em 1989 - “A Cidade da Horta - Cinquenta anos da sua vida cultural, religiosa e artística nas décadas de 40 e 80 I Tomo”; em 2005 - “Ribeira Funda povo sem História, com tradição, habitat, religião, arte e cultura”; em 2006 - “Senhora das Angústias - Our Lady of Sorrows - Senhora Povoadora - Our Lady the Settler - Padroeira da Ilha do Faial - Patroness of the Island of Faial” (tradução de versão inglesa de Anthony S. Nunes, East Providence, Rhode Island, USA); em 2006 - “Santíssimo Salvador”.
Para além de ter publicado diversos trabalhos seus em vários jornais e revistas, tem imensa colaboração de carácter histórico e religioso, editada na imprensa das Ilhas, do Continente Português, e das Comunidades Portuguesas dos EUA, do Canadá e do Brasil.

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