1. Hoje ninguém em Portugal terá dúvidas que nos esperam tempos politicamente conturbados e incertos. Por mais garantias e juras de fidelidade que o BE, o PCP e os Verdes deem agora ao Partido Socialista, qualquer um percebe que, na prática, passou a estar neles o fiel da balança da sobrevivência de um futuro governo liderado pelos socialistas. E isso será cobrado, agora e depois, caso a caso, com exigências compatíveis com a ideologia e o programa de cada um desses três partidos.
António Costa, por uma questão de sobrevivência político-partidária pessoal e do grupo que o rodeia, não permitiu que se criassem as condições para que quem ganhou as eleições tivesse a oportunidade de governar em minoria, como sempre aconteceu no passado democrático português. Ele e os seus apoiantes vivem na ilusão de que poderão gerir os equilíbrios à esquerda e, quando estes não forem possíveis, esperam garantir o apoio ou a viabilização das suas iniciativas à direita. O objetivo óbvio é manter este jogo ocupando o poder, até que as condições eleitorais lhes possam vir a ser favoráveis para provocar eleições antecipadas e vencê-las.
É evidente, também para qualquer um, que, nesta estratégia, o que menos interessa ao atual PS é Portugal e os Portugueses!
2. O primeiro e preocupante sinal sobre a natureza dos tempos que se avizinham já é bem visível na linguagem excessiva, crispada e mesmo ofensiva a que alguns políticos vão recorrendo, dando de si e da Política uma visão, no mínimo, triste, medíocre e indigna.
O deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro apelidou o Presidente da República de “gangster”. Gabriela Canavilhas, também deputada do PS, subscreveu um comentário em que o autor chama “múmia” a Cavaco Silva. Catarina Martins, do BE, por seu turno, classificou o Presidente da República como um “líder de seita”. Vasco Lourenço, em nome da Associação 25 de Abril, classificou Cavaco como “chefe de fação”.
Todos estes “democratas”, que se apresentam, em cada 25 de Abril, de cravo ao peito, e que enchem a boca com palavras como “democracia” e “liberdade”, ao tratarem como tratam Cavaco Silva, esquecem-se de alguns “pequenos detalhes” que fazem toda a diferença: é que ele, apesar da sua opinião, é o Presidente da República. E, sobretudo, esquecem-se que ele ocupa o lugar de Presidente em resultado do voto secreto, livre, direto e democrático de 52,95% dos eleitores, coisa que nenhum dos ditos sabe o que é ter!
3. Pior do que errar, é persistir no erro. Por cá, depois das muitas e razoáveis críticas feitas aos horários de inverno da SATA ao fim de semana para o Faial, veio, há dias, o Governo Regional reconhecer o erro e anunciar a reposição do número de ligações existente no ano anterior. Por isso, e porque estivemos na primeira linha na denúncia desta situação, não posso deixar, agora, de manifestar satisfação perante a decisão do Governo.
Mas (há sempre um mas…) não pode passar sem reparo que nos novos horários da SATA para a Horta, ao domingo, um cidadão que queira vir de Ponta Delgada para o Faial tem sempre que fazer transfer de voo, com paragem na Terceira de, no mínimo, uma hora e cinco minutos, sendo que, nos restantes, as paragens são superiores a duas horas! Em três voos de S. Miguel para o Faial ao domingo, não haver sequer um que faça seguido o percurso Ponta Delgada-Terceira-Horta é aceitável? É compreensível? É bom? Não! Não é!
E não me conformo com estas decisões penalizadoras e incompreensíveis, em que para o Faial é sempre uma dificuldade e um esforço para se conseguir algo que não só é legítimo, como é justo e lógico!
Por isso, é cada vez mais pertinente a pergunta: a quem serve esta SATA?
4. Por outro lado, aguardamos com natural expetativa pelos horários da SATA Internacional para o próximo Verão IATA. Aquilo que se passou este Verão não se pode repetir, em termos de ligações diretas a Lisboa. Desde a primeira hora, fomos dos que sempre defenderam que tudo o que fosse um menor número de ligações por comparação com as que tínhamos em 2014, seria mau para o Faial. Não nos quiseram ouvir. Até houve quem, com grave responsabilidade, em pleno processo reivindicativo, optou pelo discurso mole do “vamos estar expetantes”. O resultado foi o que se viu.
Por isso, é altura de vermos qual é efetivamente o verdadeiro comprometimento da SATA e do Governo no que a esta questão diz respeito e se irão ou não satisfazer o necessário aumento das ligações diretas com Lisboa no próximo Verão IATA para, pelo menos, os níveis das verificadas em 2014.
E, já agora, as mesmas questões se põem para a SATA Air Açores, em que se exige que esta garanta mais voos e mais lugares nas ligações ao Faial, como forma de nesta ilha se poder retirar mais proveito do novo modelo de transportes, nomeadamente dos reencaminhamentos gratuitos. Impõe-se, ainda, nos horários inter-ilhas do próximo Verão IATA uma maior articulação nos mesmos para permitir que quem queira sair para o exterior dos Açores, via Ponta Delgada, o posso fazer ou regressar sem a necessidade de pernoitar sempre em São Miguel.
Veremos que novidades nos trazem os próximos tempos.
E veremos também o que sobre esta matéria as instituições representativas do Faial terão para dizer e disponibilidade para fazer.
23.11.2015