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04
dezembro

Parto difícil!

Escrito por  Maria Antonieta Avellar Nogueira
Publicado em Maria Antonieta Avellar Nogueira
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Foi um parto complicado. Uma gestação não menos complicada com a agravante de se ter arrastado por mais de cinquenta dias. Não reza a história. Mas esta história vai fazer história com reza ou sem reza. Mas dá para entender. É uma ninhada grande, raças diferentes, um bico d’obra! Dá para calcular o sofrimento do progenitor até agora, para não falar daquilo que se seguirá. Vai ser difícil para caramba. Ainda haverá arrependimentos por não haver recorrido à barriga de aluguer ou algo similar.
Escrevendo isto vou pensando e não sei porquê, naqueles animais que tem imensos filhotes duma só vez, os quais disputam a teta que lhes dá mais jeito, brigando, infernizando o progenitor e saindo sempre vencedores, porque ele, o progenitor nunca tem coragem de escorraçar uma cria. E porquê? Porque apesar dos pesares o ultimo a miar, ladrar, zurrar, relinchar é sempre o que vence. É o que chama o grito do Ipiranga do filhote. E quem não gosta que se dane.
E crescem sempre mandões. Tem biras, desavenças, lutas, arranham-se, esfolam-se, mas na hora da verdade os pais tem que aceitar e dizer amén ao filhote que manda no poleiro, porque sabem que afinal aquela turma que um dia deram à luz agora é soberana e quando abre a goela, a família não pode esgolear-se.
Gerir uma catrefada de crias é ruim. Como naquele ditado – se um elefante incomoda muita gente, muitos elefantes incomodam muito mais.
No zoológico quase todos os animais são apadrinhados. Não sei bem qual o papel dos padrinhos do zoo. Certamente terão deveres para com os afilhados. Contribuirão para a alimentação dos afilhados e aturarão as caturrices deles. Penso que ser padrinho neste caso deve ser uma carga de trabalhos. E depois aparecerá o remorso. Olhando, por exemplo o afilhado hipopótamos, deve sofrer horrores vendo ao lado outro, género avestruz, linda de morrer! Mas há que conformar! Tem o que lhe saiu na rifa! E, pior, não há trocas. Há que carregar o trambolho o resto da vida!
Comecei num assunto que desviei não sei como. Mas, mais uma vez falando de partos, nem quero imaginar o sofrimento dum parto de dois ou mais gémeos. Parto com dor! E à moda antiga, parto público. Meu Deus, que nos leves a vida de supetão, dum golpe só, porque não é fácil conviver com o absurdo destes tempos que conseguem transformar essa vida em espetáculos patéticos. Descobriram que a fama rende, mas o pior é que ela se esgota em si própria.
E ponto final! Assunto encerrado! Mas que parto com dor, parto!

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