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08
janeiro

O Faial está melhor

Escrito por  Laurénio Tavares
Publicado em Laurénio Tavares
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Em Outubro de 2014, o Presidente da Câmara Municipal convidou os jornalistas para um almoço onde fez o balanço do seu primeiro ano do mandato e mostrou-se satisfeito com o trabalho desenvolvido, tendo afirmado que “hoje o Faial está melhor do que há um ano atrás”.
Decorrido mais de um ano desta afirmação pública, não sabemos se o Presidente da Câmara continua a pensar de igual maneira. Mas da leitura que fizemos do Relatório de Gestão de 2014, apresentado em Abril de 2015, não vislumbramos da execução apresentada grandes ganhos para o desenvolvimento do Faial relativamente aos anos anteriores, sem esquecer que o atual presidente da Câmara foi vice-presidente no anterior mandato.
Das Grandes Opções do Plano e Atividades Mais Relevantes para 2015, e por aquilo que nos foi dado observar, também não vimos grandes diferenças relativamente ao enunciado em Planos anteriores mas da sua real execução só poderemos aferir com mais propriedade em Abril do corrente ano.
No último dia do mês de novembro passado, foram apresentadas, apreciadas e votadas na Assembleia Municipal as Grandes Opções do Plano de Atividades do Município para 2016. Da leitura deste documento podemos constatar que os objetivos considerados estruturantes, com maior destaque, ou mais emblemáticos para a maioria socialista na Câmara se repetem quase todos de Planos anteriores. Disso são exemplos o projeto de remodelação do Mercado Municipal (que decorre com regularidade em Planos desde 2009), o Saneamento Básico (que agora começou timidamente e sem planeamento de execução futura que se conheça, e que se arrasta em sucessivos Planos desde os anos 90), a Reabilitação de Estradas e Abastecimento de Água (que desde muitos anos atrás foi adjudicada em blocos e cuja execução sempre foi realizada com largos atrasos, e que agora se apresenta mais difícil pelas restrições de financiamento comunitário decorrente do novo Programa Operacional 2014-2020). A Requalificação da Frente Mar e o Estacionamento na Cidade também já não são novidades nos documentos camarários.
Estando a meio deste mandato autárquico e no início de um novo Programa Operacional (geralmente dito de quadro comunitário) era legítimo ter algumas expetativas sobre as Grandes Opções do Plano e Atividades Mais Relevantes do Município para 2016. Assim não acontece porque a necessidade de iniciar, prosseguir ou concluir projetos que decorrem de Planos anteriores não permite apresentar novos projetos estruturantes para o progresso do Faial.
As maiorias socialistas na Câmara, ao longo dos últimos 26 anos, nunca tiveram um projeto claro e assumido de desenvolvimento estratégico para o Concelho, nunca se souberam assumir como o verdadeiro governo da ilha, motor do seu desenvolvimento, e gerem a sua gestão em função do calendário eleitoral, com efetivo e comprovado prejuízo para o Faial.
No ano que terminou, o Faial sofreu sobremaneira com várias decisões “estratégicas” que penalizaram fortemente esta ilha. Foi o abandono da TAP da sua ligação regular ao Faial. Foram as consequências do início do novo modelo de transporte aéreo inter-ilhas (que tem dificultado as acessibilidades para esta ilha). Foi a redução de voos da SATA na ligação Lisboa-Horta (com nítidos prejuízos para os residentes e turistas). Foi a tentativa da redução das ligações inter-ilhas ao fim de semana para esta ilha (reposta devido à contestação e pressão de várias entidades, forças vivas locais e da população faialense). Foi o anúncio do cancelamento da 2ª Fase da Variante (penalizando as acessibilidades à cidade e o descongestionamento do movimento rodoviário).
Os sucessivos Planos Regionais apresentam várias intenções de investimento para o Faial cuja execução foi por regra faseada, atrasada, adiada ou que ficam por realizar.
Enfim, um rol de más políticas municipais e regionais que sistematicamente nos prejudicam, condicionaram o desenvolvimento sustentado do Faial, e não contribuiram para a afirmação ou valorização desta ilha no contexto regional.
Em conclusão, infelizmente não vemos razão para dizer que o Faial está melhor (como também já não estava em 2014).

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