Nasceu na freguesia da Fazenda, concelho de Lajes das Flores, a 9 de Junho de 1920, filha de António Moreira Serafim Jr. e de Maria Dias Trigueiro, ele agricultor, proprietário e moleiro de dois moinhos na Ribeira Funda e ela doméstica. Era irmã de Maria do Céu Trigueiro Serafim, que foi casada com Jerónimo Trigueiro e que viria a falecer muito nova na Fazenda, de José Trigueiro Serafim, que viria a falecer na Graciosa, de Fernando Trigueiro Serafim, falecido na vida militar, de António Trigueiro Serafim e de Jacob Trigueiro Serafim, estes dois emigrados para o Canadá onde viriam a falecer há poucos anos. O avô paterno, que também se chamava António Moreira Serafim e que seria natural de S. Miguel, terá sido um dos mestres ou cabouqueiros da construção da igreja da Fazenda.
Emília Serafim foi aprovada, com distinção, no exame da 4.ª Classe, da Instrução Primária, que fez na escola da sua freguesia natal, com provas realizadas na vila das Lajes.
Como o seu desejo, manifestado nas suas brincadeiras de criança, fora sempre o de ser costureira, com não dispunha de dinheiro que lhe permitisse ir fora da ilha aprender a arte, limitou-se a ter alguma aprendizagem nessa área com “Tia Laranjeira”, segunda mulher de tio Brígida.
Antes de começar a ter uma clientela própria, começou a fazer a roupa da família, designadamente as calças dos irmãos e os vestidos das sobrinhas, trabalho esse que foi progressivamente alargando para outras clientelas. E isto sobretudo porque a irmã Maria do Céu, por ocasião da sua doença, ao aperceber-se da sua morte, que viria a ocorrer em 21 de Setembro de 1944, pedira-lhe que cuidasse dos filhos. Assim, as filhas desta, Maria Inês e Maria Jesus, e o filho Daniel, que eram crianças, foram viver com ela, onde seriam tratados como filhos, conforme fora desejo da mãe. Viriam a regressar à habitação do pai só quando já tinham capacidade para cuidar da casa.
Alguns anos depois de assumir aquela responsabilidade, decidiu concretizar o seu maior desejo de se especializar como costureira. Como o pai falecera no ano anterior e tendo já mais disponibilidade, em 1948 desloca-se à cidade de Angra do Heroísmo, onde frequentou um curso de “Corte de Costura de Senhora”. Esse ensino, que era ministrado pela costureira D. Elvira, que tinha atelier na Rua da Palha, teve a duração de cerca de quatro meses, mas foi interrompido pela morte aí do irmão Fernando, ocorrida em 22 de Abril no Hospital militar da Terra Chã.
Quando regressou às Flores, toda vestida de preto pela morte do irmão, levava consigo a tristeza que todos os que a saudavam manifestavam chorando a perda do jovem Fernando, facto este que muito impressionou o sobrinho Daniel, que então tinha apenas cerca de quatro anos e meio de idade.
Algum tempo depois, já com os sobrinhos essencialmente a viver com o pai, resolveu voltar à ilha Terceira, onde na Praia da Vitória, com o alfaiate José Vital de Câmara, fez novo curso, desta vez de “Corte de Costura para Homem”.
Era na sua própria casa que tinha o seu atelier de costura, onde produzia essencialmente roupa de senhora, procurando sempre manter-se actualizada com as vestes que se encontravam na moda. Daí ter sido muito solicitada pelas senhoras da alta sociedade, sobretudo, da vila das Lajes e da Fazenda.
No seu atelier aprenderam diversas raparigas, para além das sobrinhas acima mencionadas, e a casa enchia-se de gente, quer de ajudantes que ali iam aprender, quer de clientes, onde se salientavam, pela quantidade, as esposas do pessoal da Rádio Naval.
Como tinha bom gosto, distinguiu-se sobretudo como modista, uma vez que privilegiava a fabricação de roupas de senhora, procurando manter-se sempre actualizada para esse efeito.
Com dois irmãos emigrados para o Canadá e com o facto de ter criado outra sobrinha, a Maria do Céu, já com 10 anos de idade, filha do irmão António, que lá era aguardada pelos pais, decidiu emigrar com ela levando consigo a mãe que, apesar da sua elevada idade, ainda se dispôs a fazer essa viagem. Essa saída fez-se nos primeiros meses de 1968 para London, província de Ontário, onde de início permaneceram todos em casa do António.
Foi então trabalhar para um restaurante e mais tarde para uma fábrica, continuando a fazer costura nas horas vagas, designadamente para familiares e amigas, sem deixar de se ocupar de outras tarefas mais agradáveis. Assim, para além de viajar, visitando lugares de interesse turístico e amigos, ultimamente dedicara-se à fotografia de grupo, possuindo já 42 álbuns.
Aí, depois do falecimento da mãe, passou a viver em casa própria e, em 1984, aposentou-se.
Para além de já ter visitado por várias vezes os EUA, nomeadamente a Califórnia, e de ter viajado em cruzeiros marítimos, veio às Flores em 1984 e em 1995 onde pôde matar as saudades de tantos anos de ausência da terra que a viu nascer.
Inteligente e dotada de uma privilegiada memória, possui uma excelente cultura para a instrução que teve, graças ao bom aproveitamento que sempre fez do convívio com pessoas evoluídas, das suas viagens, bem como do seu gosto pela leitura e pelas actualidades noticiosas que sempre procurou manter.
O seu falecimento ocorreu em 15 de Janeiro de 2008, nos EUA, onde se encontrava internada num lar de idosos em London. Era a última dos irmãos que com ela compuseram importante família residente próxima do lugar das Eiras, na freguesia da Fazenda. O seu falecimento foi muito sentido na sua terra natal e nos seus conterrâneos emigrados, já que era muito prestável e muito conhecida nos meios onde viveu.
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BIBL: Elementos curriculares fornecidos pelo sobrinho Daniel Serafim Trigueiro, arquivados nos meus documentos em 4-2-2006; “Tribuna das Ilhas”, de 8-2-2008 e jornal “O Monchique”, de 30-2-2008; Trigueiro, José Arlindo Amas, “Fazenda das Flores, Um século de Sucesso”, (2008), pp. 314, ed. da Câmara Municipal das Flores.