Quando eu era criança havia um poema de António Mourão que andava de boca em boca divulgado pela voz de Tony de Matos cujo refrão nos fazia repetir “Oh tempo volta pra trás”. E o poema/a letra prosseguia em cadência “Dá-me tudo o que eu perdi”.
Pois este deveria passar a ser o nosso hino, aparentemente do país mas, porque muitos portugueses não leem esta mesma cartilha – refiro-me aos que ganharam as últimas eleições legislativas – talvez seja melhor que o hino fique apenas para a nossa nova frente de esquerda nacional que, de tão progressista ser, só quer voltar para trás…! Pois, pois – dizem-me – os extremos tocam-se… Então ser muito progressista pode equivaler a andar para trás! Pode ser… Mas quanto a mim trata-se apenas de um abissal vazio de ideias sobre como cumprir as obrigações de um Estado membro da União Europeia e de governar “à Sócrates” na distribuição do dinheiro que não se tem. Será a “quadratura do círculo”…? Por isso resta apenas “oh tempo volta pra trás” e revogar, repristinar, recuar, regressar, retroceder, repor, recuperar, regredir, reavaliar e outros “r” de igual sentido.
Revogar as subconcessões dos transportes colectivos e a privatização da TAP, repristinar a isenção das taxas moderadoras para o aborto, recuar na imposição de exames, regressar às provas de aferição, retroceder para as 35 horas de trabalho e no valor do IVA, repor os salários públicos, os mínimos sociais e parte da sobretaxa, recuperar os feriados, reavaliar o financiamento aos colégios. Ah, é verdade, ainda falta um “r”, mais recente, curioso, o de “revisitar” para o mapa judiciário. Quanto custam os “r”? Como se pagarão? Quem os pagará?
Há que reconhecer que, como programa de governo de um país…, é pouco! Nada se constrói, tudo se destrói. Mais uma vez, como programa de governo de um país é muito pouco, mesmo nada.
Mas tem o mérito de fazer o que até hoje ninguém tinha conseguido: dar realidade ao poema/à canção “oh tempo volta pra trás”. O problema é que não sabemos quando vai parar este retornar ao passado – cá está mais um “r” – e se não for travado rapidamente, se o tempo continuar a voltar pra trás, vai até a Maio de 2011 quando o Partido Socialista, pela 3ª vez na história da nossa democracia, chamou a ajuda externa para Portugal, a troika.
E depois…? Regressaremos a andar prá frente…?
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