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23
junho

Sobre a estupidez

Escrito por  Tiago Silva
Publicado em Tiago Silva
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Há pouco mais de três anos cruzei-me com um artigo do Padre Anselmo Borges, no Diário de Notícias, intitulado “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”. O títu-lo do artigo reproduzia o “de um livrinho famoso, publicado há muitos anos, mas sempre actual”, da autoria do historiador italiano Carlo M. Cipolla. O livro tinha circulado em inglês a partir de uma edição “para os amigos” em 1976, depois traduzida e publicada em português e outras onze línguas; acabei por lê-lo no original italiano algum tempo depois.
É importante fazer aqui uma pequena nota para enquadrar o leitor. Carlo M. Ci-polla (1922-2000) foi um historiador italiano, conhecido no contexto internacional pelo seu trabalho na área da História Económica (com destaque para a sua História Económi-ca da Europa Pré-Industrial) e em Itália sobretudo devido à sua intervenção pública e livros de divulgação. Entre estes últimos registamos, existentes em Português, o que sus-citou este texto e Três histórias extra vagantes (Lisboa, Texto & Grafia, 2009).
Voltando à estupidez humana, trata-se de um ensaio no qual o autor define qua-tro campos distintos entre os quais os seres humanos podem ser distribuídos segundo as suas características. Deste modo, há indivíduos inteligentes, imbecis, bandidos e estúpi-dos. Não entrarei em pormenores quanto à definição de cada um, pois tanto o livro como o resumo detalhado de Anselmo Borges o explicam e seguem referidos abaixo (o artigo está disponível em linha e vale a pena).
Para o que nos interessa, para não repetir mais do mesmo e até porque não con-cordo necessariamente com todas as afirmações do autor, basta-me registar que o “estú-pido” é aquele que age de tal modo que se prejudica a si e aos outros. Não lhe chamaria estúpido, chamo-lhes normalmente medíocres, mas em qualquer caso concordo com Ci-polla quando afirma que são um perigo constante para a sociedade.
“A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.” Com esta afir-mação podemos quase resumir toda a lógica das “leis fundamentais”. Porque os estúpi-dos, chamemos-lhes medíocres, estão por todo o lado, muitos deles ocupam cargos ele-vados, têm poder e não têm noção da sua mediocridade e das asneiras que fazem.
Mas quem está de fora também tem responsabilidade, por falta de cuidado ou de atenção. “As pessoas não estúpidas subvalorizam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em especial os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento e lugar, e em qualquer circunstância, considerar e/ou associar-se com indiví-duos estúpidos revela-se infalivelmente como um erro bastante caro.” De facto, os me-díocres chegam onde chegam onde chegam mais graças à inércia de quem está à volta do que pelas suas próprias qualidades (ou não fossem eles medíocres...).
Por fim, sem qualquer pretensão de acrescentar algo ao que foi teorizado por Ci-polla, mas permitindo-me discordar dele, retomo a afirmação de que o estúpido é o tipo de pessoa mais perigosa. Além da mediocridade inerente ao estúpido, sem consciência de si, considero mais perigoso ainda aquele que, tendo consciência das suas limitações, continua a exercer os mesmos poderes, de forma necessariamente medíocre, benefician-do no que lhe convém ou a quem lhe convém e mesmo prejudicando outros se necessá-rio. Creio que este seja o tipo de pessoa mais perigosa que por aí circula, mas estamos de acordo quanto à designação que lhe é dada por este autor: bandido.

Leia-se: Anselmo Borges, “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”, in Diário de Notícias, 20.04.2013 [disponível em < http://goo.gl/B3HRfy>]
Carlo M. Cipolla, As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Lisboa, Padrões Culturais, 2013.
Nota: citações feitas em tradução livre nossa a partir da edição italiana.

Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o "Acordo Ortográfico" de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de com-provadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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