1. …a vitória de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol. Um feito conseguido em ambiente hostil e com contornos dramáticos, bem à maneira do gosto português!
O drama iniciou-se logo na fase de qualificação, que começámos a perder (com a Albânia, lembram-se?). Despedimos o treinador, Paulo Bento. Contratámos Fernando Santos, que trazia um castigo pendente de oito jogos. Iniciámos a fase final do Campeonato da Europa com três empates desanimadores. Chegámos à final ganhando apenas um jogo nos 90 minutos. Nunca praticámos um futebol de encher o olho. Na partida da final perdemos Cristiano Ronaldo, o nosso melhor jogador, aos 25 minutos da primeira parte. Também por causa disso, fizemos um jogo ainda mais sofrido e hesitante. Aos 79 minutos, Renato Sanches foi substituído pelo jogador mais criticado e satirizado da nossa seleção, Éder. Aos 93 minutos o francês Gignac atirou a bola ao poste. E aos 109 minutos, o improvável “patinho feio” Éder, superou-se e marcou um golo que nos deu o título e fez descer o pano sobre a nossa participação gloriosa neste Europeu.
Foi, pois, uma vitória dramática, muito sofrida! Mas, também por isso, foi muito gratificante ver uns humildes rapazes lusos vencerem este Campeonato da Europa usando as armas que possuíam e contornando com sabedoria e pragmatismo as suas limitações e insuficiências.
É certo que quando se ganha somos sempre os melhores, mas esta equipa foi plenamente merecedora deste título inédito e prestigiante.
A liderá-la esteve Fernando Santos. O nosso selecionador, homem de uma humildade verdadeira e tocante, soube congregar à sua volta os jogadores, unindo-os.
O homem de fé, mas também o homem de confiança inabalável que é Fernando Santos, revelou-se com uma tocante simplicidade na carta que escreveu a 18 de junho passado, quando Portugal já tinha empatado dois jogos e ainda não estava apurado. Não resisto em transcrevê-la pois ela é verdadeiramente eloquente sobre o nosso treinador: “Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida. Deixar uma palavra especial ao presidente, dr. Fernando Gomes, pela confiança que sempre depositou em mim. Não esqueço que comecei com um castigo de oito jogos pendentes.
A toda a direção e a todos os que viveram comigo estes meses. Aos jogadores, dizer mais uma vez que tenho um enorme orgulho em ter sido o seu treinador. A estes e aqueles que aqui não puderam estar presentes. Também é deles esta vitória. O meu desejo pessoal é ir para casa. Poder dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, à minha mulher, aos meus filhos, ao meu neto, ao meu genro e à minha nora e ao meu pai, que junto de Deus está certamente a celebrar.
A todos os amigos, muitos deles meus irmãos, um abraço muito apertado pelo apoio, mas principalmente pela amizade. Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do Seu nome".
O Povo Português é bem merecedor da alegria que este homem e esta equipa acabam de lhe proporcionar. Muitos dos testemunhos que os órgãos de comunicação social recolheram no dia de ontem, principalmente junto de emigrantes portugueses em França, eram bem reveladores do orgulho pátrio, do verdadeiro e profundo portuguesismo que nos construiu como nação independente e que permitiu que um pequeno e periférico País como Portugal tivesse desempenhado um papel notável na História do Mundo.
Este ano sentimo-nos mais orgulhosamente portugueses a 10 de julho do que em 10 de junho!...
2. …ter de se intervir no acompanhamento aos passageiros dos aeroportos do Pico e da Horta nos casos de divergência de voos!
O problema não é de agora, mas as condições atmosféricas desfavoráveis que se têm verificado, aumentaram em muito a divergência de voos entre estes dois aeroportos e, por via disso, amplificou e agravou um problema para o qual nunca se quis encontrar até agora uma verdadeira e digna solução.
Já aqui registei e elogiei a preocupação da SATA em proteger os seus passageiros promovendo a regra da divergência de voos entre estes dois aeroportos vizinhos, o que tem permitido reduzir significativamente os transtornos causados aos passageiros.
Mas este processo tem de ser melhorado. Não é compreensível a falta de acompanhamento dos passageiros nos percursos de um para outro aeroporto. Não é compreensível nem aceitável que sejam os passageiros a ter de andar com as malas que despacharam para um voo que divergiu para outro aeroporto.
Se para os residentes, o processo é muitas vezes confuso, imaginemos então com que imagem devem ficar os turistas que nos visitam!
Porque não há um funcionário da SATA para acompanhar, até no autocarro, os passageiros entre os aeroportos e as gares marítimas da Horta e Madalena e destas para os aeroportos e coordene a operação e os contactos e procedimentos com a Transmaçor?
Porque é que as malas já despachadas como carga de porão não são transportadas à responsabilidade direta da SATA e da Transmaçor sem que seja necessário andarem os passageiros a ter de recolhê-las novamente, colocá-las no autocarro, de lá retirá-las, despachá-las no barco, recolhê-las e despachá-las novamente no outro aeroporto?
Há dias um passageiro, narrou-me cenas verdadeiramente terceiro-mundistas sobre este processo e que envolveram turistas estrangeiros!
Estou em crer que ainda não se alterou nada nem se melhorou nada neste domínio porque os governantes que temos nos Açores habitualmente não passam por situações destas! E também porque isto não se passa noutros aeroportos dos Açores!
Porque se isso acontecesse…