O Calcanhar de Aquiles
Em complemento da referência ao Campeonato da Europa, feita pela oportunidade de algo escrever sobre a sensacional vitória em Paris da E-quipa las Quinas, com mais tempo vimos acrescentar o que mais nos sensibilizou.
E começamos pela conquista do primeiro troféu a nível mundial, que até vinha sendo o "calcanhar de Aquiles" do Futebol português, muito especialmente a partir do desaire em 2004 cujas derrotas com a Grécia tomaram-se em autêntico feitiço.

Internacionais açorianos
Já falámos do terceirense Eliseu que foi o quarto açoriano a envergar a camisola das Quinas que nem sabemos por que cargas d’água as mudaram para o emblema federativo!
Todavia, sendo o último, teve o privilégio de participar no Onze que venceu a primeira competição mundial, e de receber Comenda de Mérito das mãos do Presidente de Portugal.
Julgo até ser o futebolista com mais internacionalizações a seguir ao famoso micaelense Pauleta que deixou um vazio no centro atacante luso.
Por sinal, foram faialenses os dois primeiros açorianos a serem internacionais.
Tudo começou com o lendário Joaquim Semilhas do Atlético que, nos Campos relvados da Doca, deliciou os patrícios com estonteantes dribles e remates certeiros, qualidades, aliás, com que viria a deslumbrar os adeptos do Benfica nos anos quarenta do século passado.
E tamanho era seu empenho na disputa do esférico que passou a ser conhecido por "gasogénio", na altura combustível muito usado devido ao racionamento da gasolina.
Passando ao segundo, Mário Lino do Fayal Sport que cedo ascendeu aos Seniores, confirmando qualidades evidenciadas nos Juvenis. De tal maneira até se houve que logo foi transferido para o Lusitânia por 15 (quinze) contos, verba assaz falada no meio desportivo açoriano.
E não levou anos para seguir para Lisboa, fazendo no Sporting de Portugal grande carreira: Internacio-nal, treinador e dirigente.
O Capitão Ronaldo
Falar de futebol e não falar de Cristiano Ronaldo seria crime de lesa-majestade.
E gostando de bom futebol, não posso deixar de salientar o Internacional e Capitão da Equipa das Quinas, com recordes sem conto (sic), dispensando elogios baratos, tão do gosto de muitos, incluindo a comunicação Social.
É de facto um fora de serie como se diz, mas ser o melhor do mundo é outra música, mesmo na actualidade.
E como Capitão não quer dizer que seja sempre o melhor em todos os jogos, enquanto a sua presença é sempre útil pelo moral que transmite aos demais colegas, como sucedeu em Paris e cuja substituição a meio do jogo, por deficiência física, terá sido um aviso à navegação, já que a Equipa, sem ser Ronaldo mais dez, venceu.
Não deixa porém, de ser de maior justiça salientar o facto de o Capitão ter estado entre os quatro escolhidos para o Onze do Campeonato, e os dois golos magníficos: um de calcanhar e outro com golpe de cabeça nas alturas.
O primeiro recorde de Sanches
O nóvel futebolista Renato Sanches passou a ser jogador destacado, mormente pelos benfiquistas, desde que Rui Vitória o lançou nos grandes, adento da vontade do Presidente Vieira em dar bola aos formando do Seixal.
E o novo técnico, já então considerado, não se terá arrependido pois a Equipa nem parecia a mesma com Sanches a levar o esférico da defesa para o ataque em jogadas diabólicas.
Esteve mesmo na base da visível reacção dos encarnados a meio da época, com vista ao desejado "TRI", tendo até sua estreia culminado com potente remate de longe, da esquerda ao canto contrário da baliza.
Ao mesmo tempo sua actuação na Taça dos Campeões causou logo a atenção dos principais Emblemas, entre eles Bayern de Munique que o contratou por avultada verba.
Natural pois a esperança nascida nos benfiquistas de o ver na Selecção Nacional o que aconteceu, mesmo, em difícil altura.
Todavia quando nas Eliminatórias a coisa não estava de feição, Fernando Santos arriscou em Sanches que não desiludiu, antes, como no Benfica, deu nova vida aquele meio campo das Quinas.
E conquistou jus a ser nomeado por duas vezes como o "Homem do Jogo" ao mesmo temo que foi considerado o melhor jogador jovem dos Campeonatos, recorde que há muitos anos estava na posse de Ronaldo.
Fernando Santos, o vencedor
É certo que a FIFA esteja mais voltada para o jogo jogado nas quatro linhas.
Mas nem por isso seja menos verdade que o Seleccionador Fernando Santos tenha sido o “Homem do Campeonato” para os milhões que seguiram a competição, quer nos Estádios quer pela Televisão.
Tudo terá começado em Paris quando, após derrota em desafio particular com a França, afirma que havia de voltar para ganhar!
E voltou, e ganhou, tamanha a fé que Deus quere e com obras, naturalmente visando Homens, como Fer-nando Santos, mas o Seleccionador Nacional nunca a misturou com futebóis
Não terá, porém, começado com o pé direito, antes com três inesperados empates, o primeiro contra a Islândia (!) que não fizeram perder a esperança, comprando até bilhete para regresso a 10 de Julho.
E as Eliminatórias, tanto em prolongamento ou em penaltis foram ultrapassadas.
Mas foi na Final frente aos convencidos franceses que Fernando Santos confirmou ser um Técnico digno do nome quer como reagiu à perda do Capitão (o desafio ainda não ia a meio), quer a lançar o ponta de lança Éder a pouco minutos dos 90, jogador que no prolongamentos daria a vitória.
Éder e o golo do Ouro
Foi, de facto, um Golo que de valeu Ouro, nanja da FIFA, mas da Câmara Municipal de Coimbra.
Aliás, uma justa e linda homenagem da Cidade dos Doutores, onde Eder cresceu para o Futebol e até jogou na Académica,
E injustamente alcunhado de “patinho feio”, tornou-se em Paris Cisne negro para os franceses, enchendo de alegria milhões de portugueses de Portugal, das Comuni-dades lusas e particularmente os emigrados em França que, dia a dia, apoiaram a Equipa das Quinas.