Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • Tiago Silva
  • Nem tudo na Memória é água: sobre um livro de Ana Paula Martins Goulart
30
setembro

Nem tudo na Memória é água: sobre um livro de Ana Paula Martins Goulart

Escrito por  Tiago Silva
Publicado em Tiago Silva
  • Imprimir
  • E-mail

Foi apresentado há pouco mais de um mês o livro Nem Tudo no Mar é Água, da autoria da faialense Ana Paula Martins Goulart. Foi para mim uma agradável surpresa, não obs-tante outras a que a Companhia das Ilhas nos tem já habituado.
O texto utilizado na divulgação do livro, em meu entender (perdoem-me editor e autora), não faz jus ao seu conteúdo. Eis um excerto: “a autora conta estórias da sua me-ninice, passada na ilha do Faial, onde nasceu, em 1958, e do Pico, espaço-tempo de fé-rias. O seu olhar, que é tanto ingénuo quanto mordaz, mostra ao leitor de hoje um mun-do rico e multifacetado onde o mar, o oceano Atlântico, tem uma presença muito forte, a memória recente dos vulcões (o sismo dos Capelinhos no Faial é de 1957), a vida famili-ar, as dificuldades do isolamento insular e do contexto nacional (o salazarismo).” Posto nestes termos, transmite a ideia de ser uma daquelas compilações de memórias muito pessoais e contextualizadas, muito interessantes ao círculo restrito das pessoas que se poderão identificar com elas. Muitos livros deste género têm sido escritos, apresentados assim para parecerem mais apelativos. Outros têm interesse devido ao seu carácter antropológico ou histórico: num caso ou noutro são as descrições das vivências, os acontecimentos ou as personagens retratadas a definir a utilidade da obra. Outros ainda a sua qualidade literária. Este livro consegue ser mais que tudo isso, nem que seja por o todo ser sempre mais que a soma das partes.
Quanto às questões estritamente literárias não me pronuncio directamente (apesar de as ter apreciado bastante), até porque já houve quem escrevesse sobre o assunto, me-lhor do que eu (veja-se o artigo de Santos Narciso, referido abaixo).
Fascinaram-me (sobretudo) duas coisas neste livro. A primeira é a perspectiva em que a narração é feita, pelos olhos de uma criança. É isso que o torna tão literário (e tão carinhoso): não se trata de um mero relato de memórias escritas a posteriori, mas um verdadeiro regresso às origens, à tal meninice referida na divulgação, ao ver o mundo pelos olhos de uma criança; não só o arrolar vazio dos acontecimentos, mas a transmissão dos sentimentos experimentados por quem os viveu. Há uns dias visitei o Folio (Festival Literário Internacional de Óbidos) e numa exposição deparei com uma frase escrita ao longo de um corrimão que questionava algo do género “Quanto tempo teremos de viver até atingir a felicidade que tínhamos na infância?”. Pois li isto e lembrei-me deste livro, que talvez ajude a encontrar uma resposta a essa pergunta.
A outra coisa é a sua capacidade de registar e enquadrar as palavras e expressões da nossa cultura local (já para não falar em alcunhas, objectos, técnicas...). Demorei a ler, pois parágrafos a parágrafos encontrava mais uma dessas palavras que já nem me lem-brava que existiam, que já não ouvia há muito e, estando fora, nem lhes dei muito pela falta até ao livro me chegar às mãos. Cheguei ao fim com uma lista com dezenas de ter-mos, entre coisas muito locais a arcaísmos que a Língua foi perdendo e ainda sobrevive-ram mais um pouco nas ilhas. Aproveito para anotar também a existência de um glossário (que a meu ver devia continuar a crescer) no final do livro e a discussão que surgiu a este respeito na apresentação da obra, que revelou não só a sua profundidade como as preo-cupações de quem a escreveu, relativas à manutenção da nossa Cultura e Património.
Um bom livro é isto: pleno, recheado e que não se esgota no que contém, antes dá azo a expandir-se para fora de si. No caso concreto, fica a inconfidência (pública), está já pensada a sua continuação. Ficamos à espera.
Leia-se:
Ana Paula Martins Goulart, Nem Tudo no Mar é Água, Lajes do Pico, Companhia das Ilhas, 2016.
Santos Narciso, Atlântico Expresso, 27 de Junho de 2016 (disponível em < http://companhiadasilhas.pt/wp-content/uploads/2016/08/press-kit-NemTudoNoMar.pdf>)
Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o "Acordo Ortográfico" de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de com-provadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

Lido 673 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Etiquetas
  • opinião
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião