A um mês das Eleições Regionais, a RTP-A promoveu debates nas nove ilhas, entre os candidatos que encabeçam as respectivas Listas partidárias.
Uma boa iniciativa, quiçá, tardia que veio dar um safanão na visível apatia do eleitorado.
Vamo-nos circunscrever às três ilhas em que estiveram sedeadas as idas Capitais de Distrito, e cujos debates conseguimos acompanhar do principio ao fim.
No da Terceira, o conhecido líder centrista não nos dava qualquer preocupação, já que domina inteiramente os problemas com que os terceirenses se vêm debatendo, começando pela Base das Lajes e o Porto Oceânico que até serão uma bandeira para Artur Lima que não deixa passar em claro, como não deixa de lembrar muitas aspirações não só dos patrícios e que teve a satisfação de ver aprovadas no Parlamento, consequência duma política responsável.
O mesmo não sucedia nos outros dois, uma vez que tanto o faialense Rui Martins como Ana Afonso de São Miguel, além de interessados militantes assaz recentes, eram estreantes nestas andanças partidárias, e tendo em conta o número de intervenientes: meia dúzia no Teatro Faialense da Horta e o dobro na Aula Magna em Ponta Delgada, facto com natural influência no decorrer da contenda democrática.
Rui Martins, embora algo moderado, avançou com uma mão cheia de promessas não cumpridas pelos socialistas, entre elas o aumento da pista, criando dificuldades a Ana Luís que não teve pejo em descer da Cadeira presidencial para se juntar aos demais candidatos.
Aliás, o Aeroporto e a SATA foram o assunto mais escolhido pela Oposição.
Por sua vez, Ana Afonso mostrou-se deveras conhecedora da realidade da sua Ilha, naturalmente o Turismo que atravessa período áureo, causando por isso justificadas divergências, pelo que foi assunto em evidência.
Mas a candidata centrista virou-se com mais atenção para os patrícios, em especial para o respectivo dia-a-dia que, para os políticos, só existe em tempo de eleições, frisou.
E de tal maneira aproveitou o minuto final que até parecia estar em fim de campanha.
Concluindo: pelo que vimos e ouvimos ficamos confiantes em melhor futuro para a Democracia Cristã nas duas ilhas que sempre têm mantido amistosas relações no contexto açoriano.
á margem
Em falta estiveram os líderes rosa e laranja, quiçá, como no futebol, para não se magoarem com vista aos debates a dois...
VIVOS E DE OLHOS ABERTOS
Terá sido esta a mensagem que meio milhar de Faialenses quis dar aos Deputados e Governantes na grande manifestação, de oito de Setembro, em frente da Assembleia Legislativa, a Casa por excelência e direito da Autonomia.
Sem dúvida, o primeiro movimento de justificado protesto popular realizado nos Açores após o Verão Quente de 1975 em que os açorianos vieram à rua em reacção à onda vermelha que assolava o País, do Minho ao Corvo, passando pela Madeira.
Depois disso, foi uma acalmia política na Região Autónoma, primeiro, com a governança Social Democrata liderada por Mota Amaral, que deu de mão beijada o poder a Carlos Cesar que o "emprestou” a Vasco Cordeiro.
E quando menos se esperava, eis que surgem quinhentos Faialenses a dizerem cara-a-cara a parlamentares por eles eleitos e ao próprio Presidente do Governo que estão bem Vivos e de Olhos bem abertos, solicitando mais atenção para os problemas do Faial que muitos são, presentemente: o Aeroporto e a SATA.
Na verdade, só um cego é que não vê o esvaziamento em que a Ilha vem sendo sujeita, facto com que nos temos insurgido, nestas colunas.
Não podemos, porém, deixar de dizer que apreciámos a atitude cordata como Vasco Cordeiro dialogou com Dejalme Vargas, o líder do grupo do Facebook, dizendo que ia ler atentamente a exposição recebida, tudo isto perante os numerosos manifestantes em que apupos e vaias não faltaram, como manda o figurino.
Embora o "Tribuna’’ tenha feito circunstanciada cobertura, devo, pelo que tenho escrito, uma palavra aos meus patrícios, felicitando-os por sua corajosa atitude, já que desconhecia o que se vinha passando na Internet, e também por não ir ao Volga tomar o café do almoço.
à margem
Descabido o aproveitamento de bloquistas (BE), chegando a entoar Vila Morena quando o que estava, e está, em causa, é a Ilha Azul.