Por amável convite da Senhora Diretora do “Tribuna das Ilhas” reinicio, neste mês de novembro de 2016, uma colaboração quinzenal com este semanário faialense. Noutros anos fui colaborando, neste e noutros jornais da Ilha e da Região, procurando sempre e só contribuir, com aquilo que penso, para o debate livre dos problemas locais, regionais, nacionais e globais. Debater sem constrangimentos é uma condição essencial para se viver em democracia. Ouvir sem preconceitos, nem ideias feitas só é próprio de quem assume uma sólida postura democrática. Animar o debate das ideias é uma tarefa importante na construção de um presente e de um futuro que se quer mais livre e mais justo.
Como todos sabemos o Cesto da Gávea é, nos veleiros antigos, a plataforma assente nos vaus dos mastros para espalhar os cabos da mastreação, mas que também servia para colocar quem estava de vigia!
Ao decidir aceitar este convite sinto-me como se estivesse a recomeçar uma “navegação” que fiz durante muitos anos e cujas “singraduras” se definiam por uma clara atenção às questões e por um firme propósito de, sobre elas, ter e divulgar opinião.
Tendo em conta esta analogia decidi dar a esta coluna o nome “No Cesto da Gávea”. Procurarei lá estar e procurarei transmitir opinião objetiva sobre os mais diversos assuntos da nossa vida coletiva. Ao dar a conhecer opinião própria estou disposto a ser confrontado com opinião contrária ou diferente, porque acredito firmemente que o debate é essencial. Quando isso acontecer cá estarei para debater o que for necessário.
Comecemos então a “navegar”!
Eleições Regionais dos Açores – Sem pretender fazer uma análise exaustiva dos resultados eleitorais de 16/10 penso que é essencial deixar aqui duas ou três breves notas.
A primeira nota, de caracter geral, serve para dizer que, grosso modo, ficou tudo na mesma.
Continua a existir uma maioria absoluta parlamentar, do mesmo partido. Continuam a estar representados os mesmos partidos da anterior legislatura. Continuará a existir um Governo Regional do PS, assente numa maioria absoluta.
A segunda nota, com a visão um pouco mais apurada, serve para lembrar que o numero de abstencionistas aumentou, que os partidos maiores, sem deixarem de o ser, tiveram menos votos em números absolutos, que os partidos mais pequenos tiveram mais votos e dois deles mais mandatos, o que faz com que, existindo um quadro parlamentar idêntico ao anterior, estamos agora numa situação onde os “avisos do eleitorado” estão bem presentes.
A terceira nota, muito ligada á vida concreta, é para salientar que o partido ganhador não ganhou em duas ilhas: O Faial e as Flores.
No caso do Faial ganhou o PSD, embora só tivesse crescido 66 votos, enquanto o PS perde 1119 votos.
No caso das Flores ganhou a CDU, que cresceu 594 votos, enquanto o PS perde 567 e o PSD 211.
Estes dois casos são significativos em si mesmos. Em ambas estas ilhas há um descontentamento crescente e profundo. A resposta do eleitorado é diferente e isso terá a ver, certamente, com as caraterísticas da acção política e com a história do processo político em ambas essas ilhas. Estes factos merecem muita atenção e vão, sem duvida, influenciar o futuro.
A ultima nota dedico-a ao novo Deputado da CDU, Dr. João Paulo Corvelo. Não tenho duvida de que as Ilha das Flores voltou a ter um Deputado que saberá representar, em pleno, os eleitores dessa ilha, tal como aconteceu entre 88 e 2004. Não tenho duvida que o facto do novo Deputado do PCP, eleito pela CDU, ser de uma ilha isolada constitui, em si mesmo, uma sólida base para um combate mais forte ao centralismo que se tem acentuado. Não tenho também duvida que, tal como aconteceu nos anos 80, estando então no poder o PSD, esta eleição à esquerda feita a ocidente é um sinal de que uma transformação política regional mais forte se vai dar.
31/10/2016