É assim que a generalidade dos responsáveis políticos do Faial pensa sobre quem tem uma opinião diferente, ou critica uma determinada posição tomada pelos mesmos. Para eles, ter outro ponto de vista, ou fazer uma crítica, embora isso se traduza em novas ideias, é sinal que se é do contra, e que não se gosta do Faial, e só queremos o mal deles. Como se o pouco que têm feito, fosse com o dinheiro deles, e não tivessem que prestar contas ao Povo, esse sim soberano.
Nas críticas que faço, procuro sempre dar outro ponto de vista, que me parece ser a melhor solução para aquela situação. Foi o caso da Semana do Mar com as Tertúlias, que juntamente com o António Rosa, reunimos um grupo de trabalho, e levámos a efeito quatro debates abertos ao público, em que os Faialenses foram chamados a dar sua opinião sobre a mesma, e o que poderia ser melhorado. Hoje ainda me perguntam o que mudou, confesso que nem sei se leram o documento que entregámos ao Presidente da Câmara Municipal da Horta. Já na altura diziam-me mesmo antes das Tertúlias, que seria tempo perdido, não considero que o tenha sido, apesar de não ver melhorias. Foram muitos contributos, com ideias exequíveis e que poderiam melhorar sem qualquer dúvida a nossa maior festa, sim, porque a festa é nossa, neste caso, como na maioria de todos os outros, ficam a perder os Faialenses e quem nos visita.
Mais uma vez lancei um desafio, uma manifestação em prol do Aeroporto da Horta, com o enfoque na construção das medidas de segurança RESA no Aeroporto da Horta, e melhoria das acessibilidades aéreas ao Faial, e um melhor serviço da Azores Airlines, e mais uma vez o fado é o mesmo. Sou do contra, só quero o mal do Faial, e se calhar nem merecia viver aqui.
Lutar para que as condições de segurança do nosso Aeroporto sejam implementadas, maior porta de entrada e saída da ilha para o exterior da Região, é querer o mal. Querer mais voos para o Faial de forma a atrair mais Turistas e ser mais fácil sair e chegar, é um problema para quem nos devia defender e não o faz. Lutar para que o futuro desta ilha seja melhor, é não gostar do Faial.
Numa coisa têm razão, o Faial não parou no tempo só por causa deles, o Faial está assim, porque os Faialenses permitiram, pelo menos nos últimos quinze anos, que o marasmo se instalasse em nós próprios, e agora estejamos nesta situação.
É contra esse marasmo que todos temos obrigação de lutar, porque além do desafio do Aeroporto da Horta, o reordenamento do Porto está aí à porta, e as noticias não são boas. Uma das mais belas baías, está prestes a ficar cheia de cimento, e sem soluções para o futuro.
Já não bastou o mau projeto do Porto Novo, imposto a todos os Faialenses, e agora querem acabar com o pouco que resta, e mais uma vez, por fases, é a chamada morte lenta. O Turismo vai fazer uma parte da obra, as Pescas outra, e sabe-se lá se vai aparecer outro organismo para dar a machadada final. Ao que parece, e mais uma vez, uma promessa feita ao Faialenses vai cair em saco roto, a eliminação do cotovelo da Doca que permitiria atracar navios de Cruzeiro de maior dimensão fica sem efeito. Uma obra que se quer integrada, vai ser feita aos soluços, espero que os Faialenses lhes preguem um susto, e estes soluços que nos querem impor, acabem de uma vez por todas.
Pior que tudo isto, é ver muitos Faialenses com medo de falar ou escrever o que lhes vai na alma, longe vão os tempos do “O Telegrafo” ou o “Correio da Horta”, saudades do “Maneiras de Ver”, e de muitos outros artigos, uns a defender a direita, outros a esquerda, mas sempre em defesa do Faial.
Hoje as desculpas são imensas, é o filho que está acabando a Universidade e ao que parece não é competente, e tem de se arranjar uma cunha para ele ter trabalho, é o colaborador que pelos vistos não cumpre no emprego, e tem medo de ser despedido, é o primo, e o amigo do outro, mesmo o voto sendo secreto, que tem medo de votar diferente, é um mar de razões para validarem o que está há vista de todos e que é urgente mudar.
Não tenham medo, é essa cultura que lhes interessa, sejam vocês próprios, sem medos, os empregos públicos que existem no Faial não têm dono, são de quem concorre e tem mérito e competência, não é por discordarmos que vamos ser despedidos, não é por serem de um partido da oposição que vão deixar de ter trabalho, não é por se ter uma visão diferente que vão ser perseguidos ou discriminados.
Uma pergunta a quem de direito. Será mesmo verdade, que alguns dos terrenos há venda no Faial, pela Região Autónoma dos Açores, em hasta pública, eram para ser usados na segunda fase da variante? É a sentença de morte de uma obra importantíssima no descongestionamento do tráfego automóvel, nomeadamente o pesado do centro da Cidade, e que depois da construção do novo Quartel de Bombeiros imprescindível para mais rápido estes chegarem ao lado norte da ilha? Esperamos bem que não seja verdade.