Na linguagem vulgar a palavra “povo” pode referir-se à população de uma cidade, região ou país.
Para os gregos e romanos, o povo é que tinha a capacidade de decidir sobre os assuntos do estado e era composto apenas pelos cidadãos com disponibilidade de tempo e recursos para isso.
Na idade média o povo era o “Terceiro Estado”, ou seja, a plebe, sem direitos de cidadão, e ficou com esta conotação até aos nossos dias.
Pelos séculos fora o povo foi e é invocado para quase tudo, tendo até no nosso país, sido criada a figura do “Zé Povinho” uma personagem satíricade crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiroe adotada como personificação nacionalportuguesa.
“Zé Povinho”, com o seu simbólico e popular «manguito»,tornou-se uma figura identificativa do povo português, criticando de uma forma humorística os principais problemas sociais, políticos e económicos do país ao longo de sua história, caricaturando o povo português na sua característica de eterna revolta perante o abandono e esquecimento da classe política.
No tempo moderno e pós a revolução de abril o povo – essa gigantesca massa anónima – libertou-se, ganhou dimensão e faz-se ouvir, individual ou coletivamente, das mais diversas formas e pelos mais variados meios, e a sua força muitas vezes tem feito e faz mudar o rumo dos acontecimentos.
Nos regimes democráticos a voz do povo passou a ser ouvidae tida na devida conta porque é ao povo que compete decidir como e por quem quer ser governado.
O uso da palavra povo pela classe politica, ou detentora do poder, deixou de ser apenas linguagem de retórica ou populista porque passaram a perceber que o povo tem uma capacidade enorme de avaliar, de julgar e de decidir.
Entre nós, os faialenses saíram do seu profundo estado de “coma”, acordaram, deixaram de estar conformados com todas as situações que os rodeiam ou influenciam e ergueram a sua voz na defesa firme dos superiores interesses coletivos da sua terra e isso abalou a sociedade e muitos políticos com resultados já visíveis.
Alguns políticos perceberam finalmente que não são donos desta terra, nem de ninguém, e que o seu primeiro dever de eleitos é respeitar, defender e lutar na defesa justa dos interesses daqueles que os elegeram – o povo – e da sua ilha.
Nas primeiras décadas do nosso regime autonómico o Faial foi determinante no equilíbrio de forças regionais e os políticos faialenses da época desempenharam cargos governamentais de relevo e fizeram ouvir a sua voz na defesa da sua terra sem esquecer a coesão regional.
Com o passar do tempo, com a alternância do poder e com a aritmética politica da “força” da maioria dos votos fomos ficando para trás, a população ficando na sua grande maioria indiferente e muitos dos responsáveis políticos submissos ao poder partidário instituído, mais preocupados em ocupar ou manter cargos do que com a defesa dos seus eleitores e da sua terra.
Ventos de mudança começaram a surgir de forma espontânea, mas explicita e determinada por parte da sociedade civil – o povo – e nos últimos tempos temos assistido a alterações de comportamentos e atitudes politicas que podem ser indiciadoras de melhores decisões e mais oportunidades para o progresso do Faial.
Diz o provérbio: "Quem não se sente não é filho de boa gente" e os faialenses disso deram conta ao reagir pela forma como estavam a ser prejudicados e estava a ficar comprometido o presente e o futuro da suailha.
Aparentemente vários atores políticos percebam o sinal que os faialenses quiseram dar na sua terra, de forma clara, nas últimas eleições regionaispara, no respeito pela diferença ideológica e partidária,passar a estar de forma explicita do lado daqueles – povo e políticos – que sempre (mesmo na oposição) têm lutado pelo progresso do Faial.
Esperamos que assim seja porque todos – povo e ilha – ficam a ganhar.