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  • António Caetano
  • Bom Ano para todos
16
janeiro

Bom Ano para todos

Escrito por  António Caetano
Publicado em António Caetano
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Nunca pensei em chegar
Ao ano dois mil e dezassete
Tem sido um tal penar
E ainda paguei o frete

Só Deus e eu é que sei
O que por mim tem passado
Tantas lágrimas chorei
Pobre Caetano desgraçado

O que vim eu cá fazer
A este desgraçado mundo
So trabalhar e sofrer
Tenho um desgosto profundo

Coitado aquele que vem
Ao mundo para não ter sorte
É como dizia minha mãe
Melhor seria receber a morte

Chegamos a uma era
Não é a de Salazar
Maldita primavera
Não há por quem chamar

Anda tudo a lamentar
Na Primavera ou Outono
A ver onde vão parar
Estes animais sem dono

Os filhos não tem vagar
De olhar pelos seus pais
Depois da morte chegar
Aparecem os fiscais

Aparecem de repente
E não tardam a chegar
Até vêm do Oriente
Ou de outro qualquer lugar

Quando é para tratar dos pais
Todos sofrem da coluna
Para herdar os tais reais
Ai já toca a tal tuna

No tempo do Salazar
Os homens eram unidos
Depois de ele escorregar
Ficou tudo em partidos
Por isso o Caetano diz
Aonde vamos parar
Ninguém se sente feliz
Acabou-se o bem estar

Tanta gente a cramar
Ninguém se sente seguro
Vale a pena é estudar
Para ter melhor futuro

Esta moda de trabalhar
Eu acho uma injustiça
Agora o que está a dar
Julgo que é a preguiça?

O trabalho nestas eras
Tem muitos contrariados
O povo adora as férias
Quer é festas e feriados

Trabalho vai te embora
Já ninguém te pode ver
Vai por esta porta fora
Estou farto de te sofrer

Os portugueses estão indignados
E tem muitíssima razão
Querem é mais feriados
E pagar menos pelo pão

Lá se despede o Caetano
O tal da Canada Larga
Desejo a todos Bom Ano
E que Deus saúde traga

Para todos paz respeito
É esta a minha oração
Tenho Deus no meu peito
Por causa do coração

Vou dar a terminação
O espaço está em pouco
Para todos boa disposição
E a paz esteja convosco

Vou orar pelos amigos
Vou fazer o meu dever
Também pelos inimigos
Os que não me podem ver?

 

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