Nunca pensei em chegar
Ao ano dois mil e dezassete
Tem sido um tal penar
E ainda paguei o frete
Só Deus e eu é que sei
O que por mim tem passado
Tantas lágrimas chorei
Pobre Caetano desgraçado
O que vim eu cá fazer
A este desgraçado mundo
So trabalhar e sofrer
Tenho um desgosto profundo
Coitado aquele que vem
Ao mundo para não ter sorte
É como dizia minha mãe
Melhor seria receber a morte
Chegamos a uma era
Não é a de Salazar
Maldita primavera
Não há por quem chamar
Anda tudo a lamentar
Na Primavera ou Outono
A ver onde vão parar
Estes animais sem dono
Os filhos não tem vagar
De olhar pelos seus pais
Depois da morte chegar
Aparecem os fiscais
Aparecem de repente
E não tardam a chegar
Até vêm do Oriente
Ou de outro qualquer lugar
Quando é para tratar dos pais
Todos sofrem da coluna
Para herdar os tais reais
Ai já toca a tal tuna
No tempo do Salazar
Os homens eram unidos
Depois de ele escorregar
Ficou tudo em partidos
Por isso o Caetano diz
Aonde vamos parar
Ninguém se sente feliz
Acabou-se o bem estar
Tanta gente a cramar
Ninguém se sente seguro
Vale a pena é estudar
Para ter melhor futuro
Esta moda de trabalhar
Eu acho uma injustiça
Agora o que está a dar
Julgo que é a preguiça?
O trabalho nestas eras
Tem muitos contrariados
O povo adora as férias
Quer é festas e feriados
Trabalho vai te embora
Já ninguém te pode ver
Vai por esta porta fora
Estou farto de te sofrer
Os portugueses estão indignados
E tem muitíssima razão
Querem é mais feriados
E pagar menos pelo pão
Lá se despede o Caetano
O tal da Canada Larga
Desejo a todos Bom Ano
E que Deus saúde traga
Para todos paz respeito
É esta a minha oração
Tenho Deus no meu peito
Por causa do coração
Vou dar a terminação
O espaço está em pouco
Para todos boa disposição
E a paz esteja convosco
Vou orar pelos amigos
Vou fazer o meu dever
Também pelos inimigos
Os que não me podem ver?