Já aqui escrevi sobre este tema. Volto a ele porque, por estes dias, temos lido nos jornais regionais notícias sobre recentes alterações ocorridas nas estruturas locais da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) na ilha de São Miguel e da Terceira.
Para uma melhor perceção do que hoje me faz voltar a este assunto julgo oportuno regressar um pouco ao passado para referir que a Cruz Vermelha Portuguesa teve uma presença regular, com períodos de maior ou menor atividade, de cerca de 74 anos no Faial, tendo desempenhado um relevante trabalho humanitário no apoio dado às populações das zonas sinistradas quando da erupção do Vulcão dos Capelinhos.
Por iniciativa da Direção Nacional e invocando uma reorganização da Cruz Vermelha Portuguesa nos Açores, no início de 2015 – faz agora três anos – foi anunciado pelo Diretor Geral da CVP, em visita à Região, que iam ser extintas as atuais Delegações e que no lugar destas iam ser criados os Centros Humanitários de São Miguel, da Terceira e do Canal, com sede no Pico para servir o grupo das ilhas do triângulo, e que seria nomeado um Delegado Especial para os Açores.
Esta notícia vinculada num jornal regional apanhou de surpresa a estrutura da CVP existente no Faial, alguns faialenses mais atentos e alguns políticos que logo questionaram porque não era também criado o Centro Humanitário do Faial, justificado pelo histórico e longo tempo de permanência da Cruz Vermelha nesta ilha, independentemente de poderem ser criados outros Centros em outras ilhas.
Na sequência de um processo precipitado, atribulado, recheado de trapalhadas várias, e de alguma contestação, a meados de 2015 foi extinta a Delegação da CVP no Faial e logo de seguida, com o “alto patrocínio da Câmara Municipal” foi assinado um protocolo de parceria entre o Município e a Cruz Vermelha Portuguesa para implementação de um Centro Humanitário do Faial, o que foi anunciado pelos subscritores como um grande feito, com grandes vantagens para a sociedade faialense.
A precipitação e a condução desastrosa de todo este processo, por parte das duas entidades intervenientes, ironicamente, levou ao anúncio da nomeação de uma dirigente local, que nunca chegou a exercer funções, como também o Centro Humanitário do Faial nunca chegou a entrar em funcionamento, com prejuízo para os faialenses, particularmente para as famílias mais carenciadas.
Voltando ao princípio e pelo que, por estes dias, foi noticiado nos jornais regionais vemos “ressuscitar”, com nova forma, a Cruz Vermelha Portuguesa nos Açores com a tomada de posse do Presidente da Comissão Administrativa da Delegação da Ilha de São Miguel e da nomeação do Presidente da Delegação de Angra do Heroísmo, no ano em que assinala o centenário da sua fundação.
Pelo que lemos as antigas e extintas Delegações ressurgiram, ganharam estatuto, já têm empossados os seus órgãos sociais, que felicitamos, e estão aptas a, com o seu espírito de missão e de voluntariado, ajudar quem mais precisa e a agir e socorrer as populações em caso de catástrofe.
Chegados aqui, e com o largo histórico da presença da Cruz Vermelha nesta ilha, cumpre-nos, em coerência, perguntar: E relativamente ao Faial em que ficamos?