O aquecimento global será o maior problema ambiental à escala global das próximas décadas e por isso não podemos esperar que seja apenas o governo regional a fazer tudo. Está na hora das autarquias fazerem o seu papel.
A sustentabilidade está na ordem do dia. O uso desenfreado de recursos fósseis e o impacto da emissão de gases que contribuem para o efeito de estufa obrigam a repensar modos de vida e o seu impacto na tal sustentabilidade do nosso planeta.
Por todo o lado surge o apelo à adoção de soluções e tecnologias sustentáveis.
Existe já um conjunto muito vasto de experiências em arquitetura sustentável cuja qualidade mereceria uma implementação mais generalizada, com benefícios óbvios para a tão almejada qualidade ambiental.
Várias autarquias pelo mundo fora já constituíram agências municipais de energia e ambiente que, com fundos próprios, de programas governamentais ou apoios da Comissão Europeia, têm vindo a desenvolver projetos no âmbito da sustentabilidade, energia e mobilidade.
A título de exemplo, o eco-bairro Vauban na Alemanha ocupa uma área com 38ha, contando com cerca de 5.500 habitantes e 600 postos de trabalho. Inclui um leque muito diversificado de programas habitacionais, comerciais e de escritórios, que vão desde a recuperação e conversão de edifícios antigos, a novos edifícios de habitação coletiva, multifamiliares e até unifamiliares, de promoção privada, cooperativa ou comercial.
As pessoas e as famílias envolveram-se neste processo autárquico, cidadãos e empresas locais com o apoio da autarquia encontraram as melhores soluções a serem colocadas no mercado a valores ao alcance da maioria da população e, na medida do possível, em condições concorrenciais com os edifícios de construção corrente.
Será importante desenvolver esta vertente social da sustentabilidade.
Todos precisamos de uma gestão racionalizada com despesa baixa, uma vez que as famílias carenciadas não se tratam de uma moda. Estamos a falar de combater o desperdício energético e de uma gestão racional através de fontes renováveis que nos irá poupar muito no final do mês.
O Pico tem três marcas conectadas aos seus concelhos. No concelho da Madalena temos o vinho, em São Roque o Turismo Rural na Lajes a envolvência em redor da história da caça à baleia. Estas três marcas são um motor económico para esta ilha. Surgiram empresas de produção de vinho, empresas de hotelaria para o turismo rural e empresas marítimo-turísticas.
E nós por cá temos o mar. Será ele o nosso verdadeiro motor de arranque?
Já todos sabemos que a nossa baía é das mais belas do mundo mas só alguns poucos faialenses conseguem lá ter a sua embarcação.
Os iates que nos visitam estão como sardinhas enlatadas na nossa baía e assim navegamos como um motor enxurrado que durante tantos anos não nos tem dado a tal referência que desejamos para a nossa ilha.
Na pesca temos cada vez mais menos pescadores, o peixe é na sua maioria exportado, nas nossas mercearias ficou com mais caro e para a cereja em cima do bolo vem aí a aquacultura.
Impingiram-nos que devemos ser a cidade do mar, sim ela é bonita, ela geologicamente nasceu assim mas não acredito que só isso nos trará mais rendimento para o nosso concelho.
Mas e a sustentabilidade urbana? O eco-bairro Vauban não será um exemplo do que podemos fazer por cá.
Se cada casa conseguir usufruir da energia solar, energia eólica, retenção de águas para consumo doméstico e reutilização do seu lixo, desta forma uma parte do custo das famílias em energia ficará cá na ilha, fomentando o aparecimento de empresas locais nas áreas das energias renováveis e reciclagem.
Desta forma seremos uma ilha de referência no nosso arquipélago. Produzindo primeiro para nós, ganhando experiência e profissionalização para depois expandirmos para as restantes ilhas dos Açores.
Toda esta economia das renováveis agregada à agricultura biológica intensiva, eu acredito, que através de um sistema sustentável de produção local, consumo local teremos o excelente motor de arranque económico para a nossa ilha.
Aplausos e assobios
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