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26
maio

Uma data feliz

Escrito por  Cláudia Ávila Gomes
Publicado em Cláudia Ávila Gomes
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No próximo dia 5 de Junho há muitas razões para comemoração nos Açores. É a Segunda-feira de Espírito Santo, o Dia da Região Autónoma dos Açores e o Dia Mundial do Ambiente. A feliz coincidência de o Dia da Região coincidir este ano com o Dia Mundial do Ambiente leva-me a salientar a importância de uma área açoriana com grande valor ambiental, a Reserva Natural da Caldeira do Faial, onde se encontram numerosos habitats e espécies protegidos pela Rede Natura 2000.
O vulcão central da Caldeira é o maior volume geomorfológico da ilha do Faial e integra uma caldeira de subsidência no seu topo, a aproximadamente 1000 metros de altitude. Esta caldeira, com uma profundidade média de 400 metros e cerca de 8 km de perímetro, tem no seu interior e perímetro uma grande diversidade de espécies de vegetação e fauna com interesse para a conservação. Imagine-se que, dos nove habitats prioritários da Rede Natura 2000 presentes nos Açores sete estão referenciados como presentes na Caldeira!
Em levantamentos de campo recentemente concretizados foi possível observar diversos desses habitats. Nas zonas mais altas encontra-se o habitat florestas macaronésicas de Juniperus spp. Aqui o cedro (Juniperus brevifolia) é rei, por vezes associado às turfeiras. À medida que vamos avançando pelo difícil trilho da descida da Caldeira esta floresta de cedros dá lugar ao habitat laurissilva macaronésica, onde se encontra o louro-da-terra (Laurus azorica) mas também o azevinho (Ilex perado ssp. azorica), a uva-da-serra (Vaccinium cylidraceum) e diversas espécies de vegetação herbácea de grande interesse para a conservação.
Para além das diferenças da vegetação relacionadas com a altitude também se observam outras relacionadas com o micro-relevo mais próximo. É curioso de perceber a distinção entre a vegetação que se encontra nas profundas ravinas daquela que existe nas zonas mais expostas aos ventos: nas zonas abrigadas existe a laurissilva e diversas espécies de fetos; nas que estão mais expostas às intempéries existe o habitat charneca macaronésica endémica e uma maior quantidade urze (Erica azorica). 
Ao longo das encostas observa-se a presença de turfeiras, por vezes associadas a cedros e outras árvores. Estas turfeiras distinguem-se pela ocorrência de um tipo de musgo particular, o esfagno (Sphagnum sp.), que confere a certas zonas da Caldeira um verde muito vivo e quase fluorescente. Existem três tipos de turfeiras referenciados para a Caldeira que são habitats prioritários da Rede Natura 2000. No fundo da Caldeira, na sua zona mais plana, encontram-se charcos temporários, um outro tipo de habitat prioritário. Existem no interior da Caldeira muitos outros habitats que não sendo prioritários para a conservação são importantes. 
Em termos de espécies encontraram-se verdadeiras raridades que importa preservar. No perímetro da Caldeira avistou-se a angélica (Angelica lignescens), a Cardamine caldeirarum e o bafo-de-boi (Ranunculus cortisifolus). Foi interessante verificar a presença destas duas últimas espécies em flor e a sua localização, nas cabeceiras das linhas de água ainda preservadas pelo avanço das hortências e das criptomérias. Estes são lugares relevantes pela presença de algumas das nossas espécies de vegetação mais raras e simultaneamente porque são o início das nossas ribeiras. 
A existência de um controlo apertado das descidas à Caldeira, com um número máximo de 3 guias creditados por dia a poder efetuar a descida e cada um deles a poder conduzir no máximo 12 visitantes é uma medida a salientar na gestão do Parque Natural de Ilha do Faial. O facto destes guias estarem obrigados a fazer com que os visitantes se mantenham nos trilhos, mesmo na base da Caldeira, promove a preservação do lugar e uma maior consciência ambiental para todos. Que este tipo de consciência se possa expandir para as áreas protegidas de todas as ilhas dos Açores!

 

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