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07
julho

A fertilidade…do Lixo que nos entope e das festas de São Pedro

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL
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A semana transata foi muito fértil em festas de São Pedro. Por toda a ilha, como sempre sucede todos os anos, assistiu-se às comemorações deste santo popular e padroeiro. 
Mas foi fértil, também, em lixo.
Lixo, Lixo e mais Lixo foi aquilo que se falou.
Falou-se e debateu-se lixo na Assembleia Municipal da Horta. Só após um alerta vindo do PSD é que a ilha se apercebeu que o lixo produzido por todos nós no dia-a-dia não estava a ser devidamente tratado, ou melhor, que a entidade responsável por essa gestão não lhe estava a dar o seu correto encaminhamento, a sua exportação.
O lixo que produzimos é depositado e acumula-se a céu aberto no Centro de Resíduos, causando um cheiro nauseabundo e preocupações de higiene e salubridade para a população circundante, nomeadamente para quem habita na Praia do Norte e na Fajã.
E isto sem que a Câmara Municipal da Horta enquanto entidade concessionária da exploração desse Centro de Processamento de Resíduos se tenha preparado para que tal não sucedesse.
Na verdade, sabendo, há já algum tempo, que o aterro da ilha está praticamente selado, não possibilitando o depósito de quaisquer resíduos, a Câmara Municipal não cuidou, em tempo oportuno, de tomar as medidas adequadas para que não ocorresse, em qualquer altura do ano, a acumulação de resíduos e, enfim, procedesse ao seu transporte para fora da ilha.  
Só que esta questão, preocupante,nãopode nem deve serpartidária, é de todos nós que habitamos nesta bela ilhae tem que ser colocadaacima de qualquer interesse político.
É a defesa da saúde pública e do bem-estar de todos os cidadãos da ilha do Faial que está em causa. 
A justificação apresentada pelo Município para, durante mais de quatro semanas, não ter encaminhado os resíduos é atamancada e mostra o desleixo, descuido e desinteresse com que aquela entidade tratou o assunto até aquela data.
A foto demonstrativa da quantidade de resíduos acumulados, remetida pela Câmara Municipal aos órgãos de comunicação social é deveras preocupante e coloca a nu o grave problema que temos entre mãos. Compete, não apenas ao Município, mas a cada um de nós tomar consciência da necessidade de colocar em prática a política dos 5R´s: Reduzir, Reutilizar, Recuperar, Renovar e Reciclar, a que se soma a compostagem, esta sim capaz de promover a fertilidade da terra.
 
Perante a gravidade dos factos expostos, o Delegado de Saúde da ilha e a Inspeção Regional do Ambiente já se deveriam ter deslocado ao Centro de Resíduos para averiguar das condições de higiene, salubridade e ambientais existentes, porque, para além da população que mora na zona do centro, os próprios trabalhadores estão a ser afectados pela acumulação e não escoamento do lixo.
Não se pode apregoar a defesa do meio ambiente, a sustentabilidade ambiental e a preservação  da saúde pública e depois adotar uma atitude de inércia perante o ocorrido.
Adiando este problema, mas antecipando as comemorações do 184º aniversário da elevação de Vila a Cidade da Horta, o Município brindou a população com um concerto na Praça da República, rivalizando com todas as festas de São Pedro que aconteciam pela ilha.
As Comissões de Festas que, durante o ano, prepararam o evento, viram-se ultrapassadas pelo poderio económico da Câmara Municipal. Para quem aguardava por estas festas para angariar algum dinheiro foi como um murro no estômago.
Mas para o promotor deste eventoum dos seus objetivos, se não o principal, foi alcançado. O programa antecipado e alargado, com a inclusão do cantor Tiago Bettencourt deu que falar. Todavia, não pelas melhores razões. Na rede social Facebook, enfim, na praça pública, a “troca de galhardetes” também foi fértil.
É caso para dizer que é altura de fertilidade e esta tem um adubo especial. Mas tenho algumas suspeitas que rima com campanha eleitoral. 
João Paulo Pereira
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