Os dados estão lançados. Depois do PAN, foi a vez da CDU avançar com os seus candidatos à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal da Horta.Para encabeçar a lista ao Município Paula Decq Mota foi a escolhida. Após ter exercido funções como tesoureira na junta de freguesia da Matriz, pretende agora dar o salto na conquista da presidência da Câmara, porque é ali que, segundo ela, “se tomam decisões que interessam à ilha do Faial”.
O partido comunista aposta em Paula Decq Mota para se intrometer na luta normalmente travada entre os dois principais partidos políticos, os quais têm bipolarizado os assentos na Câmara Municipal da Horta, com exceção feita às autárquicas de 2005 em que os comunistas conseguiram eleger dois vereadores. A acompanhá-la terá um histórico do partido (o seu pai) José Decq Mota que concorrerá ao lugar cimeiro da Assembleia Municipal.
Com estes candidatos procura a CDU segurar o seu eleitorado tradicional e, ao mesmo tempo, capitalizar mais alguns apoios resultantes do seu papel na governação a nível nacional.
Para não perder o comboio, o PSD apresentou esta semana o acordo autárquico que o juntará ao CDS-PP na Câmara, na Assembleia Municipal e nas Juntas de freguesia, apostando, deste modo, numa coligação que, para além de tentar conseguir mobilizar os militantes e simpatizantes destas duas forças partidárias, pretende, também, ser, segundo as palavras dos seus responsáveis, “suprapartidária”, cativando todos os “faialenses sem qualquer conotação ou simpatia partidária”.
Quanto ao candidato pelo PSD do Faial à presidência da Câmara Municipal da Horta não existiam dúvidas.A aposta recaiu em Carlos Ferreira para concorrer ao cargo mais importante do Municipio.
No outro órgão autárquico, a coligação PSD/CDS-PP aposta na juventude, apresentando como cabeça de lista Teresa Faria Ribeiro Cândido, esta também com experiência na AssembleiaMunicipal.
Do lado do PS, apesar de ainda não terem sido apresentados quaisquer candidatos, já se sabe que José Leonardo se recandidata para mais um mandato à frente da autarquia, após oito anos ao serviço dos munícipes faialenses e que Hélder Silva, experiente político, é o candidato à Assembleia Municipal.
Portanto, os dados já estão postos em cima da mesa, e se não houverem mais surpresas, podemos dizer que a aposta dos diferentes partidos para confrontarem o poder instalado é caraterizada por sangue novo: Hugo Rombeiro, Paula Decq Mota, Carlos Ferreira e Teresa Ribeiro,prometem dar um novo dinamismo ao debate político tão necessário para o desenvolvimento da ilha do Faial.
Esta nova vaga de políticos faialenses que agora emerge, jovens, com aspirações, parece querer trazer para a ribalta temas importantes e caros aos faialenses, ao mesmo tempo que tenta motivar e cativar o eleitorado a regressar às urnas, combatendo a elevada abstenção.
Obviamente que as vitórias não se conquistam e não se conseguem sozinhos. É importante, que cada um dos cabeças de lista (e que cada uma das forças políticas) se aperceba disso, rodeando-se de pessoas válidas de diferentes áreas, e apresentando ao eleitorado um programa eleitoral com ideias, iniciativas e projetos exequíveis e sem falsas promessas que permitam ao Faial caminhar em direção ao futuro.
Com tudo isto, nada tem a ver o eucalipto, a árvore maldita e odiada por meio Portugal nos dias que correm, mas fundamental para os grandes produtores nacionais de celulose e da pasta de papel. Para tentar erradicar de vez o mal que esta árvore causou a todos nós, o governo, após cedências aos partidos do arco da geringonça, aprovou o projeto lei de alteração do regime jurídico aplicável às ações de arborização e de rearborização, promovendo a redução da plantação do eucalipto, que, agora, só pode acontecer com a autorização prévia.
Obviamente, que a reforma florestal ainda vai no adro, pois a ela estão associadas muitas outras matérias, tais como a prevenção e o ordenamento do território. E enquanto não saem do papel, o país continua a arder, mostrando que o incêndio de Pedrógão não foi caso isolado, e que o verão vai ser difícil para os milhares de bombeiros, pois vão continuar a existir fogos florestais.
João Paulo Pereira
jpp.diretor.tribunadasilhas@