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08
setembro

AS ETARS DO MUNICÍPIO

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL
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Recuo ao tempo em que João Castro ainda era o Presidente do Município. Colocou em marcha um processo que transformaria por completo a cidade da Horta: o saneamento básico. Lançou o concurso, adjudicou por diversas vezes a concessão – uma Parceria Público-Privada (PPP) – mas a crise financeira que assolou o país trocou-lhe as voltas (e aos concorrentes) e adiou “sine die” aquela que seria a sua marca na cidade.

Não mais se ouviu falar de saneamento básico para a cidade da Horta.
Até à semana passada, dia em que o Vice-Presidente da Câmara, sentado temporariamente na cadeira da presidência, comunicou aos cidadãos faialenses aquilo que ainda ninguém sabia, isto é, que podiam ligar os seus esgotos à rede pública de saneamento básico criado nas ruas intervencionadas.
O Município realizou obras em diversas estradas da cidade, implementou as respetivas infraestruturas para o saneamento, sem as quais não teria apoio dos fundos comunitários, mas não cuidou de transmitir, de informar o faialense, nem de criar mecanismos de apoio, para que todos se pudessem ligar às condutas de saneamento básico.
Omitiu conscientemente esta informação ao longo deste tempo todo, apenas por uma única razão: lançar esta atordoada durante o período eleitoral para tentar captar o voto dos eleitores.
Será, então, este o momento ideal para perguntar ao Vice-Presidente do Município e novamente candidato pelo Partido Socialista a esse cargo nas próximas autárquicas, como resolveria ele o problema se os faialenses incluídos na sua narrativa decidissem hoje ligar as suas habitações e enviar os seus resíduos para a rede pública?
A resposta traduzir-se-ia, obviamente, num gigantesco problema de saúde pública e numa enorme catástrofe ambiental, com os dejetos e acumularem-se e a irem desaguar a uma das mais belas baias do mundo ou à Praia de Porto Pim, pois seriam estas as grandes ETARS do Município.
Sim, seria esta a realidade, pois, todos sabemos que não há, não existe na cidade uma única estação de tratamento de águas residuais (ETAR) que permita receber os dejetos que cada habitante irá enviar para a rede.
Porque o tempo eleitoral a isso obriga, o Vice-Presidente do Município começou pelo telhado – atirem a porcaria à vontade que depois aparecerão as ETARS para a tratar, típico deste engenheiro das obras que foram acontecendo no Faial no último ano.
É importante que, hoje e sempre, o político, aquele que agora se apresenta aos eleitores seja sério, honesto e coerente com a realidade e não atire areia para os olhos de quem vota.
A atitude demagógica, o politiquismo enviesado e a verborreia frenética que caracterizam a intervenção do Vice-Presidente, bem como a sua vontade de estar sempre sob os holofotes da ribalta, ofuscando o próprio Presidente do Município, mostram abertamente que na política não há limites e que a dignidade e a responsabilidade da defesa do cidadão não estão na sua lista de obrigações.
Este tipo de retórica insidiosa, visando visceralmente a pessoa e não as ideias, é altamente censurável. Talvez se ele conseguisse sair dele próprio e visse aquele homem ressentido e ressabiado percebesse porque é que a esmagadora maioria dos faialenses deixou de o considerar.
A rentrée política do Vice do Município vem mostrar à evidência que a política local é, cada vez mais, feita para o umbigo, mais que para as pessoas, apesar de serem estas o cerne do trabalho a desenvolver.
O Vice-Presidente, em vez de indicar caminhos, propor soluções, construir pontes para o diálogo, opta por um estilo fanático que o envergonha a si e à instituição que serve e representa.
É fundamental que se dialogue com hombridade com os munícipes e que se ajude a criar condições que permitam que a próxima campanha eleitoral contribua, com lucidez e coragem, para que o Faial se torne naquilo a que tem direito: uma cidade aberta ao povo.
Com todo este escrito, vem-me à memória um engenheiro muito famoso que, em tempos morou no Norte do país, e que ficou conhecido como o engenheiro do Penta; este, aqui nas ilhas, ficará indubitavelmente conhecido como o engenheiro da Treta.g
 
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