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08
setembro

“Não há caminhos que levem à Paz: a Paz é o caminho”

Escrito por  Maria do Céu Brito
Publicado em Artigos de opinião
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Aprendemos com Gandhi que a única arma que conduz ao desenvolvimento dos povos é a não-violência e a paz. A paz é o caminho, o único caminho viável para a preservação da vida e da sustentabilidade planetária. A paz é, ao mesmo tempo, uma caminhada comum de seres humanos que dialogam, cooperam e trabalham juntos para resolver conflitos e criar um projeto de futuro. Sociedades humanamente viáveis são pacíficas e equacionam questões como a cooperação, a justiça distributiva, a igualdade, o desenvolvimento e os direitos humanos.
Assistimos hoje, a nível global, a uma escalada de violência assustadora. O discurso e as metáforas de linguagem usadas por políticos com responsabilidades globais, destroem a confiança entre as nações e minam a comunicação e as relações humanas. Efetivamente, as metáforas governam os nossos pensamentos, porque, entre outras coisas, eles permitem compreender coisas complexas em termos de coisas mais simples. Mas o uso das metáforas de violência envolve um risco: podem ser usadas intencionalmente para ocultar aspetos da realidade que não se querem ver claramente. Metáforas que são usadas para justificar a guerra tendem a esconder uma série de situações que devem ser tomadas em consideração e que intencionalmente se ignoram.
A UNESCO aprovou, no início de Agosto de 2017, a cátedra “Educação para a Paz Global Sustentável”.  Efetivamente, a paz está nas nossas mãos. Mas como se constrói a paz? As recentes descobertas científicas na área da Psicologia Positiva, evidenciam que se podem melhor prevenir conflitos, resolvendo problemas, antes que estes evoluam para a violência, ou para a guerra. A psicologia positiva defende o pressuposto de que a paz começa em nós. A harmonia interior favorece os relacionamentos pessoais e a paz social. Por essa razão, é essencial aprender a gerir as emoções. Psicólogos como Goleman afirmam que o nosso sucesso depende 80% do Q.E. (Quociente Emocional/Inteligência Emocional) e apenas 20% do Q.I. (Quociente de Inteligência). Como é que o Q.E. pode sempre ser melhorado ao longo da vida? É possível educar as emoções para a paz? Para a paz interior e para a paz social e política? Educar para a paz é um processo que pode ser desenvolvido na escola, quer no que diz respeito à estrutura e organização dos conteúdos, ao método didático-pedagógico, aos aspetos da aprendizagem e à avaliação dos resultados? Mas como? Através da criação de um clima de confiança, segurança, respeito e apoio mútuos no ambiente escolar, gerindo conflitos e, consequentemente, tornando o trabalho mais agradável tanto para os professores como para os alunos. Isto é, criando ambientes positivos. Potenciando condições de diálogo, escuta ativa, acolhimento da diferença; fazendo emergir uma atmosfera de interatividade positiva para o desenvolvimento das atividades que favorecem, entre educandos e educadores, a comunicação, o respeito mútuo, o interesse, o compromisso coletivo necessários à consecução de relações harmoniosas. A escola, democraticamente organizada, é o lugar de excelência para a consolidação da educação, para os direitos humanos e para uma cultura de paz, porque facilita o desenvolvimento e a utilização de estratégias para uma solução não violenta dos conflitos que surgem nas relações humanas. A resolução de conflitos, nesse contexto de diálogo, escuta e aceitação dos diferentes pontos de vista, sedimenta a democratização dos espaços escolares e responsabiliza todos os agentes educativos. É um espaço de construção dos valores éticos, da aceitação e reconhecimento da dignidade de cada pessoa. Importa, pois, evitar formas de organização onde predomine a violência comunicacional e estrutural. Para isso, é preciso dar voz aos alunos e desenvolver formas participativas de construção de normas, da criatividade, assim como desenvolver experiências de reflexão constante sobre as consequências das nossas ações. Só através do diálogo autêntico é possível resolver conflitos e criar sentido para a construção de um novo tempo, no mundo complexo em que vivemos.
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