As questões tratadas pela União Europeia têm um peso enorme no nosso quotidiano e na nossa qualidade de vida e são cada vez mais determinantes para o desenvolvimento económico e social dos Açores, contudo este peso não se repercute, lamentavelmente, ao nível da opinião pública.
Do ponto de vista político, como não é uma pasta a que o público esteja atento, e a que os órgãos de comunicação social igualmente não dão muita cobertura, parece que anda na penumbra, e cria-se um efeito contrário ao pretendido, confirmando-se o velho ditado “Longe da vista, longe do coração”. Esta é uma das justificações da fraca adesão às urnas dos açorianos nas eleições europeias, o que não deixa de parecer uma grande injustiça de um povo que vive com grande dependência dos fundos comunitários e depois nem se digna expressar a sua participação.
Apesar da influência que é necessário exercer junto dos órgãos europeus em múltiplas áreas, seria de todo o interesse para os Açores que os dois eurodeputados regionais, embora sendo de quadrantes políticos distintos, fizessem um trabalho concertado e que estivessem ligados a setores distintos, tornando assim mais abrangente a sua atuação, com ganho evidente para a Região.
Mas temos políticos que, sabendo que a base económica ainda é a agricultura, pretendem que os eurodeputados falem quase exclusivamente destas questões, o que é muito redutor, apesar de todo o respeito que nos merece esta atividade, que é fundamental e cujo peso se manterá no futuro. Contudo, é falta de visão e pequenês política não haver concertação ao nível europeu, dada a importância destas matérias para o desenvolvimento dos Açores.
O arquipélago dos Açores está classificado como uma das regiões mais pobres da Europa, ficando nos objectivos de apoio mais elevados, pelo que os responsáveis políticos locais deveriam ter não a preocupação de denegrir o presidente da Comissão Europeia por estar conotado com determinado partido político ou pensar como desdizer este ou aquele eurodeputado, ou não colocar os seus melhores secretários na pasta dos assuntos europeus, por esta não ter visibilidade.
Deveriam ter todos os dias a consciência de que as transferências financeiras externas provenientes da União Europeia têm uma importância muito acima das questões partidárias.
E devem ter a consciência de que a gestão e utilização eficiente destes recursos deve constituir uma prioridade, para que os Açores cresçam e para que haja convergência efectiva com os níveis de rendimento da União, traduzindo-se igualmente no bem-estar das populações.
Mas para haver convergência, a aposta só pode ser na componente produtiva, através da aplicação dos recursos nas atividades económicas sólidas e competitivas, tendo a preocupação de serem apostas duradouras e geradoras de emprego sustentado, caso contrário será perder a maior oportunidade que alguma vez os Açores tiveram para o seu desenvolvimento económico e social.
Deste modo, era de todo o interesse que as politiquices a este nível ficassem de parte e se trabalhasse com os melhores nesta matéria, não para uma política dos media mas para a economia real, prática e efetiva. Uma vez mais tem de haver concertação dos agentes económicos e políticos, para maximizar as viagens a Bruxelas e o trabalho a desenvolver em prol da defesa dos Açores.
Neste panorama, o Faial não pode ficar alheado e também deverá procurar, junto dos representantes europeus, do governo, da secretaria da tutela, e dos agentes económicos saber o que se passa, reivindicar e agir a bem desta ilha.
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