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  • Vida de Plástico
20
outubro

Vida de Plástico

Escrito por  Hugo Rombeiro
Publicado em Hugo Rombeiro
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Sabemos que os nossos oceanos e ilhas estão abarrotados de plástico. Todos nós já vimos garrafas de plástico, embalagens, mesmo de alimentos, e sacos de plástico poluindo praias, piscinas, a nossa costa. Existem histórias horríveis sobre criaturas marinhas como aves marinhas, tartarugas, baleias famintas que aparecem mortas com seus estômagos cheios de plástico. Em 2016, de todos os Cagarros que foram encontrados mortos e analisados na nossa ilha, 86% continham plástico no seu estômago.
Os objectos mais encontrados são os plásticos descartáveis. Existem estudos que mencionam que a cada 10 garrafas de água que compramos, duas delas vão para o mar.
Por fim temos o microplástico, se não o conhece, meta os pés na nossa praia do Porto Pim, olhe atentamente e quando vir um grão azul, cor-de-rosa, amarelo, branco mas de uma forma anormal, está a ver o microplástico. Não se assuste de ver tanto microplástico como os grãos da areia negra do nosso basalto. Acredite que de ano para ano são cada vez mais.
A Organização das Nações Unidas diz que se continuarmos a este ritmo em 2050 vamos ter mais plástico que peixes nos nossos oceanos.
O ser humano criou o plástico que nos vai intoxicar e o maior problema é que ele diz que não sabe viver sem ele. Viver sem a possibilidade de fazer uma festa de anos sem plástico descartável, viver sem aquela garrafa de água de plástico, viver sem a palhinha que tem um invólucro que nunca sabemos para onde vai e das centenas de produtos em nosso redor, desde telemóveis, televisões, capas, auscultadores, as teclas do seu computador e até a blusa que tem vestida contêm plástico.
É assustador, não sei… mas para mim é preocupante saber que todos os produtos em meu redor vão viver milhares de anos transformando-se em microplástico e intoxicando todos os seres vivos do nosso planeta.
Uma vida de plástico …. trabalhamos muito para podermos comprar mais plástico e ter a segurança que a sociedade nos vende. Viver plasticamente felizes. Será mesmo isto que precisamos?
Alguns cientistas vem nos dizer agora que temos uma larva que ingere o plástico, eu pergunto para quê? Para produzirmos mais plástico? Para termos que trabalhar mais para consumir mais plástico?
Talvez a solução seja outra, produzir menos plástico, trabalhando menos e vivendo mais. Termos tempo para estar com os nossos filhos, tempo para os nossos animais, tempo para estar na natureza, tempo para ler um livro. Termos tempo para ver um filme numa televisão que dure mais de 10 anos, utilizar um telemóvel que não seja substituído de dois em dois anos, deslocarmo-nos num transporte público sem estar com a pressa de marcar o relógio de ponto, vivermos uma vida simples e real.
Estamos em 2017, onde temos cada vez mais, e vivemos cada vez menos. E este é um problema da nossa sociedade e por isso é um problema político!
O futuro da nossa autonomia deve passar pela nossa própria autonomia. Devemos nós ter leis próprias que puxem pela felicidade dos açorianos já que, por rendimentos, continuamos a ser os mais pobres da Europa? Será que a reforma política não deve passar pelos açorianos aproveitarem a qualidade de vida que vendemos a quem nos visita?
Será que não devemos começar a produzir para nós e não para os outros? Será que precisamos de um estado tão grande e caro ou o que precisamos é reduzir a carga fiscal?
Mudar o nosso estilo de vida é das tarefas mais difíceis com que nos deparamos. São os amigos que brincam com as nossas escolhas, são os familiares que nos incentivam a consumir e é o trabalho que ocupa as melhores horas do nosso dia para podermos fazer por nós próprios e não precisando de adquirir o descartável para ser tudo um pouco mais rápido e facilitado.
Esta mudança de paradigma é uma questão social e política, os que desejam mudar não devem obrigar os outros à mudança mas os que não desejam mudar devem tentar perceber o porque desta mudança.
E por fim, nós açorianos devemos aproveitar a oportunidade de sermos pioneiros em descobrir estas novas economias sustentáveis. Devemos ser um exemplo em Portugal e na Europa, um exemplo que traga felicidade e bem-estar as estas nove ilhas açorianas. Que esta vida de plástico se torne numa vida real.

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