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10
novembro

Vária

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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ORÇAMENTO DA REGIÃO
Por cá, tudo como dantes…
Sucedem-se os Planos e os Orçamentos e as obras sucessivamente prometidas para o Faial continuam sucessivamente adiadas. Mesmo muitas daquelas que, há um ano e pouco, com a precisão matemática de coincidirem com as eleições regionais, foram postas a concurso, continuam, teimosamente por se iniciar. E, como é habitual, voltarão à ribalta quando novas eleições se perfilarem no horizonte.
Já não há paciência para esta velha política.
Como já não há paciência para os que, teimosamente cegos, só conseguem ver virtudes neste proceder.
Até ao próximo Plano!

ORÇAMENTO DE ESTADO
Apesar de algumas abalizadas deambulações locais sobre as virtudes do próximo Orçamento de Estado, aquilo que vou lendo dos especialistas, das mais variadas áreas, é de uma crescente preocupação com o rumo que o País está a tomar, fazendo como a cigarra e recusando ser a formiga que se prepara para o inverno da economia que novamente nos virá um dia a bater à porta.
Como judiciosamente escreveu há dias Helena Garrido, com o Governo de António Costa e com Mário Centeno como ministro das Finanças «A austeridade ficou escondida sob a forma de “cativações” que deviam na realidade designar-se como cortes de despesa. A promessa de “virar a página da austeridade” era afinal dissimular a austeridade. (…)
Claro que Mário Centeno tem razão ao defender as cativações como uma ferramenta de gestão. Mas as cativações foram muito mais do que isso, de facto constituíram-se como uma ferramenta de redução do défice público. Enquanto austeridade escondida, viabilizaram os acordos com o PCP e o Bloco de Esquerda, de reposição mais rápida dos rendimentos e, por essa via, garantiram que o PS fosse Governo.
Nada disto seria grave se estes cortes de despesa tivessem seguido uma estratégia de reforma do Estado ou se estivéssemos a sair de uma fase de prosperidade. Nada disso se verificou. Estes cortes são feitos depois de uma era de elevada contenção financeira dos serviços públicos e com o único objetivo de conseguir o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda – que se recusariam a assinar uma estratégia de austeridade que não fosse disfarçada. (…)
A política da austeridade escondida altamente ameaçadora dos serviços públicos foi prosseguida pelo Governo, mas teve a cumplicidade do PCP e do Bloco de Esquerda. Podem hoje competir pelo pódio de quem defendeu mais a reposição dos rendimentos, mas todos estão a ser responsáveis pelo risco a que expuseram os serviços públicos. É aliás extraordinário que aqueles que dizem defender o Estado sejam os que mais o põem em causa. (…)»
Por isso, pasmo quando perante as ameaças que pairam sobre Portugal e que não estão resolvidas, antes adiadas, ainda há alguém que se congratula com a persistência de se continuar num caminho que nos vai levar, mais ano menos ano, a uma fatalidade igual à que tivemos em 2011, pela mão do PS de José Sócrates.

O CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO RUSSA
Decorrem por este ano, e especialmente neste mês, «comemorações» do centenário da Revolução Russa, que haveria de conduzir aquele país a um regime comunista que perdurou até à queda do Muro de Berlim, em 1989.
Durante anos endeusada por uns e vilipendiada por outros, a Revolução Russa foi frequentemente vista pelo prisma deformador da ideologia de quem sobre ela opinava e por isso gerou visões tão díspares e contraditórias. No Portugal pós 25 de abril, a tardia democratização, a influência inicial da ideologia comunista e a simpatia militante de muitos intelectuais, foram campo favorável à mitificação da Revolução Russa e à glorificação de alguns dos seus protagonistas, visíveis, por exemplo, nalguns manuais escolares daquele tempo.
Hoje, cem anos depois dos acontecimentos, com a distância e a frieza necessárias, mas também com a descontaminação ideológica do debate e do estudo, a Revolução Russa surge-nos bem menos romântica e os seus protagonistas bem menos os puros revolucionários que nos quiseram fazer crer que eram.
Cada vez menos considerada uma revolução genuinamente popular libertadora da opressão czarista, e mais um golpe armado que afastou a incipiente experiência do regime constitucional parlamentar russo que dava os seus primeiros passos, os «heróis» de outubro abriram caminho à criação de um regime ditatorial, responsável por verdadeiros crimes contra a humanidade.
A propósito do centenário da Revolução Russa têm sido editados ou reeditados livros de insuspeitos historiadores europeus, que nos dão a conhecer não só os eventos, mas muito do que por trás deles esteve, fruto da abertura e do acesso a muitos arquivos que durante anos estiveram vedados aos estudiosos.

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