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17
novembro

Abram-se os cordões à bolsa autárquica

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL
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Nas democracias modernas, que se dizem plurais e participativas, o voto é hoje uma arma colocada à disposição do cidadão para mudar governos, para conseguir a chamada alternância no poder, tão necessária para um novo rumo das políticas sociais, económicas e financeiras de um país.
Esta salutar rotatividade governamental é normalmente acompanhada pela chegada de novas pessoas, de novos governantes, com diferentes experiências de vida e com novas ideias e ideologias em relação ao futuro de um país, de uma região ou, apenas, de uma localidade.
Por vezes, o mesmo principio tem aplicação nas democracias em que, após as eleições, o poder não muda de mãos. Este poder instalado, procurando manter fiel o seu eleitorado e a sua base de apoio, indica normalmente, para lugares de relevância política, aqueles que empunharam as bandeiras nas ruas, nos comícios, que se expuseram e deram a cara nas listas candidatas, ou simplesmente têm o cartão da cor certa.
São estes os grandes merecedores da confiança e do favor de quem vence uma eleição, seja legislativa, regional ou autárquica.
Não admira, pois, que fazendo uso desta escolha governativa,o Partido Socialista na Câmara Municipal da Horta tenha chamado para lugares de nomeação política muitos desses que contribuíram para a sua vitória nas últimas eleições autárquicas. Quando no passado a palavra de ordem do Município era a poupança, pois viviam-se tempos difíceis, hoje o despesismo passou a imperar no seio de quem está no poder camarário.
Ora vejamos. As nomeaçõesque foram feitas de mais dois novos secretários de apoio à vereação no poder, a acrescer aos três elementos que já faziam parte do Gabinete do Presidente da Câmara Munici-pal, evidenciam-nos que não há qualquer pejo em usar e gastar o dinheiro público para cumprir promessas e satisfazer clientelas partidárias.
A questão pertinente que assola qualquer cidadão desta cidade, independentemente da sua orientação política é a de saber, se durante os mandatos camarários anteriores não foram necessários dois secretários, o que mudou no Muni-cípio, depois das eleições autárquicas, que tenha justificado estas nomeações?
Quando, há quatro anos, um dos vereadores do partido no poder, assumiu a presidência da administração da empresa pública municipal UrbHorta, acumulando com o seu lugar na vereação, justificou-se esta medida como uma clara racionalização de custos para o erário público. Atitude louvável em prol das finanças camarárias.
Hoje, o Presidente da Câmara Municipal, deixou de lado esta acumulação de cargos, esta redução de despesa e nomeou para presidir à empresa municipal alguém da área do ensino, mas sem qualquer experiência na gestão empresarial, tão urgente quanto necessária para colocar esta entidade e os serviços que presta em outro patamar. A este juntou outra cara conhecida pelas suas habituais apresentações em colaboração com essa empresa, mas que, de futuro, poderão estar em causa por um claro conflito de interesses.
Urge, então, questionar se havendo esta separação de funções, com mais um cargo de nomeação politica, justifica-se haver mais um vereador a tempo inteiro no município?
Ou porque não houve então uma rotatividade entre os vereadores eleitos do PS para assumirem o cargo de Presi-dente do Conselho de Adminis-tração da UrbHorta? É importante que estas e outras interrogações sejam esclarecidas junto dos cidadãos da ilha.
Onde antes era urgente poupar, agora é importante distribuir, por isso, um dos princípios basilares norteadores da gestão e atuação de qualquer político, que é o uso parcimonioso de dinheiros públicos, parece ser posto em dúvida nestes primeiros tempos de governação autárquica faialense.

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