Em Dia de Todos os Santos, sempre me lembro de Gente Boa e Santa que conheci bem de perto.
Se apreciei as primeiras, por suas obras e atitudes, quanto às segundas, só Deus sabe.
Mesmo assim, vou avançar com algumas linhas referentes a umas cinco que muito me sensibilizaram.
1 – José Fialho
Tive oportunidade de conviver com o polícia Fialho nos Cursos de Cristandade, tendo admirado seu Coração de Ouro.
Morava na Ladeira da Conceição, e com o apoio da esposa, Dona Alice, levou a efeito meritória acção de Caridade, virada inteiramente para a Juventude pobre que vivia nas redondezas da Igreja paroquial.
Muitas terão sido as vezes que abriu a porta de sua modesta casa para matar a fome a rapazes, quiçá o primeiro pão que nesse dia comiam.
Não me canso de lembrar o dito, que o também saudoso Romão, após o funeral:
Se o Fialho não está no Céu, o melhor é arrumarmos as botas.
2 – Fátima Laranjo
Ainda estávamos na Horta quando, em certa manhã, a Fátima Laranjo surpreendeu a Maria João a solicitar ajuda, naturalmente confiante que a sua amiga da Acção Católica lhe resolveria o problema.
É que precisava alojamento para uma dúzia de crianças que trazia da Terceira, em viagem de recreio.
Tudo foi resolvido, mas nunca terei visto minha mulher tão preocupada, embora sabendo que para ela nada era impossível.
E uma vez em Angra do Heroísmo, a viúva do conhecido futebolista Laranjo, dos verdes da Alagoa, passou a ser visita frequente ao 139 da Rua de Jesus, nas suas andanças, citadinas, a colher apoio destinado aos mais necessitados.
3 – O Lopes
Era o mais novo dos três filhos de simpático casal que, de Cabo Verde, veio para o Faial, julgo por altura do Terramoto de 31 de Agosto de 1926.
Quando começou a frequentar a nossa casa, então à Rua do Relógio, não me lembro, mas sei que foi rapaz benquisto, em toda a família de Constantino Amaral e Humberto Santos.
Teve porém, uma vida conjugal algo difícil, quiçá aliviada com a emigração para a América aquando do Vulcão dos Capelinhos.
Por sinal, a Maria João e eu tivemos o gosto de almoçar na sua casa em Rhode Island, tendo sido o filho, um desembaraçado jovem, quem nos foi buscar a New Bedford, onde estávamos de visita à Candinha e sobrinhos.
Anos depois, vindo ao Faial, trouxe-nos uma garrafa de Whisky, dizendo na sua apreciada franqueza, à Maria João: Não sei se é bom mas sei que a senhora vai gostar da garrafa: além de bonita era assaz diferente.
E na véspera de regressar à “Terra dos Dólares” veio lhe propor a compra de incompleto mas trabalhado faqueiro por querer ainda oferecer algum dinheiro a dois velhos amigos.
Ainda hoje o utilizo todos os dias, fazendo-me lembrar o bom Lopes sem jamais esquecer seu embarque à noite na Doca: de casacão, chapéu e bengala a rodopiar qual figura de “Raízes”.
A concluir Mestre António e Padre Escobar

Imagem: José Fialho e esposa D. Alice Garcia Fialho