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07
dezembro

Retalhos da nossa história - CCLXXIII - Arcebispo de Goa e primaz do Oriente natural do Faial

Escrito por  Fernando Faria
Publicado em Fernando Faria
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Em cinco séculos de história, os Açores já deram ao mundo 18 bispos. Como já aqui assinalámos, apenas dois deles estiveram à frente da Diocese de Angra: D. Frei Alexandre da Sagrada Família (1816-1818) e D. António de Sousa Braga (1996-2016). Naturais de seis das nove ilhas açorianas, esses antístites lideraram bispados de Angra, do Funchal, do Brasil, dos Estados Unidos da América e, sobretudo, do então chamado Portugal Ultramarino (Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor).
O Pico foi a ilha de nascimento de cinco desses prelados: D. João Paulino de Azevedo e Castro (bispo de Macau), D. José da Costa Nunes (bispo de Macau, arcebispo de Goa, patriarca das Índias Orientais e Cardeal), D. José Vieira Alvernaz, (bispo de Cochim, arcebispo de Goa e Damão, patriarca das Índias Orientais), D. Jaime Garcia Goulart (1.º bispo de Dili, Timor) e D. Arquimínio Rodrigues da Costa (bispo de Macau).
Foram quatro os bispos oriundos da ilha de S. Miguel: D. Frei Afonso Anes de Benevides (bispo de Meliapor, Índia), D. Manuel de Medeiros Guerreiro (bispo de Meliapor e depois de Nampula, Moçam-bique), D. Humberto de Sousa Medeiros (bispo de Brownsville, Texas e cardeal-arcebispo de Boston, Estados Unidos) e D. Paulo José Tavares (bispo de Macau).
A ilha de S. Jorge deu à Igreja os seguintes bispos: D. Frei Bartolomeu do Pilar (Grão - Pará, Brasil), D. Manuel Bernardo de Sousa Enes (Macau e depois de Bragança e Miranda) e D. José Pedro da Silva (Viseu).
Terceirenses foram os bispos D. Frei João Estaço (Puebla, Los Angeles) e D. Frei Cristóvão da Silveira (Goa e primaz do Oriente).
A ilha de Santa Maria foi berço de dois prelados: D. Luís de Figueiredo de Lemos (Funchal) e D. António de Sousa Braga (Angra e Ilhas dos Açores).
Oriundos do Faial foram o já referido bispo D. Frei Alexandre da Sagrada Família e também D. António Taveira de Neiva Brum da Silveira, arcebispo de Goa e primaz da Índia Oriental.
Este, tendo nascido na cidade da Horta a 22 de Julho de 1706, era filho de Tomás Brum da Silveira Porras Taveira e de D. Jerónima Maria Paim da Câmara e Sousa. Descendia de famílias aristocráticas. O seu pai foi fidalgo da Casa Real, cavaleiro professor da Ordem de Cristo, comandante do corpo de infantaria paga na ilha do Faial, além de familiar do Santo Ofício. A sua mãe era filha de Manuel Paim da Câmara e Sousa, moço fidalgo da Casa Real e capitão-mor da vila da Praia da ilha Terceira. Os primeiros estudos e orientação religiosa de D. António decorreram no convento de S. Francisco da Horta, daqui seguindo para Coimbra, onde como freire conventual da Ordem Militar de Santiago de Espada, foi aluno do Real Colégio Militar e da Universidade de Coimbra, tendo obtido o seu doutoramento em Cânones em 11 de Julho de 1730. Na cidade do Mondego foi, posteriormente, professor universitário e reitor do Real Colégio Militar, havendo dispensado a esta instituição um “particular afecto, como bem o demonstra o facto de lhe ter legado, por morte, a maior parte da sua biblioteca, ou seja, os livros adquiridos antes de ser arcebispo, no valor de 529$680 reis”1.
Em 21 de Janeiro de 1737, D. João V concedeu-lhe um benefício na igreja de Santa Maria do Castelo, em Alcácer do Sal e, como freire conventual da Ordem de Santiago, foi nomeado em 1748 juiz geral das Ordens. Por pouco tempo, contudo, ocupou este cargo, já que foi designado em 15 de Outubro de 1749 arcebispo de Goa, primaz da Índia Oriental, sendo confirmado por bula do Papa Bento XIV de 25 de Janeiro de 1750. Depois da sagração, embarcou nesse mesmo ano a caminho de Goa, na companhia do Marquês de Távora, D. Francisco de Assis, novo vice-rei da Índia e seu particular amigo que, nove anos mais tarde foi barbaramente justiçado pelo Marquês de Pombal no tristemente célebre processo dos Távoras.
A acção de D. António Taveira Brum da Silveira terá sido bastante positiva. Para Marcelino Lima, “notabilizou-se excepcionalmente, não só pelo tacto governativo, mas ainda pelo seu saber, que era muito, e bondade evangélica, que foi inesgotável, merecendo do Marquês de Pombal particular apreço”2.
Dotado de grande modéstia e suavidade, “governou com notável zelo, atraindo-lhe as suas virtudes o afecto dos seus diocesanos, o respeito e a estima de todos”. E a sua natural “severidade era acompanhada duma probidade constante, igual, incorruptível, dum amor extremado do seu povo e dessa qualidade tão rara, e todavia necessária a todos os governantes que a Escritura chama a fome e a sede de justiça. O seu zelo pela fé era tão vivo, quão firme, constante e ilustrado. Conservava rol de viúvas, órfãos e pobres, especialmente dos envergonhados, a quem socorria com mão larga”3. No exercício da sua actividade pastoral publicou editais, provisões, pastorais e decretos, além de haver promulgado as “Constituições do Arcebispado de Goa”. De muito interesse para um correcto conhecimento da vida e obra de D. António Taveira da Neiva Brum da Silveira é o livro de Maria de Jesus dos Mártires Lopes “Epistolário de um açoriano na Índia” que estuda e publica a sua correspondência do período de 25 anos em que ele esteve no Oriente (1750-1775). Homem de débil constituição, acusando já muita doença e fadiga física, D. António apresentou o seu pedido de renúncia no ano de 1774, sendo substituído por D. Francisco da Assunção e Brito. Deixando Goa no ano imediato de regresso a Portugal, acabaria por falecer durante a viagem, a 2 de Junho de 1775, pelo que o seu corpo foi lançado ao mar próximo do mítico Cabo da Boa Esperança. Ao contrário do que era seu desejo, com expressão testamentária, não chegou a sepultar-se na capela do Santíssimo do Convento do Carmo desta cidade da Horta, mas teve como túmulo as profundezas dos mares da África do Sul. Homem do seu tempo, “D. António foi, um açoriano de grande craveira intelectual e uma figura de prestígio quer no meio cultural de Coimbra quer na Índia, onde deixou uma vasta obra pastoral que, se por vezes se caracterizou por uma certa intransigência e radicalismo, foi na verdade muito exigente, honesta e profunda nos seus frutos espirituais”4. 

(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

1Maria de Jesus dos Mártires Lopes, Epistolário de um Açoriano na Índia: D. António Taveira da Neiva Brum da Silveira (1750-1775), Ponta Delgada, 1983, p. 19
2Marcelino Lima, Famílias Faialenses, p. 146
3Padre Ernesto Ferreira, Bispos Filhos dos Açores, in “Arquivo dos Açores”, vol. XIV, p. 79
4Maria de Jesus Mártires Lopes, ob. cit. p. 38

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