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07
dezembro

Adeus aos meus amores que me vou p`ra outro mundo

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL
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"Afinal, o mais importante (…) nesta curta passagem pela Terra, é procurar manter o estar e o ser em harmonia no máximo de tempo possível ao longo da vida. E quando tivermos de partir, desejar serenamente deixar de estar antes de deixar de ser. Isto é, ver lucidamente a última etapa da vida", escrevia-se na biografia de Belmiro de Azevedo “História de uma vida”, de 2001.

Dois momentos de dois dias seguidos bastaram para que Portugal perdesse duas das suas mais ilustres figuras. Uma, Belmiro de Azevedo, considerado o melhor empresário português de sempre. Outra, Zé Pedro, um dos maiores percursores do Rock em Portugal.
Belmiro de Azevedo, o empresário mais importante dos últimos 40 anos em Portugal, construiu o seu império a partir do zero. Engenheiro de vocação, estudava o mundo em mudança e fazia estudar todos os que trabalhavam com ele, pois acreditava que sem conhecimento era difícil ser competitivo.
Há muitos anos que figurava na revista “Forbes” como um dos portugueses mais ricos do mundo, com uma fortuna avaliada em dois mil milhões de dólares. A SONAE é a expressão clara de um grupo empresarial com ramificações em todas as áreas da economia, desde o retalho, à indústria alimentar, passando pelo imobiliário até às telecomunicações.
Zé Pedro, figura carismática e irreverente, fundou, juntamente com Tim, Kalu e João Cabeleira, o melhor e mais popular grupo de rock português de todos os tempos, os Xutos & Pontapés. “Remar, Remar”, “Homem do Leme”, “A minha Casinha”, “Chuva dissolvente” ou “N`Ámérica”, são alguns dos temas mais importantes da sua carreira e dos seus Xutos.
Doente há vários meses, mas acompanhando sempre os Xutos nas suas mais de vinte presenças em palco só no presente ano, a sua carreira de mais de 40 anos, com um último espetáculo no início de novembro no Coliseu de Lisboa, terminou no passado dia 30 de novembro.
Em Portugal, foi considerado o símbolo maior de uma música que mudou mentalidades, consciências, comunidades e pessoas. A ele, tal como sempre fez perante o público que o aplaudia no final de cada espetáculo, há que prestar a devida vénia.
Ainda não refeitos destas perdas importantes para todo o Portugal, já os Açores discutiam no Parlamento Regional o Plano e Orçamento para o ano de 2018 que culminou com a sua aprovação apenas com os votos favoráveis do Partido Socialista.
Isto não sem antes os deputados ali presentes nos brindarem com episódios demonstrativos da displicência e do desinteresse com que tratam o Parlamento e os Açorianos.
Será que é consentâneo com o seu estatuto e a sua atividade, ou de qualquer outro trabalhador, os deputados realizarem às 11.30 um intervalo de 30 minutos, voltarem para o Plenário às 12.00 horas e às 12.15 horas pedirem novo intervalo de 15 minutos? Será que o Parlamento fica bem visto quando se começa a sessão da tarde às 15.30 horas e se interrompe às 15.35 horas até às 17.15? Ou quando a sessão começa às 10.15 horas, marcam-se as presenças e às 10.30 se pede um intervalo regimental de 5 minutos?
São estes os momentos que em nada dignificam a democracia e põem em causa o Parlamento e os nossos representantes aos olhos da opinião pública.
Quanto à sessão propriamente dita, não entrando na discussão sobre se o Plano corresponde aos anseios do Faial, merece destaque o Presidente do Governo Regional. O discurso final de Vasco Cordeiro, a sua eloquência e entoação, a confiança demonstrada perante as câmaras de televisão e o seu povo, dissiparam quaisquer dúvidas que houvessem acerca da sua capacidade para ainda liderar a Região.
Por seu turno, Duarte Freitas tinha aqui uma das suas últimas oportunidades para mostrar aos eleitores que pode ombrear lado a lado com Vasco Cordeiro, mas o tom melancólico e sem ideias inovadoras que imprimiu ao seu discurso final, foi revelador que não tem ainda condições para aspirar ao poder.
Finalmente, este debate serviu também para evidenciar o enorme erro de casting que Vasco Cordeiro teve aquando da última remodelação governamental, nas áreas mais importante para a Região que são os transportes e obras públicas. 

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