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15
dezembro

Reflexões Crónicas - Puxar o Faial para Baixo

Escrito por  Tiago Simões Silva
Publicado em Tiago Silva
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Recentemente, durante o debate na ALRAA sobre o Orçamento para 2018, um deputado eleito pelo Faial usou a expressão “puxar o Faial para baixo”. A expressão foi utilizada numa resposta a outro deputado eleito pelo Faial, que referia os projectos prometidos e depois adiados ou esquecidos pelo Governo Regional para a nossa ilha. Ou seja, alguém referia os problemas que a ilha tem e precisa de resolver, e a resposta que teve foi que estava a “puxar o Faial para baixo”. Não me vou alongar sobre esta situação, que de resto fica explicada num artigo publicado neste mesmo espaço na semana passada, da autoria de Rui Martins e intitulado “Branco, mais claro não há!”.
O que me leva a reflectir sobre esta intervenção de um deputado que se põe contra quem defende a ilha que o elegeu (o que não é novidade, pois já não é o primeiro), é mesmo a expressão utilizada. É que este “puxar o Faial para baixo” não é novo, foi muito utilizado por várias pessoas durante a recente campanha eleitoral, e, dada a nova ocorrência, fico com a sensação que se tratará de uma estratégia concertada (até aqui acreditei tratar-se simplesmente de falta de imaginação ou de ter surgido nalguma daquelas mentes que compensam em excesso de demagogia o que lhes falta nas restantes capacidades).
O comum a todas estas “ocorrências” (além da filiação partidária dos seus autores) é esta expressão surgir sempre como resposta a alguém que está a “pôr o dedo na ferida” em relação a algum problema do Faial. Alguém diz, por exemplo, “a nova obra do porto vai prejudicar a marina, é preciso pensar muito bem como se vai fazer”, resposta (exaltada): “Lá está o Senhor a puxar o Faial para baixo”. Eu próprio, numa conversa há uns meses, na qual apresentei “a quem de direito” a minha preocupação com um determinado problema, ao criticar a solução (claramente ineficiente) e propor soluções possíveis para o resolver, recebi como resposta “Lá estás tu a dar cabo do trabalho das pessoas! Sempre a puxar o Faial para baixo!”.
A ver se nos entendemos: nunca ninguém resolveu um problema sem saber que problema tinha para resolver. Se queremos desenvolver esta ilha a primeira coisa a fazer é identificar o que está mal, para depois se discutirem possíveis soluções. Infeliz-mente existe uma cultura política em Portugal (e o Faial é pródigo em exemplos) que define que primeiro se inventam as soluções e só depois se pensam sobre os problemas (a chamada cultura do betão). Resultado: na maior parte das vezes resolvem-se mal as coisas, por vezes não se resolve nada e quase sempre se criam novos problemas que não existiam antes. É como o ciclo vicioso dos medicamentos: o doente toma um comprimido para o coração que lhe faz mal ao estômago, depois toma um para o estômago que faz mal aos rins, o dos rins prejudica o fígado..., no fim toma 15 comprimidos por dia e o médico acaba por concluir que o do coração afinal não era necessário...
No Faial temos políticos e cidadãos muito preocupados, que passam o tempo a reclamar e a apregoar cidadania activa, mas cada vez que alguém abre a boca para apontar um problema e tentar resolvê-lo lá vem a conversa do “bota abaixo”, do “sempre a puxar o Faial para baixo!”. Apontar os problemas, sobretudo acompanhados de propostas de soluções, não é “puxar para baixo”, antes pelo contrário, é abrir caminho para puxar para cima (se me permitem a expressão). Se queremos ter seriedade nalguma discussão (que é coisa que, infelizmente, falta muitas vezes) não se pode querer defender o Faial e depois acusar e tentar calar quem aponta problemas. Quem tem essa atitude é que anda a “puxar para baixo” e é precisamente devido a estas atitudes que o Faial não avan-ça. Se queremos resolver alguma coisa temos de trabalhar todos em conjunto, ouvir os cidadãos e saber reconhecer e enfrentar os problemas que existem, pois só assim os po-deremos resolver. E é preciso deixar partidarismos, bairrismos, clubismos e interesses de fora, só há dois lados nesta questão: quem está pelo Faial e quem está por outros interesses. E quem responde aos problemas assobiando para o lado e insultando quem os apre-senta não está pelo Faial, está, isso sim, a “puxar o Faial para baixo”.
Fica a reflexão. 

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Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o "Acordo Ortográfico" de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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