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15
dezembro

Gente Boa e Santa

Escrito por  Armando Amaral
Publicado em Armando Amaral
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4- Mestre António

António Dutra de Medeiros era seu nome, porém mais conhecido por Mestre António Tesoureiro por ser da popular Família cedrense, ligada anos sem fim ao honroso cargo da Igreja paroquial.
Exercia também, com reconhecida competência, a carpintaria, de cuja arte era mestre.
Teria eu, uns sete anos quando assistia com curiosidade à instalação da Fábrica de Lacticínios, em antiga casa em pedra, à Rua da Igreja, logo atrás do Império da Praça.
Natural que lhe tirasse o juízo com perguntas infantis sem conto mas ele continuava impassível, mesmo quando insistia na feitura de uma trotineta, brinquedo já muito usado pelas crianças da cidade que ele não conheceria, mas não se esqueceu, pois tempos passados ainda dela falava.
Em compensação fez-me um carro de ladeira que muito apreciei, não me fartando de descer o ingreme caminho que vai da Praça às Areias.
Voltando à Fábrica: a complicada prensa em madeira, desenhada por meu pai, foi executada pelo compadre, designação muito do gosto do Mestre António.
Além da manteiga já no mercado cedrense, a Fábrica, em apreço, era a primeira no Faial a produzir queijo, pelo menos recordo, o de bola, tipo flamengo que ainda hoje está entre os produtos premiados “Ilha Azul” da CALF.
Com a nossa vinda para a Horta, veio viver uns meses connosco, para fazer um guarda-fatos desenhado por meu pai e também umas cadeiras de sala jantar, muito do gosto de minha mãe, iguais às que tinha visto em casa da colega Noémia Coelho e por esta executadas.
Como já andasse no Liceu e a idade fosse outra, não o terei apoquentado, mesmo assim ele falava-me da tal trotineta.

5 – Padre Escobar

Nascido nos Cedros, paróquia que, nas primeiras décadas do século XX, era autêntico viveiro de Sacerdotes.
Começou seu frutuoso apostolado em São Jorge, vindo depois para os Flamengos, onde permaneceu até à reforma, passada em vivenda nas Angústias, sem nunca deixar de auxiliar os colegas, sobretudo Mons. Júlio da Rosa.
Na freguesia do Vale, morava em casa de r/c na Rua da Igreja, sempre acompanhado da simpática irmã Aurora.
E do belo Templo mesmo depois da reconstrução, estendeu santos tentáculos pelo Farrobo, Ruas da Igreja e da Travessa, Cruz do Bravo e Lameiro Grande, Rua Formosa.
Deixou interessantes escritos: Memorial da Ermida de São Lourenço e Ouvidores da Horta, livros que enriquecem a História religiosa da Ilha.
Quiçá em última etapa sacerdotal dedicou-se aos mais idosos no Centro de Acolhimento, tendo, para tal, compilado um sem número de inocentes anedotas.
Uma vez que veio à Terceira, não deixou de nos visitar, tendo-nos brindado com algumas da sua colecção.
Embora o tema não fosse sua especialidade, o que é certo é que o Serão foi deveras divertido.
Quando estávamos no Faial, Maria João e eu tínhamos uma relação boa com o Padre Escobar e a Aurora, para tal contribuía a Acção Católica e as Escolas Comunitárias.
Todavia, surpreendeu-me o facto de ser adepto assaz entusiasta do Fayal Sport.
Só que havia um senão: Nunca assistia a jogos da equipa verde com a azul do Flamengos.

E com dois virtuosos Cedrenses terminamos esta mini-serie sobre Gente Boa e Santa.

 

O belo Templo do Vale

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