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20
dezembro

Componente espiritual da paisagem

Escrito por  Cláudia Ávila Gomes
Publicado em Cláudia Ávila Gomes
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No início do povoamento o homem açoriano logrou apoderar-se do território de um modo não apenas físico mas também espiritual. A consagração do espaço desconhecido a Deus era um dos primeiros rituais concretizados pelos colonos aos desembarcarem nas ilhas, e em alguns casos essas ações ficaram cristalizadas na toponímia, como é o caso do lugar de Santo Espírito onde segundo Gaspar Frutuoso se disse a primeira missa ao Divino Espirito Santo na ilha de Santa Maria.
A comunhão do homem com o sagrado das ilhas era concretizado por meio de rituais próprios que visavam ordenar o caos inicial e a apropriação do espaço pela cultura, ou seja e dito de outro modo, a transformação de uma natureza selvagem e desconhecida numa paisagem. Alguns desses rituais eram regularmente repetidos, e com esse fim surgiu a implantação de objetos sagrados como ermidas e cruzes, que vieram pontuar o espaço e delimitar a paisagem. As ermidas e cruzes funcionavam simultaneamente como objetos sagrados e fronteiras, tanto para o interior das ilhas onde o desconhecido espreitava, como para o lado do mar de onde poderiam vir potenciais ameaças. Serviam também como pontos de referência e pontos miradouro na paisagem. E deste modo ao longo dos tempos o espaço habitado pelos homens foi sendo simbolicamente demarcado e referenciado com sinais do sagrado. De facto, e segundo João Marinho dos Santos, “os primeiros colonos fundaram/consagraram ali, no meio do Atlântico, um novo mundo, e predispuseram-se a pô-lo em comunicação permanente com Deus. Assim, impunha-se mostrar sinais dessa decisão a quem quer que chegasse e daí a escolha de determinados pontos bem visíveis para a implantação de objetos sacrais.”
As ermidas, assim como muitas igrejas, constituem-se desde os tempos da Europa medieval como meio de apropriação de um espaço caótico e indiferenciado (a floresta) mas também como lugares de meditação, repouso e cura. A marca que as ermidas ou pequenas igrejas imprimem na paisagem das ilhas quando emergem sobre os aglomerados afirmando o seu papel protetor encontra-se patente na ermida de Nossa Senhora da Guia, no Monte da Guia, no Faial, por exemplo. No limite dos aglomerados urbanos surgem conjuntos religiosos monumentais que permitem a criação de efeitos cénicos de grande qualidade como é o caso da igreja da Misericórdia em Angra, logo junto à entrada da cidade a partir do mar. Um efeito cénico de grande qualidade é também criado pelo conjunto das igrejas da Horta que, em anfiteatro e viradas para o Pico, assinalam e pontuam uma cidade já de si naturalmente cenográfica pela sua implantação. As igrejas e ermidas assinalavam e delimitavam o espaço no interior do qual o homem poderia andar em segurança, eram fulcrais no estabelecimento de uma paisagem cultural mas também de um mapa mental da mesma que permitisse a orientação.
Paralelamente à implantação destes elementos pontuais sacralizadores do espaço surgiam percursos: vias de comunicação entre os diversos povoados ou então os acessos às próprias igrejas e ermidas, onde se concretizavam procissões e romarias. As festividades religiosas marcaram desde cedo a cultura e a paisagem açorianas assinalando-se não só lugares espaciais mas também tempos sagrados ao longo do ciclo anual das estações do ano e dos trabalhos agrícolas. De entre estas festividades merecem especial destaque as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres que se realizam em São Miguel e as festas do Espírito Santo realizadas em todas as ilhas dos Açores. Merece também especial destaque o Natal, sempre tão vivido nas nossas ilhas, até à atualidade. Feliz Natal!

João Marinho dos Santos, - “Os Açores nos séculos XV e XVI (volume I)”. Ponta Delgada: Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1990. pg. 142

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