1. Chegou já o Natal das iluminações, das luzes, das decorações, das campanhas, das promoções. Chegou já o Natal dos presentes que se compram e se oferecem. Aquele velhinho simpático, bonacheirão, de trenó, já anda por aí a distribuir presentes antecipados em natais precoces. Nas nossas casas já se penduram os enfeites, já se decorou a árvore, já se programam comidas e encontros de família e amigos.
2. A euforia consumista absorve-nos a todos, quase sem exceção. Não resistimos ao apelo da publicidade. Não resistimos aquela novidade que nos parece ser de uma grande utilidade e que, depois, acaba arrumada no fundo da gaveta mais funda do mais fundo armário, sem utilidade. Não resistimos a mais uma compra, a mais um objeto, a mais um artifício para um Natal pessoal que se quer pleno e resumido às prendas que se dão ou que se recebem.
3. E as nossas crianças, desde cedo estimuladas a escrever cartas ao Pai Natal, vivem já a euforia dos brinquedos e aguardam esta época propícia a pedir tudo o que mais podem e anseiam. Elas próprias, desde pequeninas são envolvidas neste ideal de consumo que se esgota em si mesmo.
4. São tudo sinais dos tempos. Ou de um tempo particularmente empenhado em apagar da vivência humana a experiência interior da espiritualidade e da religião, ridicularizada e substituída por um consumismo desenfreado, que seca tudo à sua volta. O papa Bento XVI bem alertava em 2011: “O Natal converteu-se hoje numa festa do comércio, cujas luzes ofuscantes escondem o mistério da humildade de Deus, que nos convida à humildade e à simplicidade.”
5. Vivemos cada vez mais um Natal sem o Menino Jesus, aquele que, em boa verdade, é a razão da sua existência. Temos luzes, árvores, enfeites, velhinhos de barbas, mas não temos nas nossas casas o Presépio do Menino Deus. Aquilo que devia ser o centro da memória em cada Natal foi pura e simplesmente afastado das nossas casas e, mesmo das nossas vidas, trocado pela atração do materialismo consumista.
6. Como rezava Bento XVI, “Peçamos ao Senhor que nos ajude a atravessar com o olhar as montras deslumbrantes deste tempo até encontrar detrás delas o Menino no estábulo de Belém, para assim descobrir a verdadeira alegria e a verdadeira luz.”
Neste espírito, desejo a todos um santo e feliz Natal!