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19
janeiro

Unidade Sempre

Escrito por  Armando Amaral
Publicado em Armando Amaral
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“É de facto Portugal que nos tem unido no passado, nos une hoje e nos continuará a unir no futuro” diz o Representante da República na sua Mensagem de fim de ano ao Povo Açoriano.

E o ilustre Embaixador Pedro Catarino frisa. “Essa união constitui um bem precioso e uma mais valia para todos nós”.
Como de sabe, são três os Órgãos constantes do Estatuto da Autonomia:
Representante da República, na cidade dos Capitães Generais e de Património Mundial.
Assembleia Legislativa, na cidade do Mar e cosmopolita.
Presidência do Governo dos Açores, na cidade mais populosa e progressiva do Arquipélago.
Estatuto esse elaborado em Comissão de que faziam parte personalidades dos principais Partidos, na vigência da Junta Regional dos Açores, presidida pelo Gen. Altino Magalhães.
Recorde-se que nesse ano, o Ministro da República (agora Representante) foi mal recebido em Ponta Delgada, por gente ligada à FLA, com Mota Amaral a puxar os cordelinhos; nem terá tido tempo para abrir as malas, logo seguindo para a Madre de Deus, na Terceira.
Por sinal, ficou assim mais equitativa a distribuição dos ditos Órgãos pelas ex-capitais de Distrito.
Todavia, os primeiros anos foram algo conturbados e por vezes com factos folclóricos, como as gravatas pretas dos laranjas no Areópago da Horta e a Guerra das Bandeiras com os militares.
Entretanto, acontece: a calculada e pensada ida de Mota Amaral para São Bento; a entrada de Carlos César para a governança regional, e a nomeação do prestigioso Gen. Rocha Vieira para Governador de Macau em época histórica das centenários relações de Portugal com a China.


Assiste-se então a mudança no Cargo, passando a ser ocupado por Representante da República e não por Ministro que tinha assento no respectivo Conselho e a prerrogativa de ser coordenador dos Serviços do Estado nos Açores: Justiça, Defesa e Estrangeiros.
Também a posse dos Governantes passa a ser realizada na Assembleia Legislativa.
Sempre achámos que para se comprar alfinetes não seria preciso autorização do Terreiro do Paço.
Naturalmente uma maneira exagerada de classificar a mancheia de dependências a que os açorianos estiveram sujeitos desde que em Quinhentos naus com a Cruz de Cristo aportaram à ilha de Santa Maria , nome dado em agradecimento à Rainha do Céu.
Muitos anos passaram até 2 de Março de 1890, histórica data, em que foi assinado na Capital do Império o Decreto de Hintze Ribeiro que deu Autonomia administrativa aos açorianos, a solicitação dos Deputados de São Miguel, no Parlamento Nacional, Aristides da Mota e Mont`Alver-ne Sequeira.
E passadas umas oito décadas surge o 25 de Abril e o Verão quente de 1975 contra a ameaça dos militares comunistas.
Nos Açores, o pontapé de saída foi dado na manifestação popular de 6 de Junho em Ponta Delgada e a demissão do Governador Borges Coutinho, logo seguida na Horta e Angra, com o aproveitamento da surgida Frente de Libertação dos Açores.
É após da reacção nacional em 25 de Novembro que a Autono-mia é finalmente concedida ou dada!.
Como estamos em tempo de reflexão do actual regime, achamos que o Cargo em apreço não poderá ficar de fora.
Açoriano, com muitos anos dedicados à política regional, achamos que sendo o Represen-tante da República o 1.º Órgão da Autonomia, devia continuar a ter o privilégio de empossar os Governantes regionais.
E uma vez que há e haverá Serviços do Estado na Região, justificava-se seu regresso às reuniões do Conselho de Ministros, sempre que estivessem em causa matéria especificas relacionada com os Açores.
Também somos de opinião que essa de “Autonomia Progres-siva” é ante-camara para a independência, pois lá diz o provérbio que grão a grão enche a galinha o papo.
Julgo que não seria esta a intenção dos ilustres micaelenses, em fins do século 18.
Se bem que alguns dos seus patrícios parecem querer ir hoje de 8 a oitenta.
Mas como intitulámos, seremos sempre pela Unidade. 

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