Só muito recentemente entrei em contacto, através de leituras, com o pensamento de Amartya Sen, economista e filósofo indiano, Prémio Nobel da Economia em 1998. Tenho por hábito ler o relatório anual do "Índice de Desenvolvimento Humano" (IDH), publicado no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); desconhecia, porém, que foi Amartya Sen quem criou este conceito e o aplicou aos estudos económicos. Aplicou ainda o conceito de "Felicidade Interna Bruta" (FIB), segundo consta, criado pelo rei do Butão no ano de 1972, para avaliar não apenas os fatores de desenvolvimento económico mas o bem-estar subjetivo do seu povo.
Para Amartya Sen, a economia e o crescimento económico não deveriam constituir um fim, mas um meio para promover a “centralidade das vidas humanas" e potenciar “a capacidade de ser feliz", sabendo que o bem-estar individual e coletivo depende de múltiplos fatores, como as representações simbólicas e as expetativas que determinam, em última análise, o grau de bem-estar de cada um. Os pressupostos enraizam na "Ética a Nicómaco", de Aristóteles, que define felicidade como o fim último; a “vida boa e com valor”; o "bem supremo"; a “vida objetivamente desejável”; a “vida virtuosa assente na razão”.
Tradicionalmente, a Economia mede a qualidade de vida das sociedades através da quantidade de bens, mercadorias e serviços que são produzidos; o bem-estar mede-se em função da satisfação de vida das pessoas, as emoções positivas, a preponderância do afeto; a experiência emocional de satisfação ou prazer pela vida; o reconhecimento. Reconhecer o outro é chamá-lo à existência: “conheço-te”; “sei que tu existes”. Por essa razão, o reconhecimento gera bem-estar subjetivo e potencia emoções positivas nas relações humanas e nas relações organizacionais. As perceções positivas dos sujeitos e das organizações permitem desenvolver potenciais criativos, desenvolvimento pessoal, promovem expetativas e a autonomia - espaço de liberdade, onde o indivíduo imprime a sua marca singular, através da ação.
Resta-nos, pois, reinventar o caminho da nossa vida coletiva, tendo em vista os fins justos e “objetivamente desejáveis”, garantindo a participação e a autonomia dos mais vulneráveis e dos excluídos.