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23
fevereiro

Pior… É impossível!

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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1. As últimas semanas foram arrasadoras. Vários indicadores estatísticos mostraram à saciedade que, apesar das aparências, apesar da forte propaganda que a quase todos submerge e apesar do alheamento da maior parte da população, as coisas não vão bem nos Açores. Infelizmente.

2. Desde logo, a publicação dos rankings das escolas veio colocar a nu a situação paradoxal do ensino nos Açores. Apesar dos milhões investidos (nem sempre bem!) em infraestruturas que tornaram o parque escolar dos Açores muito mais moderno e eficaz; apesar de possuirmos um quadro de docentes relativamente jovem e qualificado; apesar de na maioria das escolas haver um número de alunos por turma equilibrado e funcional; a verdade é que, ano atrás de ano, estatística atrás de estatística, ranking atrás de ranking, nos Açores não conseguimos abandonar a retaguarda da educação.
E em vez de se estudar as causas desta situação, estrutural e persistente, e, em função do seu conhecimento, definir as políticas adequadas, têm-se optado sempre por expedientes que outro objetivo não têm do que iludir as estatísticas e os indicadores. O maior exemplo disso tem sido a questão do sucesso escolar nos Açores.
Levantam-se alguns contra os rankings das escolas e os seus critérios. E não deixo de aceitar que o trabalho que se faz nas escolas não se resume aos exames finais dos seus alunos. Mas também não deixo de reconhecer aos rankings alguma utilidade, sobretudo na medida em que revelam tendências. E elas mostram, claramente, que as escolas dos Açores estão maioritariamente entre as piores de Portugal. Infelizmente.

3. Também no abandono escolar somos os piores do país. Em 2017, os Açores registaram os valores mais altos de abandono (27,8%, aumentando por comparação com 2016), números que representam mais do dobro da média nacional (12,6%). Este indicador revela bem a incapacidade das políticas educativas em assegurar escolaridade e ou formação profissional a um número muito significativo de jovens, que precocemente abandona o sistema.

4. Por outro lado, anualmente, vimos acumulando a liderança no consumo de substâncias ilícitas. No relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) os Açores estão no topo na prevalência do consumo de estupefacientes a nível nacional. Os Açores e o Norte do país apresentaram, relativamente a 2016, as prevalências de consumo recente (últimos 30 dias) de qualquer droga mais elevada na população geral. A Região surge nos lugares cimeiros também no que se refere à utilização de drogas no consumo recente (últimos 30 dias) entre os mais jovens (dos 15 aos 34 anos de idade) a par da região Centro e de Lisboa. A prevalência do consumo de substâncias como canábis, cocaína e ecstasy nos Açores é superior à média nacional. Os Açores também se destacam com uma das maiores taxas de consumo de Novas Substâncias Psicoativas.

5. E como se não bastasse, o mesmo relatório do SICAD refere os Açores como tendo uma das maiores taxas de consumo de álcool a nível nacional, para além de estarmos entre as regiões do país com maior aumento da frequência de casos de “bingue” (beber várias bebidas alcoólicas num curto espaço de tempo), considerado um comportamento de risco.

6. A resposta do Governo Regional a estes números foi o anúncio de aumentar de 16 para 18 anos a idade mínima permitida por lei para o consumo de álcool nos Açores, para além de se anunciarem também alterações ao nível do licenciamento do consumo de bares e festivais.
Se isto não fosse muito sério, estas medidas propostas pelo Governo neste domínio quase me faziam rir!
Então quando há 10 anos, em 2008, o PSD (pela iniciativa do meu colega, eleito pelo Faial, Alberto Pereira) apresentou um conjunto de propostas legislativas para combater o flagelo do alcoolismo dos Açores e nas quais se incluiam exatamente essa de aumentar para 18 anos a idade mínima autorizada para o consumo de álcool, por que razão o PS a chumbou, com aquela conversa mansa de que o combate não se faz com a proibição?
Foram 10 anos que se perderam. E foram muitos os jovens que, à conta disso, também perderam um rumo na sua vida. Por causa de politiquices e de não se aprovarem as boas ideias que os outros apresentam! Infelizmente!


7. Até no consumo de refrigerantes somos os maiores do país!!!
Ao fim de mais de duas décadas de governo do mesmo partido não há onde procurar exteriormente responsabilidades.
Se a estes números somássemos, por exemplo, as lideranças que temos no número de açorianos no Rendimento Social de Inserção, ou as taxas elevadíssimas de apoios na Acção Social Escolar, ou os números da dívida pública açoriana, ou o número de açorianos em programas ocupacionais, teriamos, certamente, um quadro ainda bem mais negro e preocupante.
Como muito bem referia Osvaldo Cabral, não será tudo isto suficiente para nos Açores se “Parar para pensar” sobre o rumo do nosso futuro coletivo?


18.02.2018

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