Este ano é que é! A afirmação do Presidente da Câmara Municipal da Horta, aquando da apresentação do cartaz da Semana do Mar 2018, de que este ano aquele certame contará com a presença de “artistas de nível superior aos do ano passado”, deixou-me a mim e certamente também a muitos faialenses, baralhado, confundido, obrigando-me a agarrar no calendário eleitoral para confirmar se efectivamente este ano teríamos novamente eleições autárquicas.
Mas parece que não, apesar de se ouvir frequentemente de muitos populares que “devia haver eleições todos os anos”, pois é sabido que é nesse período que mais se gasta respondendo às necessidades e exigências da população.
O que é verdade é que o Presidente do Município quis fazer crer, aos presentes e aos partidos da oposição, que no Largo Duque D`Ávila e Bolama, não se olha a eleições e que a fasquia é, todos os anos, colocada a um nível cada vez mais alto.
Todavia, como sabemos, e apesar de gostos não se discutirem, o elenco apresentado fica muito aquém do anterior. Desde logo, e sem desprimor para o leque de artistas que irá abrilhantar a nossa festa e que andam por esses palcos fora há mais de 20, 30 anos, este cartaz é substancialmente inferior, quer em termos de notoriedade, quer em termos de atratividade de público, aquele que englobou Daniela Mercury, ou nomes sonantes portugueses que esgotam bilheteiras como o Tony Carreira.
O próprio Presidente corroborou deste entendimento quando considerou o espetáculo da artista brasileira como o melhor de sempre da Semana do Mar, e que, há sua conta, já soma 42 edições.
Por outro lado, quando se comparar os valores a serem dispendidos, a certeza que teremos é que este ano a festa custará muito, muito menos ao erário público que a do ano anterior, apesar de nunca ter sido claramente anunciado e esclarecido o valor gasto, e quanto custou efetivamente, cada hora do furacão brasileiro em palco.
Sem dúvida que é de bom tom, numa cerimónia pública, transmitir ao cidadão faialense que este ano terá ainda melhores artistas na Semana do Mar, mas isso não deixa de ser uma tentativa inócua de querer fazer tábua rasa da ideia pública óbvia que o cartaz do ano passado teve a bênção da aproximação das eleições autárquicas.
Contudo, se nada disso se verificou, então não se hesite em colocar nestas festas, ano após ano, um naipe de artistas semelhantes, sem discrepâncias notórias, independentemente de coincidir ou não com os períodos em que o cidadão se desloca às urnas.
E já agora, seria importante questionar a escolha dos artistas. Como é que a mesma é feita? E quem é que faz essa escolha? Na verdade, quem optou por escolher este leque de artistas para a Semana do Mar de 2018, uma das maiores festas de verão dos Açores, esqueceu-se por completo que, no ano transato, dois desses artistas, mais concretamente Os Resistência e a Mariza, atuaram nas festas da Madalena do Pico e foram vistos por centenas de faialenses e picoenses que dificilmente atravessarão o canal para assistirem a um espetáculo repetido.
Esta escolha dá-nos, pois, a entender que a ilha do Faial parece agora andar a reboque do que já aconteceu no Pico. Ou será que a ilha do Pico, com as suas grandes festas de verão é a montra do que o Faial vai fazer no ano seguinte? Olhando para a panóplia de artistas presentes nas edições recentes, esta opção é a que tem sido mais seguida pelos nossos responsáveis, pelo que se lhes exige um maior cuidado nessa seleção, cuidando, sobretudo, de não repetir os artistas.
Mas independentemente do cartaz, e como a Semana do Mar não se faz apenas do cartaz musical…ainda acredito que haja alterações e melhorias que possam realmente justificar que esta seja efetivamente a melhor Semana do Mar de sempre!