No fim de semana decorreu a 90.ª Cerimónia da entrega dos óscares, dando a conhecer o que melhor se fez no cinema no ano transato, mas por cá também não faltaram cenas interessantes. Ora vejamos!
Aquando da visita de um deputado regional faialense, eleito pelo Partido Socialista, a um empreendimento turístico do Faial para mostrar a evolução positiva do turismo na ilha, foi o mesmo questionado acerca da possibilidade da Ryanair voar para a ilha do Faial, tendo, na altura, afirmado que o que é importante nesta matéria é que, independentemente, de qual seja a ilha do Triângulo a escolhida pela companhia aérea, é sempre uma mais-valia para o Faial.
Sem questionar a legitimidade das suas afirmações e acreditando que não tem conhecimento privilegiado acerca do assunto, pareceram-me, no entanto, desprovidas de qualquer intenção, real e concreta, por melhores acessibilidades aéreas para a nossa ilha, como que dando a entender que, para ele, era indiferente que a Ryanair não voasse para o Faial, desde que aterrasse no Pico.
Dito de uma forma nua e crua, esta posição do deputado faialense ruma notoriamente em sentido oposto à vontade e aos interesses dos políticos, empresários e cidadãos da ilha do Faial, que anseiam urgentemente pela presença de uma nova companhia aérea, no caso em questão, de uma companhia low cost, no seu aeroporto.
No meu entender, quando ocupamos cargos políticos, sujeitos ao escrutínio popular, devemos, em primeiro lugar, defender quem nos elegeu e o círculo eleitoral pelo qual somos eleitos e não orientar a nossa conduta em função de fugazes interesses político-partidários.
Daí que seja incompreensível e até inaceitável que o deputado, eleito pelos cidadãos do Faial, não defenda, ou melhor, não reivindique para a sua ilha e apenas para esta melhores transportes aéreos.
O Faial, a sua pista e o seu aeroporto devem estar sempre em primeiro lugar.
Associada a esta tirada trágica, naturalmente não intencional, a visita demonstrou a sua capacidade para transformar dados preocupantes do turismo, sobretudo os relacionados com as dormidas na hotelaria tradicional, em dados muito positivos para a ilha do Faial.
Senão vejamos, o deputado faialense afirmou existir um crescimento sustentável do turismo na ilha e que, entre 2012 e 2017, aquele indicador aumentou 38%. Não há dúvida que correspondem há verdade estes dados, mas não deixa de ser estranho a sua opção em recorrer ao ano de 2012 para justificar esse crescimento, quando, como se sabe, por regra, o método de comparação é o ano transato ou o período homólogo do ano anterior.
Recuar a um período de enorme crise financeira no país, de resgate financeiro que originou uma forte retração no consumo das famílias, para justificar o atual êxito de políticas de turismo para a ilha, parece indiciar que os dados recentes são preocupantes.
E, na verdade, são mesmo. Comparando o ano de 2016 com 2017, no que às dormidas em hotelaria tradicional diz respeito, a ilha do Faial teve 103.814 dormidas no ano de 2016 contra 104.938 dormidas em 2017, o que se traduziu num aumento de, apenas, 1,1%.
Portanto, é claramente perceptível que, no ano passado, um dos principais motores da economia faialense, e que representa, em termos de dormidas, quase o dobro dos restantes tipos de alojamento, assistiu a um crescimento residual, anémico. E se analisarmos estes dados comparativamente com os da vizinha ilha do Pico, que cresceu 9,4% e mesmo com a ilha de São Jorge, que cresceu 13,1%, então apercebemo-nos que o Faial está a ficar para trás no contexto turístico do Triângulo.
Urge, pois, procurar adotar novas medidas, sobretudo ao nível da promoção turística e da captação de uma nova companhia aérea, capazes de impedir essa estagnação, permitindo um crescimento sustentado do turismo na ilha, e não manipular os dados como pretendeu fazer o deputado regional faialense.
Esta sua forma, discutível e enviesada, de usar os números e a pista …do Pico, tende a denotar que, no final do seu mandato, será difícil à população faialense lhe atribuir um Óscar.