Foi na juventude que conheci o Machado Ávila, o “Bébé”Machado, como era ainda chamado.
Mas a nossa amizade terá começado no Liceu quando alinhávamos na equipa de futebol dos Internos.
Aliás, terá sido o desporto que mais nos aproximou, mormente o Ténis de Mesa, embora ele fosse um exímio tenista nos campos de cimento.
E nos primeiros meses de 1940, estando a preparar-me para completar 3 cadeiras do 7.º ano, em Angra, e ele a rever matérias do último Ciclo, a fazer em Lisboa, passámos manhãs a estudar no seu quarto no Hotel Faial, de que seus pais eram donos.
Depois foi a tropa, a destinar a nossa passagem para a vida profissional.
Enquanto fiquei a marcar passo como miliciano até entrar para o Banco de Portugal, o Machado Ávila, livre de breve estadia em serviço militar, ei-lo Tesoureiro das Obras Públicas na Horta, cargo que exerceu com a maior competência.
E seu conhecido prestígio estendeu-se às Flores, ilha a que se deslocava mensalmente para pagamentos aos respectivos funcionários.
Mas não era pessoa de se ficar apenas como Tesoureiro de Repartição Pública.
De uma das vezes em que foi a Lisboa, tomou a iniciativa de ir ao Banco Português do Atlântico falar com um dos responsáveis a quem propôs a compra do edifício com frente para o Largo do Infante que era propriedade da referida instituição bancária.
Quer pela sua credibilidade, quer pelo argumento apresentado, a arrojada iniciativa teve feliz desfecho.
E apoio não lhe faltou para o empreendimento, por sinal, do amigo e colega Mamede.
Assim surgiu a Residencial Infante, que veio enriquecer a hotelaria faialense, mormente no sector turístico.
Vivendo ainda na Cidade Mar, naturalmente que a nossa amizade se fosse fortalecendo.
Recordo que fiz parte da Direcção do Grémio Artista de que o Machado Ávila foi activo e dinâmico Presidente.
Dois factos destaco que deram vida nova à Agremiação criada por artistas faialenses.
A antiga Biblioteca que fora deveras frequentada, voltou a ressurgir com o nome do ilustre contista açoriano, no Faial nascido, Florêncio Terra.
A série de palestras semanais foi outra iniciativa, aliás aberta à comunidade.
Foi membro interessado da Comissão de Turismo do SNI em representação dos Munícipes das Flores
E também como Vereador faialense foi escolhido entre seus pares para representar a Câmara da Horta, quando a votação para o Chefe do Estado voltou a ser feita em Colégio Eleitoral.
A propósito, disse-me ter voluntariamente votado em Américo Tomaz sem ser para tal pressionado.
Mormente, os bailes no “Amor da Pátria” eram sempre ocasião para dois dedos de conversa já que assuntos não faltavam.
Entre eles teriam sido os jornais, uma vez que, durante algum tempo, pôs em público a sua veia jornalística, assaz apreciada pelos leitores do “Correio da Horta”, isto quando eu ainda tinha a responsabilidade pela edição do diário da tarde.
Estava ainda no Faial quando prescindiu de ouvir as homilias dominicais do Doutor Cunha de Oliveira, transmitidas pelo R.C.A, para passar a ir à Missa na Matriz uma vez chegada a altura da catequese.
Se gostei da decisão, apreciei deveras a atitude, própria de um Pai de Família responsável: exemplo para filhinho/as que eram seu elevo.
Nas nossas habituais conversas raramente se esquecia de falar nos Trupes, Capelo onde tinham pequena casa.
Já vivíamos na Terceira quando adquiriram um prédio rural, próximo da Igreja da Praia do Almoxarife que só vi com a casa de lavoura já transformada em linda vivenda, alindada por formosas árvores, ao conhecido gosto da Maria Albertina Campos, uma verdadeira esposa cristã que justamente está no provérbio:
“Atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher”.
E mais havia a dizer do “Bébé” que foi “um Faialense” de relevo que dignificou a sua e a nossa terra.
DR
Residencial Infante