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  • Transportes para servir os Açores ou para servir alguns acionistas?
23
março

Transportes para servir os Açores ou para servir alguns acionistas?

Escrito por  João Corvelo
Publicado em Artigos de opinião
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A descontinuidade geográfica da nossa região, com nove ilhas dispersas numa extensa área do oceano Atlântico coloca a questão dos transportes e da mobilidade inter-ilhas e com o exterior como uma questão central.
A compreensão disto levou a que nos primórdios da autonomia tenha havido a séria necessidade de tomar medidas tendo em vista a cobertura integral do arquipélago com ligações aéreas, nomeadamente construindo em todas as ilhas, que ainda a não tivessem, de uma estrutura aeroportuária, como era o caso das Ilhas Graciosa, S, Jorge, Pico e Corvo. Esta rede aeroportuária cobrindo a totalidade das ilhas do nosso arquipélago tem cumprido no essencial a sua função, porque ao longo dos anos o Governo Regional tem tido nas suas mãos um poderoso instrumento que permitiu e continua a permitir organizar toda a rede de transporte aéreo de modo a dar resposta (muitas vezes mal e de forma enviesada, é certo) às necessidades das populações das diferentes ilhas. Tal instrumento foi, é e terá de continuar a ser a SATA. De facto a SATA tem sido e é uma empresa estruturante, absolutamente indispensável à nossa região e que deveria exigir da parte dos governantes uma particularíssima atenção e preocupação bem como uma criteriosa exigente e adequada gestão.
Ao invés, o que temos assistido no domínio da política de transportes por parte do Governo Regional é a uma política aventureira e demagógica de utilização da SATA para subsidiar as empresas low-cost, nomeadamente obrigando a SATA a efetuar de borla os reencaminhamentos dos passageiros das low-cost mesmo que isso implique como sucedeu no passado Verão dificultar ou impedir a deslocação inter-ilhas dos açorianos ou até mesmo do e para o exterior da Região, mesmo que por ponderosas razões de saúde.
Como se tal não bastasse, a gestão imprimida à SATA tem vindo paulatinamente a conduzir a empresa para uma situação de pré-falência como aliás o Plano Estratégico 2015/20 viria a refletir, com um passivo e uma situação de tesouraria preocupantes que se deve no essencial ao não cumprimento/pagamento, por parte do Governo Regional dos Açores, do serviço público que a empresa é obrigada a prestar.
É perante este panorama que o Governo em vez de pagar as suas dívidas à SATA e de garantir uma criteriosa e adequada gestão da SATA decide pura e simplesmente vendê-la a privados que logicamente terão como primeiro, único e exclusivo objetivo ganhar dinheiro, e como é óbvio, não terão nem quererão ter o encargo de assegurar a importante e fundamental missão de estruturar, melhorar ou manter uma rede de transporte aéreo que tenha por primeiro e grande objetivo servir os açorianos e garantir mecanismos de desenvolvimento estratégico da Região. Que mais não fosse senão por isso os açorianos não podem permitir mais este atentado que o Governo Regional se prepara para cometer com a SATA.
Os Açores e os Açorianos necessitam de uma SATA pública vocacionada para dar resposta aos açorianos e às necessidade de desenvolvimento da Região, não uma SATA privada cuja vocação primordial é dar lucro aos seus acionistas. É uma questão de opção. Nós PCP sabemos bem de que lado estamos e naturalmente entre servir os Açores e os Açorianos ou servir os bolsos de alguns acionistas estamos e estaremos sempre ao lado dos Açores e dos Açorianos.

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