Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • Cláudia Ávila Gomes
  • Influência do clima sobre a paisagem: a água como efeito modelador da paisagem
23
março

Influência do clima sobre a paisagem: a água como efeito modelador da paisagem

Escrito por  Cláudia Ávila Gomes
Publicado em Cláudia Ávila Gomes
  • Imprimir
  • E-mail

A ação do homem sobre o clima à escala global relaciona-se com o impacto da sua atividade na composição da atmosfera e sobre o ciclo da água. As pequenas ilhas oceânicas - limitadas por uma linha litoral que restringe os fluxos de água doce - funcionam como sistemas fechados em termos terrestres e estão dependentes da humidade atmosférica para a manutenção dos seus recursos hídricos. Este fator distingue-as das regiões continentais em termos da disponibilidade de recursos. A água doce disponível encontra-se condicionada pelas condições climáticas globais, pelo regime de precipitação e também pelas condições de formação e captação de nuvens e nevoeiros. Assim sendo, nas pequenas ilhas o estudo do clima e das alterações climáticas é da maior importância já que se debruça sobre o único input de água doce disponível.
Para além de tudo isto, a precipitação tem um efeito preponderante como elemento modelador da paisagem, já que é ação conjugada da pluviosidade e das características pedológicas do solo que dá origem às linhas de água e permite a existência de um relevo que pode ser mais ou menos ondulado, de marcas e sulcos profundos formados pela torrencialidade da passagem da água, e de formas de relevo particulares associadas à erosão hídrica. Assim, a modelação da paisagem encontra-se grandemente dependente dos processos relacionados com o ciclo da água e o escoamento superficial é responsável pela erosão e por uma boa parte das características fisiográficas destas ilhas.
As ilhas de São Jorge e das Flores são aquelas onde a erosão hídrica se faz sentir com maior intensidade. Esta erosão dá origem a perdas de solo e a movimentos de massa que podem ter consequências para pessoas e bens, especialmente em ilhas que, como estas, são povoadas em zonas de fajã. O escoamento superficial pode ser agravado pela ocorrência de pastagens permanentes em vertentes inclinadas, quando estas ocorrem. Pelo contrário, a infiltração da água e a recarga dos aquíferos subterrâneos é potenciada pela ocorrência de vegetação natural arbustiva, uma vez que nestas condições a água se infiltra mais lentamente e tem melhores condições para atingir o subsolo. A captação de nuvens e nevoeiros é também potenciada pela presença de vegetação natural arbustiva, pelo mesmo motivo. Para que a paisagem das ilhas açorianas se mantenha viável face às alterações climáticas que já estão a decorrer é necessário proteger as zonas mais favoráveis à recarga dos aquíferos das ilhas e prevenir as consequências de possíveis fenómenos extremos, como grandes tempestades. As maiores pressões identificadas sobre os recursos hídricos subterrâneos estão relacionadas com a poluição derivada da atividade agropecuária, com a salinização dos furos que captam o sistema aquífero de base das ilhas e com lacunas no tratamento de águas residuais1.
As lagoas existentes em diversas ilhas funcionam como reservatórios naturais de água doce. São importantes na dinâmica do ciclo hidrológico já que alimentam nascentes e aquíferos e são também responsáveis pela existência de algumas linhas de água de regime permanente. Existem lagoas nas ilhas de São Miguel, Terceira, Pico, São Jorge, Flores e Corvo. As maiores lagoas são as lagoas Azul e Verde, nas Sete Cidades, sendo a Lagoa Azul a maior reserva hídrica regional, com aproximadamente metade do volume armazenado de água de toda a região. As lagoas do Pico, localizadas no Planalto da Achada, apesar de não possuírem as dimensões nem as características cénicas das anteriores são exemplos representativos da paisagem própria das zonas húmidas açorianas, que integra tanto lagoas como charcos e turfeiras. As lagoas das Fajãs de Santo Cristo e dos Cubres, em São Jorge, têm uma grande relevância ecológica já que nelas se encontram águas de transição, ou seja, águas com características intermédias entre águas interiores e águas costeiras, e por isso albergam ecossistemas específicos deste tipo de águas. Estas duas lagoas são o único local nos Açores onde é protegido o habitat lagunas costeiras, que é um habitat prioritário da Rede Natura 2000 para a conservação da natureza à escala europeia. A ocorrência de lagunas costeiras em ilhas é muito rara mesmo a nível mundial. Por todos estes motivos é necessário prestar a maior atenção ao ciclo da água nestas ilhas. 

José Vergílio Cruz et al, Atlas da água dos Açores. Açores: Direção Regional do Ordenamento do Território e Recursos Hídricos / Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, 2007.

1Cruz, J. et al (2007) p.114.

Lido 427 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Etiquetas
  • Clima
  • Paisagem
  • Linha do Litoral
  • Àgua
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião