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23
março

Acessibilidades marítimas

Escrito por  Laurénio Tavares
Publicado em Laurénio Tavares
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As acessibilidades terrestres, aéreas ou marítimas são da maior importância para o desenvolvimento de qualquer território.
Em zonas de larga descontinuidade geográfica, como é o caso do arquipélago dos Açores, as acessibilidades, tanto aéreas como marítimas, ganham especial importância por serem determinantes para a mobilidade de pessoas e bens, e para dinamizar a economia.
No caso particular das ilhas do Triângulo, pela sua proximidade, os transportes marítimos, são fundamentais e estruturantes para o desenvolvimento sustentado deste grupo de ilhas e desta zona da região.
A maior proximidade existente entre as ilhas do Faial e do Pico – a denominada comunidade do canal – tem na secular, histórica e regular ligação marítima um dos mais relevantes benefícios para o desenvolvimento social e económico destas ilhas.
Pelo tempo fora, desde “as chamadas Lanchas do Pico, passando pelos Cruzeiros até aos atuais e modernos Navios Mestre Simão e Gilberto Mariano” o movimento marítimo de passageiros, de mercadorias e de viaturas tem aumentado significativamente e melhorado as condições de conforto para os passageiros, de dignidade para o transporte de doentes, e de mobilidade diária entre as ilhas do Faial e do Pico.
A título de exemplo é de registar que em 2017 o movimento marítimo entre o porto da Horta e da Madalena, onde se gera o maior volume de tráfego de passageiro nos portos dos Açores, foi na ordem dos 422 mil passageiros e de 13.900 viaturas.
Desde 2014, com a entrada ao serviço dos transportes marítimos dos novos ferries “Mestre Simão” e “Gilberto Mariano” – e com o progressivo aumento da procura deste destino turístico – têm vindo a ser criadas novas dinâmicas que todos esperávamos que viessem a ser sustentadas, e progressivamente melhoradas e consolidadas.
Com o recente e lamentável acidente com o “Mestre Simão”, ocorrido no passado dia 6 de janeiro, no Porto da Madalena, felizmente sem vitimas a lamentar – e sendo de enaltecer o profissionalismo e a perícia de toda a tripulação na operação de salvamento – surgem agora “dúvidas e incertezas” que ensombram as expetativas criadas não só pelos agentes económicos como pela população destas ilhas.
Sabendo-se que o navio não é recuperável e que o Governo Regional dos Açores mandou construir um novo navio para substituição do “Mestre Simão” – que pelo que é conhecido deverá estar a operar no “último trimestre de 2019” – e que o Governo e a Atlânticoline decidiram não alugar um navio para temporariamente substituir o navio acidentado, facilmente se percebe que naturalmente existirão condicionalismos, nomeadamente na qualidade e na redução do conforto a disponibilizar no regular movimento de passageiros entre as ilhas do Faial, do Pico e de São Jorge.
Para o regular movimento de viaturas percebe-se já que – na época alta do turismo – o maior volume do transporte será realizado para o porto de São Roque, com um percurso muito mais longo e demorado do que o trajeto entre a Horta e a Madalena, o que também se reflete na menor comodidade para os passageiros que acompanham as viaturas.
Todas estas alterações certamente serão penalizadoras para a qualidade da oferta na chamada” época alta do turismo” no ano de 2018 e de 2019, com todos os inconvenientes, e ainda incalculáveis e abrangentes prejuízos que daí podem advir para as pessoas e para a economia deste grupo de ilhas.
Como é por todos sabido os destinos turísticos demoram a criar e a consolidar – e a preparação e a escolha dos destinos a oferecer ou a visitar é feita cada vez mais com maior antecedência, e os operadores turísticos trabalham e promovem preferencialmente os destinos que oferecem a melhor previsibilidade para o êxito da oferta, e agrado dos clientes – pelo que o cenário que se nos apresenta na oferta e qualidade dos transportes marítimos imediatos para as ilhas do Triângulo não se apresenta como o melhor, e aparenta não ser muito prometedor para os tempos mais próximos, e para o desenvolvimento que todos almejamos.
Toda esta problemática que se pode antever penalizadora para este grupo de ilhas, pode levar-nos a questionar também a qualidade das obras realizadas nalguns portos, nomeadamente no Porto da Madalena, as condições de segurança que a estas também estão associadas, o que não pode ser desvalorizado para que seja reposta a necessária tranquilidade dos utilizadores e a regularidade no transporte marítimo de passeiros, particularmente entre a Horta e a Madalena.
Para o transporte marítimo de passageiros, de viaturas e nos portos já foram gastos pela administração regional, ao longo de muitos anos, vastos milhões de euros sem que se tenha obtido ainda uma solução que corresponda e satisfaça as evidentes necessidades da região, devido a decisões políticas erradas ou mal delineadas.
A infeliz saída de circulação do “Mestre Simão”, a necessidade de periodicamente o navio “Gilberto Mariano” ter de se deslocar ao continente para manutenção, vem comprometer a qualidade das ligações marítimas entre as ilhas do Triângulo, com maior incidência entre as ilhas do Faial e do Pico, o que é penalizador não só do ponto de vista económico, mas também na deslocação diária de passageiros e de viaturas, muitos por motivos profissionais e de saúde.
É tempo do Governo Regional e a Atlânticoline assumirem com a necessária rapidez todas as suas responsabilidades para, no curto prazo, e até à entrada ao serviço do navio mandado construir para substituir o “Mestre Simão”, seja encontrada uma solução que permita repor o nível de qualidade e de conforto que era praticado regularmente nas ilhas do Triângulo no período anterior ao acidente com o navio “Mestre Simão”, especialmente entre o porto da Horta e da Madalena, onde se gera o maior volume de tráfego de pessoas e de viaturas, por forma a satisfazer as reais necessidades destas ilhas que contribuem para o desenvolvimento e a coesão da região.

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