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29
março

Governo bate o pé perante a manifestação

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL
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Assistimos na passada quarta-feira a outra grande manifestação em prol da defesa dos interesses dos faialenses por mais e melhores acessibilidades aéreas.
Efetivamente, várias centenas de pessoas marcaram presença em frente à Assembleia Legislativa e deram conta a todos os grupos parlamentares da necessidade de a SATA alterar a sua política de transportes aéreos para com o Faial, que afeta de sobremaneira o seu desenvolvimento económico.
Um a um, os representantes dos grupos parlamentares com assento na Assembleia vieram à rua receber das mãos dos organizadores desta jornada de protesto um manifesto com as exigências e reivindicações que pretendem ver satisfeitas.
Entre esses representantes constavam alguns deputados regionais faialenses, que fizeram questão de ouvir, por si mesmos, os anseios e preocupações dos cidadãos que os elegeram. A exceção a todas estas presenças foi mesmo a da deputada socialista e Presidente da Assembleia que decidiu passar ao lado desta justa reivindicação.
Na verdade, não se compreende muito bem a posição por esta assumida. Umas vezes, sai à rua como deputada para ouvir associações, instituições, em nome e defesa do Partido Socialista. Outras vezes, porventura as mais relevantes, já não é deputada regional, mas sim Presidente da Assembleia e por isso tem que manter uma atitude e posição equidistante.
O que é certo é que a sua ausência não passou despercebida aos olhos da multidão que encheu a frente do nosso Parlamento.
Todos os quadrantes políticos e muitos empresários, locais e estrangeiros que investiram na ilha do Faial, fizeram questão de marcar presença nesta manifestação, dando a entender ao Governo Regional e à SATA que estão unidos em torno de um desiderato único: melhores transportes aéreos para a nossa ilha.
Inclusive, o próprio Presidente da Câmara Municipal da Horta também compareceu, mostrando que o MunicÍpio também se opõe à política de estrangulamento desenvolvida pela SATA em relação à população faialense.
Ele que, no dia anterior, se reuniu com a Secretária Regional dos Transportes para conseguir a manutenção dos 14 voos para a ilha durante o verão IATA 2018, numa derradeira tentativa de esvaziar o conteúdo reivindicativo da manifestação agendada.
Só que o Governo Regional, ao contrário do que sucedeu no passado, não ouviu os seus argumentos e manteve o que está projetado. Mesmo assim, e perante esta nega, José Leonardo continuou a dizer “que se mantinha uma via de diálogo aberta” e que “não foi eleito para participar em manifestações”.
É legítimo perguntar, então, o que mudou naquelas horas que antecederam a manifestação e que o levaram a comparecer? Sem dúvida que a sua presença se entende como um sinal de que se fecharam por completo todas as vias de diálogo entre o Governo Regional e o Município.
Se assim for, tal facto é deveras preocupante para os faialenses. Na verdade, se o máximo órgão municipal não tem vias (estão fechadas) para comunicar com um Governo que é da sua cor partidária, como é que a ilha vai conseguir fazer ouvir a sua voz?
Em termos práticos, a manifestação traduziu-se numa mão cheia de nada. Isto é, o objectivo primeiro que era pressionar a SATA e o Governo Regional a alterar de imediato a sua política de acessibilidades à ilha do Faial não surtiu qualquer efeito.
Aliás, o intuito de dar a conhecer este protesto além-Faial foi também bastante limitado. Basta vermos o Telejornal da RTP Açores do dia 22 de março, a diferença do tempo noticioso concedido a esta manifestação (2.51min) e ao almoço com uma palestra realizada pelo Presidente da Câmara do Comércio de Ponta Delgada (4min), para imediatamente nos apercebermos da relevância mediática que lhe foi atribuída.
Portanto, se depois de duas grandes manifestações, de constantes apelos por parte do Presidente do Município e das forças vivas da ilha, continuamos exactamente no mesmo ponto em que estávamos há dois anos atrás, a procura da solução para o descontentamento gerado na ilha com a atuação do Governo Regional e da SATA só poderá caber, agora, a cada um dos faialenses (nas próximas eleições regionais).
Mas, entretanto, e se o governo continuar a bater o pé e a manter a sua posição, os apoiantes da manifestação não deviam arredar pé da Assembleia Legislativa.

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